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domingo, 30 de novembro de 2008

Confraternização, Rock e Quadrinhos no Troféu Bigorna 2008!



"Uma pá de super-heróis": Gonçalo "Guerra dos Gibis" Junior,
Roberto "Meteoro" Guedes, Márcio "Roko-Loko" Baraldi
e Dario "Dálgor" Chaves. (wg)

Quem esteve presente na primeira edição do Troféu Bigorna, ocorrida nas dependências do Bar Blackmore – localizado no badalado bairro paulistano de Moema –, não teve do reclamar. Ainda mais, se o maluco era chegado em gibis dos bons e a rockões dos mais pauleiras. A festa, comandada pelos Mestres de Cerimônia Eloyr “Bigorna” Pacheco e Marcio “Roko-Loko” Baraldi foi um tremendo sucesso, e contou com a presença de personalidades de renome da HQB, emissoras de televisão, e do comparecimento em massa do público, que lotou a casa de espetáculos.



Eu e o meu Bigorna! (gf)

Baraldi circulava com sua cartola mágica, recepcionando a todo mundo com o seu contagiante bom humor. Eloyr, mais centrado, anotava alguma coisa aqui, ajeitava outra acolá, mas não conseguia disfarçar sua emoção – sensação que custuma arrebatar o coração de quem vê um sonho se tornar realidade.




Enquanto Baraldão colocava ordem no recinto,
Eloyr ajeitava o look. (gf)

Antes de começar a premiação, várias rodinhas se formaram, e a camaradagem entre os convivas ditou o ritmo do ambiente festeiro. O som alto obrigava a galera a elevar um pouco o tom de voz, e a usar de gestos expansivos para se fazer entender, o que originou uma espécie de “coreografia não planejada” e divertida. Mas para quem cresceu sob os elevados decibéis de AC/DC, Starz, UFO, Slade e Status Quo, aquilo foi simplesmente um deleite (pelo menos, meu irmão William e meu sobrinho André não reclamaram).


Mário Latino, "Guedão" e Bira (com a gaita).
Alguém aí bradou "Romita rules!"?... (wg)

Atmosfera agradabilíssima e descontração garantida, o pessoal do Quarto Mundo vendia seus gibis, e dois caricaturistas escolhiam aleatoriamente alguém para retratar, o que rendia algumas boas risadas: “Deixa-me ver como você ficou!”; enquanto Dario Chaves, Klink, Laudo, Dédy Edson, Raphael Fernandes e Primmagio Mantovi confraternizavam-se com Gonçalo Junior, Worney, Mario Latino e com este que vos escreve. E no momento em que o “mestre do terror” Rodolfo Zalla surgiu, todos correram para lhe dar um abraço.


Dário Chaves, Laudo e Guedes - Caramba!
Este cara está em todas! (gf)

Como não poderia deixar de ser, Bira Dantas solou com sua supergaita, antecedendo os discursos dos vencedores de 2008. Logo depois, a banda Baranga subiu ao tablado e mandou ver. Meu ex-parceiro de Fire Comics, Leandro Câmara Ciasca não arredou o pé, e conferiu todos os rifes e acordes dos guitarristas. De algum canto privilegiado, Gérson “RB” Fasano (o maior colecionador do Brasil), dava uma de Peter Parker, clicando todos os detalhes do evento. Nenhum supervilão deu às caras. Fim de festa. Aplausos, assovios e um viva para o Troféu Bigorna – que dure para sempre!


Worney filosofava, e Mestre Rodolfo Zalla recebia o
Troféu das mãos de Bira. Um dia e tanto! (gf)

Na saída, pairou sobre todos a esperança de que dias melhores estão por vir para o Quadrinho no Brasil.

Créditos das fotos:
Gérson Fasano (gf)
William Guedes (wg)

© Copyright Roberto Guedes

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

1º Boletim Manifesto

É isso aí, intrepid one! De vez em quando irá pintar um boletim especial por aqui, com informações ligeiras, porém certeiras. Tudo no ponto certo, para saciar a sua ânsia pelo conhecimento infinito – e até para que eu possa desanuviar um pouco dos complicados pensamentos, descansar das pesquisas, do trabalho interminável, e relaxar na mais prazerosa e desavergonhada preguiça.
Além disso, hoje é sexta-feira...



Kirby vence a primeira enquete do Manifesto!
Como o amigo pode ver aí do lado esquerdo, um pouquinho mais pra baixo, Jack kirby venceu a primeira enquete do Manifesto “Qual foi o melhor parceiro de Stan Lee?”, arrematando 66% dos votos. Uma verdadeira “lavada” nos concorrentes, assim diria o outro. Como eu já antecipava isso, comecei a preparar uma super-hiper duca matéria com o “Rei dos Quadrinhos”. Ou seria uma crônica? Ou então, um poema?
Bah! Só o tempo dirá...


Muertos no QI
A edição 94 do fanzine QI (Quadrinhos Independentes) de Edgard Guimarães traz, além das costumeiras seções, um exemplar gratuito da revista Muertos, com uma HQ produzida pelo quadrinista Daniel Pereira dos Santos, a partir de um conto de Zanthos Aybrom. São 36 páginas de sombras, delírios e goles de Rum Bacardi Gold. O interessado deve entrar em contato direto com Daniel clicando em http://www.ds.art.br/. Mas se você quiser adquirir também o QI, fale com o Edgard pelo e-mail Edgard@ita.br.


Hu-Quan
O editor José Salles continua (de maneira louvável) investindo no quadrinho brasileiro independente, com o seu selo Júpiter II. Desta vez, chegou às minhas mãos, a primeira edição – de uma série de duas – de Hu-Quan, que conta a história de um lutador marcial que foi parar numa vizinhança barra-pesada sob o jugo de um tal "Açougueiro" (pura simpatia). Produção de Fab Cruz, Luiz Meira e Douglas Felix, a trama remete ao seriado televisivo Kung Fu de David Carradine, e mesmo às HQs de Shang Chi, da Marvel Comics.



Defensores da Justiça 1
Helder Costa, o mesmo autor de A Coroa e a Espada, volta a aprontar, mandando brasa em seu novo fanzine, feito no “estilo antigamente”. Ou seja: formato ofício, 16 páginas xerocadas, e uma história repleta de super-heróis que conhecemos e adoramos. Hã... quer dizer, embora os caras sejam chamados de “Super-Homem”, “Lanterna Verde”, “Flash” e “Blade”, Helder trocou suas identidades conhecidas por pessoas reais... conhecidas apenas pelo Helder! E o Super-Homem não é ninguém menos que o próprio quadrinista. Os “vilões” – e sacos de pancada dessa inusitada edição – são Jaspion, Kamen Rider e Dragon Ball. Diversão garantida! Se estiver interessado em conhecer os quadrinhos do Helder, entre em contato neste e-mail: heldercosta79@ig.com.br



Jornal GRAPHIQ
Mário Latino é um dos principais "guerrilheiros" da produção e difusão dos quadrinhos no Brasil. Prova disso é que desde os anos 1990 vem lançando edições especiais, como o faroeste O Homem do Missouri, ou os álbuns do hilário Roberval, além de comandar na rede o GRAPHIQ Brasil, que ganhou o Troféu Bigorna na categoria “Melhor Site de Autor”. Ultimamente, Latino se dedica com afinco à confecção do Jornal GRAPHIQ, periódico mensal, com tiragem de 5 mil cópias, que reúne em suas páginas tiras em quadrinhos de diversos e talentosos autores. Entre eles: Fraga, Paulo Yokota, Rosa Duval, Ruy Jobim Neto e o próprio Latino, com o seu impagável Agente 000125; além de artigos e entrevistas assinados por especialistas como Gazy Andraus e Waldomiro Vergueiro. Vale a pena conferir.
Por aqui encerro esta, na certeza do dever cumprido. Amanhã é dia de premiação, e domingo, de macarrão. Na segunda, eu volto a correr atrás do Dr. destino.
Tá falado!

© Copyright Roberto Guedes

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Troféu Bigorna 2008: Baraldão vai comandar a festa!

Dia 29 de novembro, sábado, acontecerá a primeira edição do Troféu Bigorna, para os “Melhores do Quadrinho de 2008”. Idealizado pelo cartunista Marcio Baraldi e pelos criadores do site Bigorna (Eloyr Pacheco, Humberto Yashima e Marcelo Baptista), o Troféu Bigorna se constitui em mais uma bem-vinda opção de premiação aos profissionais da área quadrinistica brasileira, juntando-se aos já estabelecidos Angelo Agostini e HQMIX.

Os premiados em suas respectivas categorias, são:

Melhor Desenhista: Samicler Goncalves
Melhor Roteirista: Francinildo Senna
Melhor Chargista: Carlos Latuff
Melhor Cartunista: Luiz Augusto
Melhor Site de Autor: Graphiq Brasil (Mario Latino)
Melhor Jornalista Especializado: Gonçalo Júnior
Melhor Editora: Desiderata
Melhor Editora Independente: Júpiter II (José Salles)
Melhor Fanzine/Revista Independente: Café Espacial (Sérgio Chaves)
Melhor Álbum/Livro de Humor: Macambira e sua Gente (Henrique Magalhães)
Melhor Livro Sobre Quadrinhos: A Era de Bronze dos Super-Heróis (Roberto Guedes)
Melhor Livro de Aventura/Outros: 35 Anos de Velta (Emir Ribeiro)
Prêmio Contribuição à HQB: Worney Almeida de Souza, Opera Graphica Editora e Programa HQ Além dos Balões
Prêmio “Uma Vida Dedicada aos Quadrinhos”: Eugênio Colonnese, Gedeone Malagola e Rodolfo Zalla
Homenagem Especial: Mark Novoselic

Além da premiação, haverá outros eventos em paralelo. Atenção para a programação geral:
14h – Abertura para o público, com o lançamento do aguardado álbum Vale-Tudo de Marcio Baraldi, e do boneco Ginho, o ET de Varginha.

15h – Entrega do Troféu Bigorna para os premiados. Apresentação: Vinícius Neves e Cíntia Diniz (do programa Stay Heavy)

16h – Show da banda Exxotica

17h30 – Show da banda Baranga

19h – Encerramento das festividades

Baraldi, em seu estilo despachado de ser, garante a diversão, dizendo que “Haverá vinho, refrigerantes, salgadinhos e bombons na faixa!”, além de “[...] computadores no local pra molecada jogar o game do personagem Roko-Loko!”. Baraldi também irá receber o Disco de Diamante, pelas 500 mil cópias vendidas do game Roko-Loko.

A farra toda será embalada por muito rock’n’roll, com direito a clipes rolando no telão, sob o comando do DJ Adriano Coelho. Presença também de um stand do pessoal do Quarto Mundo com oferta de seus quadrinhos alternativos.

Por essas e outras, uma festança imperdível, tanto para a galera do Rock, quando para os gibizeiros de plantão.

Local: Bar Blackmore
Al. Maracatins,1317 (atrás do Shopping Ibirapuera)
Bairo de Moema, São Paulo, Capital.
Entrada gratuita

© Copyright Roberto Guedes

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Johnny Blaze se danou!

Há cerca de um mês, no máximo, eu cheguei a trocar algumas breves palavras com Tony Isabella, veterano roteirista de quadrinhos norte-americano, cuja carreira teve uma maior projeção – tanto lá fora quanto aqui – durante os anos 1970. Isabella nunca fez parte do rol de autores mais reverenciados pelos leitores, como alguns de seus contemporâneos da Era de Bronze, tais quais Steve Englehart, Marv Wolfman, Gerry Conway e Frank Miller, mas é possuidor de uma folha de serviços nada inexpressiva.

Criou ou escreveu títulos bem conhecidos, entre eles Os Campeões, Capitão América, Luke Cage, Motoqueiro Fantasma e diversas HQs para os magazines de horror da Marvel. Boa parte desse material foi republicada no Brasil, em revistas das editoras Bloch e Abril. Ele também criou o primeiro super-herói negro de maior relevância para a DC Comics: Jefferson Pierce, o Raio Negro. Quem acompanhava os formatinhos da EBAL irá se lembrar dele (e quem não viu, corra logo pro sebo mais próximo de sua casa).

Ao estudar a carreira de Isabella, e também durante esse breve bate-papo, pude perceber que temos algumas opiniões em comum. Uma delas, diz respeito ao estranho arco de histórias do Motoqueiro Fantasma em que o herói do crânio flamejante é socorrido por alguém que deveria ser Jesus Cristo, durante uma batalha contra Satã.

Qual não foi minha surpresa, ao constatar, tempos depois, que essa HQ sofreu forte imposição de um certo editor, sendo alterada e reescrita pelo próprio à revelia de Isabella. Este não diz quem é o tal editor, mas comentou que no roteiro original, Johnny Blaze tornava-se um cristão renascido, após aceitar Jesus como seu único e soberano salvador. Quanto ao príncipe das trevas... bem, ele voltava com o rabo entre as pernas pras profundezas do inferno. Mas nada disso aconteceu na versão publicada.

“Considero o que ele fez, um dos três maiores atos de arrogância que já vi um editor cometer!”, indignou-se Isabella. Olhando nos créditos, constata-se que, na ocasião, o editor era Marv Wolfman, não implicando, todavia, que a decisão tenha partido dele. Tampouco não sei dizer quais seriam os outros dois atos arrogantes, mas se pouco preconceito é bobagem, Isabella veria mais uma de suas idéias sofrer outro abuso e deturpação de princípios.

Fiquei a par disso, ao lhe perguntar se a concepção de um grupo de heróis tão esdrúxulo quanto os Campeões teria sido mesmo dele, e o roteirista me garantiu que não: “Deus te abençoe, meu amigo! Meu conceito original para os Campeões da Marvel era o de dois amigos viajantes: Homem de Gelo e Anjo. Eu achava – e ainda acho – que uma dupla formada por um sujeito classe-média e um garoto rico, ao estilo do seriado televisivo Route 66, proporcionaria situações divertidas. Mas os editores Len Wein e Marv Wolfman queriam um grupo de heróis mais tradicional e impuseram várias regras absurdas, como a de incluir toda uma equipe restante. Definitivamente, eu não compartilho do mesmo carinho dos fãs por essa série.”

Os leitores veteranos vão lembrar que a série Os Campeões foi parcialmente republicada no Brasil a partir de 1979, nas páginas de Heróis da TV. Uma equipe formada inicialmente por Motoqueiro Fantasma, Anjo, Homem de Gelo, Viúva Negra e Hércules, totalmente sem química e nenhuma motivação real que justificasse sua união. A série durou apenas 17 números, mas como muita coisa vira “cult” sem uma aparente explicação, ainda hoje os leitores lembram com carinho de suas aventuras. Por aqui, os editores brasucas pularam boa parte das edições – aquelas desenhadas por Don Heck e Bob Hall, por exemplo –, concentrando-se nas aventuras com arte de John Byrne, então, um iniciante pra lá de promissor.

Admito que fiquei admirado (ou nem tanto, já que hoje sei muito bem como as coisas por vezes se desenrolam nos corredores das redações), de como Wein e Wolfman podem ter sido arbitrários. Justo eles, que sofreram um bocado de perseguição em seus primeiros dias no staff da DC por causa do discurso racial que imprimiram em “A batalha de Jericó” – HQ da Turma Titã brecada na porta da gráfica por Carmine Infantino, para, em seguida, ser parcialmente reescrita (e redesenhada) como uma aventura de ficção científica por Neal Adams, gerando um bafafá daqueles, ó!

Se bem que até dá para entender a postura de Wolfman e Wein nesse caso dos Campeões. Afinal, nos seventies, a Marvel estava em franca expansão, conquistando gordas fatias do mercado, consolidando-se como a editora top no segmento de quadrinhos, e uma das “modas” era lançar gibis de supergrupos (Defensores, Invasores, Novos X-Men). Eles podem ter raciocinado que dois dos menos badalados mutantes não teriam pique para segurar um título. Além disso, a dupla Lanterna Verde/Arqueiro Verde já havia provado dessa fonte, digamos, Jack “Pé na Estrada” Kerouac, capice, intrepid one?

Não é legal chorar sobre o leite derramado, ainda mais quando o tempo já se encarregou de apagar os vestígios da sujeira. Entretanto, Isabella teria ou não sofrido preconceito religioso por parte do editor “abelhudo”? Já esse editor, se ofendeu por que era um cristão – e não queria envolver Jesus numa história dos diabos –, ou, exatamente por não ser cristão é que tomou tal decisão? E ainda: teria Isabella, o direito de converter ao cristianismo um personagem que não foi criado por ele (o criador do Motoqueiro é Gary Friedrich)?

Preconceito? Hipocrisia? Quem se arrisca?

Hmm... Quer saber? Nessas, quem se danou mesmo foi Johnny Blaze...

© Copyright Roberto Guedes

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Promoção: livros autografados e gibis gratuitos

Atenção, amigo leitor!
Caso você queira receber qualquer um dos meus livros teóricos dedicado às Histórias em Quadrinhos, já com descontos especiais, com direito a dedicatória e autógrafo, e ainda ganhar um belo gibi de brinde, atente para a promoção adiante. Oferta válida por tempo limitado – até 31 de dezembro de 2008 – ou enquanto houver exemplares em estoque.



Quando Surgem os Super-Heróis
“Suor, lápis e imaginação!”
Um livro ricamente ilustrado e repleto de informações. Mais que a óbvia constatação do apelo comercial dos super-heróis, este petardo editorial registra as histórias daqueles que ajudaram a construir – com muito suor, lápis e imaginação –, a fábrica de sonhos que é o mercado de comic books americano. Relata também os bastidores dos estúdios e o momento histórico em que cada herói foi concebido. Fala dos personagens mais populares da Era de Ouro; do período de ostracismo dos supers na época de “caça às bruxas” e termina, de forma triunfante, com a revolucionária Era de Prata. Ao começar a ler Quando surgem os super-heróis, você correrá o risco de voltar a ser criança, e lembrar – para sua surpresa – que “impossível” é uma palavra que não está no gibi.
(Pouquíssimos exemplares disponíveis!)
Autor: Roberto Guedes – Editora: Opera Graphica
Formato: 21 x 28cm – 100 páginas
Capa: Alexandre Jubran
R$ 20,00



A Saga dos Super-Heróis Brasileiros
“Um Brasil repleto de super-heróis!”
Apesar de as revistas de super-heróis serem consideradas pelos críticos como um subproduto literário americano, as mesmas encontram a admiração de milhões de fãs ao redor do mundo, e, em particular, dos brasileiros. Desde as primeiras publicações em terra brasilis, nossos heróis sofreram com a resistência dos incrédulos ao tentarem adaptar tal temática à realidade brasileira. Mesmo assim, muitas obras se destacaram das demais por apresentarem textos bem construídos e inteligentes, ou ainda, pela qualidade da arte. E é delas que esse livro trata. Dos roteiristas, dos desenhistas, das editoras – grandes ou pequenas –, e dos editores independentes que souberam promover seus personagens. Verdadeiros produtos que, por um determinado período de tempo, geraram burburinho e receita, cativaram um público leitor, e mais, propiciaram aos seus autores a chance de “darem o seu recado”. Ao terminar de ler A saga dos super-heróis brasileiros, com certeza o leitor chegará à conclusão de que, independente dos estilos e temas, qualquer um que tente viver de quadrinhos no Brasil, é sim senhor, um genuíno “super-herói brasileiro”.
(Pouquíssimos exemplares disponíveis!)
Autor: Roberto Guedes – Editora: Opera Graphica
Formato: 21 x 28cm – 112 páginas
Capa: Mozart Couto
R$ 20,00


A Era de Bronze dos Super-Heróis
“O crepúsculo dos quadrinhos”
Vencedor do Troféu Bigorna como “Melhor Livro Sobre Quadrinhos de 2008”, suas páginas mostram que, de 1970 a 1985, o mercado americano de comic books sofreu mudanças radicais, começando pela substituição gradativa de profissionais veteranos por jovens autores oriundos do fandom, passando pela implementação do Mercado Direto e do surgimento de editoras independentes, até desembocar nas minisséries e graphic novels. Foi a época em que os personagens lutaram pelo engajamento político; os criadores buscaram reconhecimento e melhores condições de trabalho; as histórias combateram o racismo e as drogas; e os gibis de Terror e Artes Marciais influenciaram e foram influenciados pela Cultura Pop. A Era de Bronze foi, com certeza, o último grande período dos super-heróis no século 20, onde ainda se era permitido conviver tanto com o antigo, quanto com o novo, em uma combinação única, que gerou alguns dos melhores quadrinhos de todos os tempos.
Autor: Roberto Guedes – Editora: HQM Editora
Formato: 21 x 28cm – 240 páginas
Capa: Daniel HDR
R$ 30,00


Meteoro Comics
“Participação especial: Raio Negro”
A revista traz duas histórias empolgantes: "Quando os heróis se encontram!", de Roberto Guedes (roteiro), Horácio Jordan (desenhos) e André Valle (arte-final), com o encontro de Meteoro e Raio Negro, o clássico super-herói de Gedeone Malagola (detalhe: é a última HQ inédita com Raio Negro publicada antes do falecimento de Malagola); e "Quem foi Meteoro?", de Roberto Guedes (roteiro) e Marcelo Borba (arte), originalmente publicada no ano 2000 em uma revista promocional da Banca Fire Comics. Trata-se de uma comovente aventura do herói no futuro.
Histórias: Roberto Guedes – Arte: Horácio Jordan e Marcelo Borba
SM Editora
Formato: 15,5 x 21cm
Capa: André Valle
R$ 3,00



Almanaque de Quadrinhos
“A hora e a vez de Meteoro”
Em meio aos arranha-céus da “Cidade da Garoa”, Meteoro se vê às voltas com mafiosos inescrupulosos e supervilões aracnídeos. Bastidores da política, chantagem, corrupção, problemas juvenis, e muita pancadaria compõem “A embaraçada teia da vida” – uma verdadeira e divertida ode aos quadrinhos de outrora, que, em 2002, levou o Mascarado Voador das publicações alternativas para o grande público das bancas. Arrancou aplausos e propiciou ao desenhista Marcelo Borba o prêmio Angelo Agostini de “Melhor Arte-Finalista” daquele ano. A revista ainda traz histórias de vários nomes importantes da HQB, como Mozart Couto, Flávio Colin, Watson Portela, Shimamoto e Marcatti.
(Pouquíssimos exemplares disponíveis!)
História: Roberto Guedes – Arte: Marcelo Borba
Editora Escala
Formato: 13,5 x 19cm – 132 páginas em cores
Capa: Marcelo Borba
R$ 7,00

Estes já são os preços finais com desconto. Você pode levar todos ou apenas um dos itens se quiser. Será acrescido apenas o valor de postagem, conforme o peso final, e a região do país a ser entregue o pedido (e você poderá acompanhar a entrega pelo site do correio).

Atenção para as seguintes promoções:
Opção 1:
Comprando os dois primeiros livros (Quando surgem os super-heróis e A saga dos super-heróis brasileiros), você recebe GRÁTIS o gibi Meteoro Comics.

Opção 2: Comprando os três livros, você recebe GRÁTIS os dois gibis: Meteoro Comics e Almanaque de Quadrinhos. Para saber a forma de pagamento e fechar o pedido, clique aqui: meteorocomics@yahoo.com.br

sábado, 22 de novembro de 2008

Happy Birthday, Roy Thomas!

Roy William Thomas nasceu em Jackson, Missouri, em 22 de novembro de 1940 – ou seja, há exatos 68 anos –, e trata-se de uma das figuras mais importantes dos quadrinhos norte-americanos e mundiais. Começou a ler os comic books ainda cedo e logo se apaixonou pelas aventuras da Sociedade da Justiça, de Namor e do Tocha Humana. Anos depois, confessaria que seus dois personagens favoritos sempre foram o Coisa (do Quarteto Fantástico) e o Hawkman (Gavião Negro).

Em 1961, formou-se em Pedagogia pela Universidade Estadual do Missouri e, em 2005, tornou-se Mestre em Ciências Humanas pela Universidade Estadual da Califórnia. Fora dos quadrinhos, suas maiores influências são Joseph Heller, Homero, Robert E. Howard e William Shakespeare. Já no meio que o consagrou: Stan Lee, Joe Simon, Jack Kirby, Walt Kelly, Harvey Kurtzman, Otto Binder, Gardner Fox e Julius Schwartz.

No princípio da década de 1960, enquanto lecionava língua inglesa, foi convidado por Jerry Bails para co-editar o fanzine Alter Ego – primeiro dedicado exclusivamente ao universo dos super-heróis. Coube a Thomas, também, a honra de ser o primeiro integrante do fandom a ingressar no meio profissional (1965), abrindo espaço para toda uma nova geração de autores na década seguinte. Iniciou na redação da DC Comics, supervisionado por Mort Weisinger, o editor das revistas de Superman, mas após oito dias, se mandou para a Marvel: “Mort Weisinger era um homem muito difícil de se lidar. Por isso, quando Stan Lee me fez uma oferta, não pude recusar.”

Thomas foi o braço direito de Lee, e recebeu dele o apelido de “The Boy”. Logo mais, assumiria o papel de editor-chefe da Marvel. Tornou Conan, o Bárbaro mundialmente conhecido e criou personagens marcantes, como o andróide Visão*, e Morbius, o Vampiro Vivo; além de trabalhar nos principais títulos da Casa das Idéias, e da DC, como Fantastic Four, Avengers, Tarzan, X-Men, Amazing Spider-Man, Batman, All-Star Squadron, Shazam: The New Beginning, Thor, entre outros, sendo o responsável direto pelos quadrinhos de Guerra nas Estrelas.

Com o prestígio conquistado ao longo da carreira, trabalhou ainda para a televisão, roteirizando episódios do live action Xena, e de desenhos animados como Quarteto Fantástico (aquele com o robozinho H.E.R.B.I.E. no lugar do Tocha Humana), Homem-Borracha, Comandos em Ação e Conan – o Aventureiro. E, em parceria com Gerry Conway, escreveu o roteiro original do longa-metragem da Universal Conan, o Destruidor, de 1984 – posteriormente reescrito por Stanley Mann.

É também um dos profissionais mais respeitados e premiados da indústria, recebendo dezenas de honrarias dentro e fora dos Estados Unidos. Não por acaso, Thomas foi eleito pelos leitores da Comic Buyer’s Guide o quarto "Melhor Editor", e o quinto "Melhor Roteirista" de quadrinhos do século 20. Ele continua na ativa, produzindo Alter Ego – agora uma revista dedicada às Eras de Ouro e Prata –, e adaptando grandes obras da literatura para os quadrinhos sob o selo da Marvel.

Tive o privilégio de ser o primeiro a entrevista-lo para um periódico brasileiro, cuja publicação ocorreu na Wizmania 37 (outubro de 2006), e parte deste texto – que usei como introdução daquela reportagem – revisei, ampliei e atualizei para esta ocasião especial. Ao lado de alguns outros nomes importantes, Thomas faz parte das minhas maiores influências como editor e roteirista. Meu primeiro gibi Marvel da coleção foi um do Príncipe Submarino escrito por Roy. Mal poderia imaginar que, pouco mais de 30 anos depois, teria a honra de ver meu nome relacionado entre os colaboradores da lendária Alter Ego.
Parabéns, Roy... e obrigado!

© Copyright Roberto Guedes

* A imagem ao lado é de autoria do jovem cartunista – e meu bom amigo – José Borba, e foi feita a partir de uma sugestão que lhe passei: colocar Roy no lugar do Visão, na famosa cena em que o sintozóide é aceito como vingador e Roy escreve a célebre frase “Até mesmo um andróide pode chorar”. Daí, nós só trocamos “andróide” por “escritor”. Ficou bem legal, não é?
Borba rules!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Coisas que você ainda não sabia sobre Stan Lee

Esta semana Stan “The Man” Lee foi homenageado pelo governo americano com uma das maiores honrarias que uma figura do meio artístico poderia receber: a National Medal of Arts, entregue às pessoas que dedicaram sua vida à promoção da cultura nacional daquele país.

Lee esteve presente na cerimônia da Casa Branca, é claro, e com sua habitual simpatia recebeu das mãos – do não tão simpático – presidente George W. Bush aquele medalhão invocado. E antes que perguntem: não, ele não caiu em prantos como o cantor Alexandre Pires.

Não é a primeira vez que o pai fundador do Universo Marvel é homenageado, e, pelo andar da carruagem também não será a última. No caminho de volta para casa na ensolarada e incendiada Califórnia – onde o destino de muitos “é ser star” –, Lee recebeu os cumprimentos virtuais de inúmeras pessoas, entre amigos e admiradores, inclusive deste que vos escreve; e, ao qual respondeu-me atenciosamente de bate-pronto, finalizando agradecido “Many thanks, Roberto. Excelsior! Stan”.

Mas a resposta mais engraçada que o criador do Homem-Aranha deu foi para o jornalista, radialista e escritor protestante Peter Wallace ao ser indagado se a medalha ainda estava em seu pescoço no dia seguinte: “Usando? Eu a cravei em meu peito!”.

Wallace, que inclusive já esteve no Brasil, me contou como o estilo de escrever de Stan Lee o influenciou em sua carreira: “Eu sou um Marvel maníaco desde meados da década de 60, quando li pela primeira vez os gibis de Homem-Aranha e Thor que o meu irmão mais velho trouxe pra mim! [...] Há cerca de quatro anos fiz uma viagem a Los Angeles e, gentilmente, Stan me convidou pra encontra-lo em seu escritório, onde passei cerca de uma hora e meia tentando conversar coerentemente com ele. Eu me sentia intimidado!”

Wallace é autor de alguns livros religiosos e reflexivos. Em um deles, explica como Lee, e sua coluna Stan’s Soapbox, tiveram impacto em sua vida: “Eu realmente acredito que me interessei em escrever por causa de Stan Lee. Para o meu próximo livro – a ser lançado na primavera – vou dedicar um capítulo à minha experiência de quase ter um sonho realizado: o de trabalhar com Stan escrevendo quadrinhos, na época da Stan Lee Media [...] Diz respeito a uma nova linha de gibis ‘religiosos’ que ele queria produzir para passar lições de moral através dos super-heróis...”, mas por motivos não explicados, Wallace comentou que o projeto acabou engavetado, concluindo que “[...] sempre me impressionei com a capacidade criativa de Stan, e de sua visão otimista da vida; e apesar de ninguém ser perfeito, acho que ele tem feito um bocado de coisas boas durante todos esses anos.”

Foi graças a Wallace – que costumo chamar apenas de “Peter” –, que consegui “chegar” até Stan Lee e entrevista-lo pra Wizmania e para o meu livro A Era de Bronze dos Super-Heróis; e, de poder manter, desde então, um contato cordial com o meu roteirista favorito de todos os tempos. Essas experiências são realmente motivadoras e divertidas, e tem gente que teve o privilégio de conversar cara a cara com Smilin’ Stan naquelas convenções monstros "Made in USA" como o meu chapa palestrino e excelente tradutor Paulo Agria (cadê a foto, intrepid one?).

Há também os casos de Fábio Yabu, que foi recebido por Lee em seu escritório e ganhou elogios por seus trabalhos; além de, ninguém menos, que o nosso “Disney tropicalista” Mauricio de Sousa. Isso mesmo! Ao perguntar para ele, a respeito de que, cargas d’água os dois lendários quadrinistas conversaram durante o 1º Congresso Internacional de Quadrinhos (Nova York, 1972), o criador de Mônica e Cebolinha respondeu: “Roberto, isso é que é querer puxar pela memória de alguém, hein? [...] Infelizmente, não tenho lembrança de como foi o papo com Stan Lee, exceto de que foi aquela (coisa) de fã. Afinal, ele era um dos meus ídolos de então. Salvo engano, na ocasião, ele comentou do lançamento do Homem de Ferro (?)... mas não tenho certeza. Quem deve lembrar melhor é o Álvaro de Moya, que estava presente e foi o meu intérprete (meu inglês era e continua a ser sofrível). Na próxima, eu levo um ‘diarinho’!”, já encontrei o Moya depois desse papo, mas esqueci de perguntar. Se alguém o fizer, não esqueça de postar a informação por aqui, OK?

Todos esses exemplos e mais tantos que ouço e leio por aí, me fazem crer que, de alguma maneira, e de algum modo, todo mundo que teve a oportunidade de acompanhar as histórias dos heróis Marvel escritas por Stan Lee a partir da década de 1960, sofreu algum tipo de influência benéfica em sua formação – e não me refiro aqui, apenas aos profissionais da área editorial. Seja você um médico, um advogado ou funcionário de repartição pública, tenho a plena convicção de que concordará comigo que os fascinantes heróis que Lee criou, co-criou ou mesmo recriou durante a encantadora Era Marvel dos Quadrinhos, com seus roteiros épicos e dramáticos, continuam a povoar o imaginário popular mundial. Lee sabia o que estava fazendo. Conforme o próprio me disse a respeito de suas histórias: “[Eu] esperava conscientizar as pessoas para que tentássemos ser bons uns com os outros.”

Tá falado, Stan!

© Copyright Roberto Guedes

Amigo, se você é fã de Stan Lee, responda a enquete (localizada na lateral desta página) “Qual foi o melhor parceiro de Stan Lee”, e depois envie sua mensagem comentando o texto acima e, se quiser, o voto também.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A triste parábola do Blues

“Acercando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por meio de parábolas? Respondeu-lhes Jesus: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado.” [Mateus 13: 10-11]

Afinal de contas, a História em Quadrinho reflete o mundo à nossa volta, ou é somente o resultado legítimo de uma mente criativa e alienada? Nela, tudo é fugaz e despretensioso, ou há mais por trás do nanquim impresso do que possa supor nossa vã sabedoria? Seria o caso do simples acaso, ou não há nada de paranóico em constatar que realmente um grupo de pessoas exerce a manipulação de massa por meio dos – não mais – inocentes gibis?

Antes que você comece a pensar que este primeiro parágrafo foi retirado do livro de Fredric Whertam Sedução do Inocente (para muitos, o libelo por excelência do caçador de pêlo em ovo), é preciso deixar claro que estas linhas foram redigidas por um apaixonado quadrinista, editor e pesquisador da dita Arte Seqüencial, OK?

Essa conversa de mensagem subliminar existe, só que ultimamente as coisas andam bem escancaradas. E não há nada mais convincente do que falar abertamente – às claras. Quando você vê em alguma telenovela qualquer, um casal de jovens transando na casa dos próprios pais, não se iluda. Não é ficção. O que eles estão dizendo é que isso é certo e seguro. Que a sua casa pode, e deve, se transformar num motel fuleiro para o seu filho saciar seus prazeres carnais. Que você tape os ouvidos, ora bolas!

E, por exemplo, quando o Governo Federal promove uma campanha para o uso de camisinha durante o Carnaval, pode-se muito bem entender isso da seguinte maneira: “Beleza, continuarei a ser promíscuo e depravado, contanto que não esculhambe com o controle da natalidade e não seja infectado pela AIDS!” – desconsiderando por completo os aspectos morais, sociais e psicológicos decorrentes de um ato impensado, instigado pelos baixos instintos. Por favor, não pense que sou algum tipo de santo religioso querendo pregar alguma doutrina ou qualquer coisa que o valha. Bem longe disso. Tenho lá minha cota de defeitos como todo mundo, e adoro aquelas antigas marchinhas carnavalescas.

Por essas e outras, não há nada escondido nas entrelinhas, seja em qual tipo de mídia for, ainda mais em tempos de internet – que é, ao mesmo tempo, um meio de comunicação visual, auditivo e literário – , quando as informações são disponibilizadas para quem quiser, numa velocidade tão grande que, às vezes, o sujeito acaba é mesmo por ficar desinformado. Como diria Goethe: “O que é mais difícil que tudo? O que parece mais simples: ver com os nossos próprios olhos o que está na frente deles.”

O fato é que vivemos tempos difíceis, intrepid one. Tudo parece arquitetado de tal maneira para convergir – mais adiante, logo mais –, para algo maior, e bem terrível. E a novidade desagradável é que isso pode ser visto também em nossas queridíssimas HQs. A essa altura você deve achar que “pirei por causa de Mary” após editar e traduzir 100 Balas durante anos; mas nada a ver, embora Brian Azzarello não seja nenhum tolo ao dizer que os fundadores da América “[...] não eram diferentes de você... eles eram ladrões!” (“Barganha” em Blues para um minute man. Opera Graphica, verão de 2006).

Se isso não te impressiona, parafraseio aqui George Washington: “O governo dos Estados Unidos não está em nenhum sentido fundado sobre a religião cristã. O governo não é razão nem eloqüência, é força!”

Tsc... sabe, o Blues é uma música triste e poderosa. Originou-se das canções religiosas conhecidas como Spirutals, interpretadas ao balanço da dança e do bater ritmado de palmas dos negros libertos americanos, que precisavam desafogar suas mágoas e desanuviar a mente das longas horas de labuta. Já “blue” (sem o “s”) é azul, a cor do uniforme do Capitão América, símbolo pátrio da nação mais poderosa do planeta Terra, morto covardemente pela própria namorada. Coitada, Sharon foi hipnotizada por um velho nazista, inimigo do herói. Mas isso não importa, já que o lindo Sonho Americano desceu pelo ralo, ou melhor, escorreu em sangue escarlate pelas escadarias do Tribunal de Justiça junto com o último suspiro de Steve Rogers.

Que injustiça! Que tristeza! Isso daria um tremendo Blues!
Mataram o Capitão, e em seu lugar colocaram um ex-agente da extinta União Soviética. Orra... isso, com certeza, deve significar alguma coisa, embora a minha ignorância não consiga vislumbrar exatamente o quê. Estaríamos presenciando a instauração de uma espécie de sistema político fascista na América, e de tabela, mundial?

Teriam “hipnotizado” o cidadão para que este atirasse no próprio pé? Ou melhor, no sonho de liberdade? A crise econômica que se abateu sobre o mundo todo diz mais do que você pretende ignorar. Vivemos hoje num mundo bem pequeno, que ao clicar do mouse, ou do digitar de um celular, conseguimos cobrir distâncias incríveis. Achamos e somos achados. É um mundo louco, cujas regras são ditadas por um punhado de gente que ninguém sabe exatamente quem é.

De uns anos pra cá, a quantidade de “câmeras de segurança” em praças e vias públicas brasileiras cresceu absurdamente. Vivemos em um gigantesco Big Brother. Até nota fiscal com CPF foi inventada: “Ô meu, nós já sabemos o que você tem na conta bancária, agora queremos saber o que você tem nos bolsos!” – e nos Comics, Capitão América se ferrou por não aceitar o registro de superseres. O pior é que muitos leitores aprovaram as atitudes do Homem de Ferro – o representante da gestão censora governamental. Quando citei Benjamin Franklin no editorial de Os Novos Vingadores 45 (outubro de 2007), houve quem retrucasse também. É que a verdade dói, né? – fala aí Frankie: “Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança.”

Mas que nada!... agora o mundo tem Barack Obama, e o melhor de tudo: ele curte Quadrinhos! Assim como todos nós, ele é fã incondicional do Homem-Aranha e do Conan – se bem que o aracnídeo já fez pacto com o capeta, e o Conan... bem, o Conan vocês sabem...

Só fico um pouco ressabiado quando escuto que o adversário derrotado John McCain se reuniu com o presidente eleito para discutir uma tal de “Nova Era” de reformas econômicas e de segurança. “É só política”, dirá um cuca fresca, mas não deixo de me arrepiar ao ouvir essa expressão. Lembra-me das palavras de outro presidente, o idolatrado (não por mim) Franklin Delano Roosevelt: “Em política, nada acontece por acaso. Se acontece algo, pode apostar que estava planejado desse modo.” - e ao lembrar que Obama fez uma das campanhas mais caras da história política de seu país, com direito a uma propaganda de 30 minutos transmitida simultaneamente por sete emissoras de televisão, fico cismado se a prioridade do homem será mesmo com a cor da pele da minoria, ou com a minoria que detém a cor do dinheiro.

Parece que entramos definitivamente na era da globalização, em uma “Nova Ordem Mundial”. Em um mundo que, infelizmente, também está nos gibis.

© Copyright Roberto Guedes

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Quando Gwen se foi...

Dezembro de 1972.

Fazia um frio terrível naquele final de tarde de sexta-feira. As ruas da Grande Maçã estavam todas enfeitadas para as festividades natalinas e as pessoas se apressavam para comprar os presentes de última hora. Mas nada disso parecia importunar um certo espectador, que por trás do vidro embaçado de uma janela, fitava o movimento abaixo, porém, com os pensamentos bem distantes dali.

Com ele na sala estavam mais três homens, discutindo questões de trabalho. O falatório não parecia capturar sua atenção, até que um deles disse em alto e bom som: – Ela é muito caipira! – os outros dois riram
comedidamente, e o distraído, enfim, se manifestou.
– De quem Gerry está falando, John?
– Da Gwen! Ela é muito certinha, Stan. Um peso morto nas histórias do Aranha! Não serve pra nada... só fica choramingando pelos cantos!

Stan, surpreso, arregalou os olhos, enquanto Gerry, o mais jovem ali presente se levantou, e, titubeante, entrou na conversa. – Bem, eu estou há pouco tempo escrevendo esse título e... e talvez não escreva tão bem quanto Stan e Roy – apontando para o outro moço de franjas e óculos enormes sentado no lado mais extremo da sala – mas acho que posso incrementar o lance entre Peter e Mary Jane...

– Mary Jane? Mas ela é a “vilã” do triângulo amoroso – indagou Stan, praticamente indignado. Gerry ficou pálido e pensou: – Aiaiaiaiai... será que abusei da confiança? Só falta eles me tirarem da Amazing e botarem pra escrever Millie the Model... – naquele mesmo segundo, Roy saiu de seu cantinho e acalmou o rapaz.
– Calma, Gerry. Ninguém está criticando suas idéias, tampouco seu estilo de escrever. Na verdade, John nunca gostou da Gwen, e há tempos pensa em despacha-la pro “limbo”!
Dessa vez, todos os presentes soltaram estridentes gargalhadas.
– É verdade! Jazzy Johnny sempre preferiu a Mary Jane... só porque ele é o criador visual da ruiva, não é mesmo, chapa? – completou Stan, abraçando discretamente seu amigo John.
Este, meio envergonhado, respirou fundo e, com um sorriso malicioso nos lábios, retrucou – OK, mas você nunca se conformou com isso, e sempre me pediu para desenhar Gwen mais sexy, usando minissaia... tudo, com a intenção clara de transforma-la num clone platinado da ruiva.

– Clone? Sabe, isso me dá uma idéia...
– Agora, não, Gerry. Precisamos decidir de vez o destino da Gwen! – cortou Roy.
– “Destino”? Como assim, Roy?
– Stan, é o seguinte: o Aranha é o nosso principal personagem. Seu título é o que mais vende. Isso acontece, porque os leitores se identificam com um sujeito altruísta que só quer fazer o bem, mas cuja vida particular insiste sempre em “jogar contra”.
– Grande novidade... eu que inventei isso!...
– Pois é... e você não acha que um namoro estabilizado feito o de Peter e Gwen, não vai contra essa premissa básica do herói azarado e solitário?

Stan coçou a cabeça, insinuando que a linha de raciocínio do colega o pegara de surpresa. Deu uma volta, sentou em sua confortável cadeira de big boss, colocou os pés sobre a mesa e disparou: – E vocês acham que trocando Gwen por Mary Jane, a vida do herói ficará mais “agitada”? Ou que as aventuras ficarão mais emocionantes? Vejam bem... os leitores amam Gwen. Vocês querem fuçar num vespeiro! Não precisamos casa-los... vamos enrolar o quanto for possível. Assim como os caras da distinta concorrente fazem com Superman e Lois Lane há décadas. – Um silêncio sepulcral tomou o ambiente. Roy, John e Gerry se entreolhavam ansiosos, esperando que alguém rebatesse aqueles argumentos aparentemente imbatíveis.

Súbito, uma leve batida na porta (que estava entreaberta). Era a secretária.
– Sr. Lee, o diretor daquela universidade quer saber se o senhor confirma a palestra de hoje à noite?
– Claro que sim, querida. Diga: você achou aquela pasta que pretendo levar ao pessoal da Cadence a semana que vem?
– Está com Mary. Vou lá buscar para o senhor.
– Não precisa. Tenho mesmo de trocar uma palavrinha com ela. Com licença, cavalheiros. Já volto.

John, bonachão como sempre, sacudiu os ombros e disse – Nem sei porque fui dar palpites... afinal, você é o editor aqui – olhando para Roy. Em seguida, virando-se para Gerry – ...e você, o roteirista!
– Imagina, John! Você é o diretor de arte da Marvel! Além disso, sabemos de sua ligação com o título! Foi você quem o transformou num sucesso!
Com as bochechas ruborizadas, John olhou pela fresta da porta para certificar-se que a barra estava limpa, e sussurrou – Shh... não deixem Stan ouvir isso. – mais uma vez, risadas estrepitosas tomaram o local.

Do fundo do corredor, ouviu-se a voz alta de Stan – Hey, rapazes! Qual é a piada?
Aproveitando o momento de descontração, Gerry tomou fôlego e respondeu com outra indagação – Stan, podemos seguir em frente com a nova proposta?
Stan demorou um pouco para responder. Dava para ouvir suas gargalhadas e das outras pessoas da redação. Provavelmente riam de alguma piada de Mary ou das caretas de Gary.
– Hã? Ah, claro que sim, garoto. Vão em frente... – e voltando-se de novo para os outros, Stan continuou – ...sabem, a Marvel sempre esteve na vanguarda do mercado! Novidade e ousadia são com a gente mesmo. Não é à toa que somos a Casa das Idéias, hein? Já contei como Jack e eu bolamos o Quarteto?...

Na sala dos fundos, John, Gerry e Roy conferenciavam animadamente sobre a história que seria publicada na edição 121 do Homem-Aranha... enquanto o som da voz de Stan parecia cada vez mais distante.

Parte deste texto – publicado originalmente em Quartel-General 2ª série 1 (agosto/2000) – foi revisado, ampliado e atualizado pelo próprio autor.

Os acontecimentos, a ambientação e os diálogos acima narrados são fictícios, e, com certeza, nada ocorreu dessa maneira. Porém, foram levados em conta vários depoimentos e entrevistas com as partes envolvidas.

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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Você conhece a “outra” série Cinco por Infinitus?


Em 1971, a EBAL (Editora Brasil-América Ltda) lançou no Brasil a série de ficção científica Cinco por Infinitus, do premiado autor espanhol Esteban Maroto. Para comportar os belos e arrojados desenhos, a editora carioca dividiu as histórias em 19 volumes enormes com páginas em tons de azul.
Desnecessário dizer que esses exemplares – e mesmo a edição encadernada – tornaram-se itens de coleção caríssimos, e difíceis de serem encontrados em sebos. Mas a procura vale a pena, e com certeza você irá se encantar. Acha que estou a exagerar? Então pergunte a Neal Adams.
Neal Adams?

Isso mesmo. Foi ainda nos anos 1960 que o co-criador do mutante Destrutor (o herói com o visual mais acachapante da Era de Prata) entrou em contato com a obra de Maroto, em uma livraria de usados na vizinhança do Harlem, em Nova York. Adams ficou maravilhado com esses “Legionarios del Espacio” assim definidos em algumas edições, e, em outras, que achou posteriormente, como “Cinco por Infinito”. O nome não importava, pois Adams “rapou” todas!

“[...] minha esperança era ver esse material em inglês, e apesar do meu espanhol ser ruim, tinha a impressão de que eram boas histórias. O chato é que não parecia que uma editora americana iria republicar Legionarios del Espacio por aqui. Por isso que colecionei a série, pensando na possibilidade de, um dia, eu mesmo a lançar em inglês”.

Demorou quase duas décadas, mas, enfim, Adams matou sua vontade, lançando Cinco por Infinitus nos Estados Unidos em novembro de 1984, pela sua própria editora, a Continuity Comics (ou, oficialmente Continuity Publishing inc). E é aí que entra o inusitado da coisa.

Em primeiro lugar, Adams editou apenas cinco edições coloridas e em formato comic book. Em segundo, adicionou desenhos e textos novos à trama de Maroto, além de capas inéditas. Não que alguém reclame de ver arte inédita de um talento feito Adams, mas diga lá: qual a função prática de se fazer isso? Talvez atrair a atenção do leitor americano mediano, não acostumado com o traçado psicodélico do consagrado autor espanhol? Ora, Maroto já era bem conhecido dos fãs dos magazines da Warren Publishing (Creepy, Eerie, Vampirella), não é mesmo? Pra piorar, a periodicidade da série pela Continuity era pra lá de irregular, com a segunda edição saindo em 1985, a terceira em 1988, e as duas últimas apenas em 1989. Ou seja: apenas cinco números num espaço de cinco longos anos. Há fanzines com freqüências bem mais regulares.

Esse era um problema que afligia várias outras publicações de Adams, e, com certeza contribuiu para que a editora nunca, de fato, deslanchasse no mercado americano de quadrinhos. Mas a maior curiosidade de todas deixei mesmo para o final. É que Adams achava que o título original em espanhol não teria impacto algum ao ser traduzido para a língua inglesa, e decidiu batizar a revista como “The Zero Patrol” (“A Patrulha Zero”).

Quer saber por que ele fez isso? Pois não. Em 1957, ainda em sua adolescência, Adams produziu uma HQ, onde imortalizou a si mesmo e a dois colegas (a saber, Victor Malagamba e Jerry Piniella) como os jovens Niles, Vic e Jerry, recrutados por seres alienígenas (anões verdes) às fileiras da Patrulha Zero, recebendo armas e uniformes especiais – e não há como negar uma certa semelhança com a premissa do Lanterna Verde Hal Jordan e os Guardiões do Universo, de John Broome e Gil Kane, que surgiria dois anos depois pela DC Comics.

“Eu estava fazendo uma coisa que ninguém realmente fazia em lugar nenhum: criar novos super-heróis. E não havia nenhuma influência forte então.” – comentou Adams, que, contudo, admitiu que se inspirou um pouco nas aventuras sci fi da DC daquele período, ao conceber sua trama: “[...] apesar de, em certo nível eu ser influenciado por (ou pela arte de) Gil Kane e Dan Barry, minha maior influência na história veio mesmo de Julie Schwartz.” – como sabe, o lendário editor que idealizou o renascimento do gênero super-herói a partir de 1956. E foi assim que Cinco por Infinitus virou The Zero Patrol nos States. Ele reutilizou o nome de uma HQ que desenhou quando era adolescente.

Neal Adams “aprontou” de novo! Por essas e outras, alguns o chamam de polêmico e egocêntrico. Porém, todos reconhecem que se trata de um talento nato. Isso é comprovado pela imagem que ilustra este artigo, feita nos anos 1950 quando ainda era amador, e longe de assumir o estilo fotográfico que o tornaria famoso. Um artista genial, que entrou, definitivamente, para os anais das Histórias em Quadrinhos.

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domingo, 16 de novembro de 2008

Sayonara, Samurai Mágico!

No momento em que esta é redigida, todo mundo já deve saber que às 10:40h do sábado, 15 de novembro de 2008, o quadrinista e editor Cláudio Seto faleceu, após sofrer um derrame decorrente de complicações com pressão alta e diabetes.

Sua carreira começou há mais de quatro décadas. Talentoso como poucos, logo que o lendário Minami Keizi da Editora Edrel bateu os olhos em suas pranchas, o escalou para a “Equipe A” de suas produções – dedicada às revistas em “estilo mangá” (o quadrinho japonês).

Assim como Minami, Seto foi um dos primeiros artistas a fazer mangá fora do Japão, e, talvez, no mundo (puxando rápido pela memória, lembro apenas de Sanho Kim, que era coreano e produzia para o mercado americano), ainda nos anos 1960, desenhando as histórias de seu personagem Ninja, O Samurai Mágico.

De acordo com meu amigo, o jornalista e pesquisador Gonçalo Junior: "A maior mágoa que Seto tinha era o de ser acusado de ter copiado Lobo Solitário na revista Histórias de Samurais. Ele sempre negou isso por um motivo óbvio: suas histórias começaram a sair em 1968, dois anos antes da famosa série japonesa estrear em seu país de origem."

Seto é reverenciado ainda mais em uma segunda fase de sua carreira, como um dos principais responsáveis pelo sucesso daquela que ficaria conhecida como a “Era Grafipar” – a ousada editora de Curitiba, que lançou e/ou ajudou a projetar vários nomes da HQB (História em Quadrinhos Brasileira), como Seabra, Watson Portela, Mozart Couto entre outros, sob a chancela “Bico de Pena”, em publicações que iam do erótico ao western, passando pelo gênero aventura.

Franco de Rosa, que viveu todo aquele período com intensidade, num esfuziante depoimento que acabei por registrar em A Saga dos Super-Heróis Brasileiros (Opera Graphica, 2005), disse que a revista Especial de Quadrinhos “[...] traduziu todo o espírito da produção Bico de Pena dirigida por Cláudio Seto. Apresentou várias obras de grande importância cultural e alto teor artístico!”

Seto é também a figura central de A Guerra dos Gibis 2 – ainda inédita, e que levou 20 anos para Gonçalo escrever. Além do amigo perdido, o autor lamenta o fato de Seto morrer antes ver a obra lançada: “Convivi com Seto ao longo de 18 anos. Em 1992, passei uma semana em Curitiba e o aluguei o tempo todo. Voltei com 27 horas de entrevistas [...] Retomamos o contato mais assiduamente no final de 2006, quando comecei a revisar o livro. Desde então, trocávamos e-mails constantemente. A única coisa que tenho a dizer sobre ele é que é o maior, o mais completo, o mais talentoso, o mais inovador e o mais revolucionário artista brasileiro de quadrinhos de todos os tempos. Não é um exagero motivado pela emoção. Repito isso sempre. Que me perdoem os outros.”

Fica aqui registrada homenagem à memória de Cláudio Seto.

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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O dia em que Batman encarou o Poderoso Thor

Todo mundo sabe que o Poderoso Thor é um sujeito meio esquentado e briguento. Que já saiu na porrada com quase tudo quanto é fulano: Galactus, Hulk, Surfista Prateado... e até mesmo com Superman. Pra ele, não tem conversa: se alguém olhar torto, vai levar bordoada... (ops!) martelada.

Entretanto, todos seus antagonistas costumam ser pesos pesados, afinal, o representante viking do lado de lá da ponte do arco-íris não é um sujeito covarde, tampouco mau caráter. No máximo, um pouco rebelde – resultado de uma juventude complicada, devido a um pai possessivo que regulava até com quem o rapagão poderia ou não namorar. Bah... não é à toa que o mancebo se mandou de Asgard e deixou a cabeleira passar dos ombros...

Porém, houve um dia em que o lendário Thor teve de enfrentar um cara bem menos poderoso do que ele. Aliás, dois “carinhas”: Batman e Robin. Isso mesmo! O imbróglio aconteceu há muito tempo, precisamente nas páginas da revista Batman 127 (outubro de 1959), ou na versão brasileira da EBAL Batman 1ª série 96 (fevereiro de 1961). “Mas como...” – você já deve estar indagando, “...se Stan Lee e Jack Kirby só criaram o deus do trovão em 1962?”. Simples, intrepid one, Thor, antes de tudo, é um deus da mitologia nórdica, portanto, qualquer um pode escrever sobre ele. O que vai determina-lo como marca registrada de alguém ou de alguma editora são as particularidades acrescidas à sua base mitológica, que o transformarão em um personagem distinto. Mas isso não vem ao caso agora, pois o mote destas linhas é o encontro do Cruzado Embuçado com um outro Filho de Odin com background bem parecido com o do super-herói da Marvel Comics.

Provavelmente, você já leu em algum lugar que na década de 1950, os quadrinhos sofreram perseguição por parte de educadores, psiquiatras e até mesmo da igreja, sob a alegação de que promoviam a delinqüência entre as crianças e os jovens. Criaram então, um código censor para controlar a violência e sensualidade das HQs, o Comics Code (Código de Ética, aqui no Brasil). Nessa verdadeira “caça às bruxas”, muitos personagens e revistas e sumiram da noite pro dia, e quem permaneceu, teve o enredo de suas histórias bem “suavizados”.

Com Batman não foi diferente. A partir da edição 113 da publicação homônima e de Detective Comics 250, os gangsteres armados de Gotham City deram lugar a criaturas do espaço e criminosos interplanetários. E a deuses mitológicos.

A história de oito páginas “The hammer of Thor” ("O martelo de Thor") é a terceira da revista, e também a de destaque na capa (desenhada por Curt Swan e Stan Key). Na ocasião não era costume creditar os autores, mas pelo estilo do traço, concluí-se que os desenhos são de Sheldon Moldoff, um dos principais nomes do estúdio de Bob Kane na ocasião. Provavelmente, o script ficou a cargo de Bill Finger, mas isso é apenas um palpite...

A trama se inicia com o anúncio de uma tempestade sobre a cidade. A dupla dinâmica se depara com uma visão estranha: um gigante ruivo que se auto-intitula “Thor, o deus do trovão”, e que consegue destroçar o cofre de aço de um banco usando um martelo mágico. Sim, pois, ao ser arremessado, o apetrecho volta sozinho às mãos de seu dono. Obviamente os dois paladinos tentam conter Thor, apenas para serem repelidos facilmente como se fossem mosquitos.

Quadrinho vai, quadrinho vem, e Batman descobre, meio que por acaso, que Thor e o franzino Henry Meke – o curador de um museu de réplicas de armas históricas e lendárias –, são a mesma pessoa. Meke (que podemos entender como um trocadilho para “meek”, “manso” em português), viu um meteorito atravessar a janela do museu e acertar em cheio a réplica do martelo de Thor. Ao tocar no utensílio, as energias cósmicas contidas no objeto o transformaram física e mentalmente em outra pessoa. Com a mente abalada, acreditou ser o personagem da mitologia e passou a acumular tesouros, para erigir um templo de adoração ao "seu pai" Odin.

As transformações ocorriam sempre que trovões prenunciavam um temporal. A psique turbada de Meke entendia aquilo como a “voz de Odin”, e aí, o caos se instaurava. Quando Batman se desviou de uma martelada, que acabou atingindo a caixa de força do edifício, o martelo perdeu seu poder, e Meke voltou ao normal.

Essa aventura jamais ganharia o prêmio Eisner dos Quadrinhos, mas continua a ser, com certeza, deveras interessante por causa de todos esses pequenos detalhes transcritos aqui.

O meteorito atingir um objeto dentro de um prédio lembra a origem de Flash (Barry Allen), enquanto que o fato de um homem fraco se tornar um bólido de poder remete ao Capitão “Shazam” Marvel. Mas apesar desse Thor ser um guerreiro orgulhoso, e de sua arma sempre retornar às suas mãos após ser arremessada, assim como é descrito nas lendas nórdicas e germânicas, não há como evitar comparação com a criação de Lee e Kirby, cuja estréia ocorreu apenas em agosto de 1962, nas páginas de Journey into Mystery 83, não é mesmo?

Ah, uma última coincidência: durante a história, Batman diz a Meke que o tal meteorito fez uma longa “jornada” até chegar a Terra.

© Copyright Roberto Guedes

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

"Se liga" na KLIK!

Há algum tempo correu a notícia a respeito das novas mudanças na linha editorial da MAD nacional, e confesso que não fiquei nada surpreso. Digo isso, não com alguma autoridade ou pré-conhecimento dos fatos – mesmo porque não possuo nem um e nem outro a respeito do referido assunto –, mas simplesmente devido a uma constatação cada vez mais gritante de que tudo passa. A uva passa, o ferro passa, e os editores também passam.

Como não comprei nenhuma das novas edições da revista, não posso, sequer, palpitar a respeito. Resta-me torcer para que o novo comandante do magazine faça bonito, assim como o seu antecessor o fez por tanto tempo também.

OK, eles são profissionais com estilos diferentes, eu sei, mas também vivemos tempos diferentes. E pelo timaço que convocaram pra nova fase da publicação (Bira, Baraldi, Marcatti, Xalberto...) com certeza, valerá a pena conferir.

Analisando a “escalação” dos artistas, a coisa parece pender mais para uma linha de humor alternativa que para a comédia de costumes estabelecida na MAD ainda nos anos 1950 por Harvey Kurtzman. Todavia, Kurtzman foi considerado o “Guru” dos comix* americanos após “liberar bênçãos” a tipos como Trina Robbins e Rick Griffin durante uma convenção de artes em 1969.

Ah, quer saber?... depois de beber nas fontes de Dave Berg, Aragonés e Robert Crumb durante um certo período da minha vida, e de estrear profissionalmente escrevendo para revistas como Porrada (de Gilberto Firmino), e Udigrudi de Tony Fernandes e Vanderfel... quem é que eu penso que sou para palpitar? Esse pessoal é batuta e engraçado à beça. Aliás, não serei o primeiro a afirmar que o humor é o forte dos cartunistas e quadrinistas brasileiros. Isso já vem de longa data.

Ainda lembro de quando meu querido irmão William chegou em casa com o primeiro número da MAD, em meados dos anos 1970, lançamento da Editora Vecchi. Ele não era um colecionador de quadrinhos propriamente dito, mas curtia essas novidades, e ficava com seus amigos roqueiros na sala ouvindo Foghat e rindo das tiradas de Don Martin e cia. Logo depois, veio a Crazy, da concorrente Marvel Comics, lançada originalmente por aqui pela Bloch Editores. E pra não ficar por baixo, quem comprou a primeira Pancada foi o “pirralho” aqui. Esta, era mais uma concorrente satírica, versão brasuca via Editora Abril da Cracked americana. Nesse balaio todo, a tradicionalíssima EBAL, do pioneiro Adolfo Aizen lançou a KLIK, somente com autores nacionais.

Pra não dar bandeira, a capa de KLIK nº 1 estampava a chamada “Edição nacional de Plop!”; mas bastava uma rápida olhadela pra sacar que o magazine tinha mais a ver com a MAD do que com a revista de humor da DC Comics (também publicada pela EBAL) que trazia trabalhos de Aragonés, Basil Wolverton, Nick Cardy, Frank Robbins etc., numa linha editorial mais próxima das revistas européias.

Embora todas se constituíssem em diversão garantida, eu nunca fui de colecionar esses periódicos humorísticos. Mesmo porque, o minguado dinheirinho não permitia (e, afinal de contas, como é que eu viveria sem um gibi do Aranha por mês, não é mesmo?). Assim, fiquei um bom tempo sem saber qual teria sido o fim da KLIK, até que há alguns anos, comprei uma cópia usada, porém impecável da primeira edição. Provavelmente, o nº 1 original que ficava lá na sala, foi parar na casa de algum colega de meu irmão. Mais adiante, consegui outros números, e, em conversa com os amigos e colecionadores Paulo Ricardo Abade Montenegro (do fórum Gibihouse) e Gérson "RB" Fasano, soube que a revista foi cancelada no nº 12 (janeiro de 1980).

Por sinal, Fasano me presenteou com esta histórica edição. Ao ler a seção de cartas, fica patente que a cobrança e desconfiança dos leitores para com a nova equipe criativa que assumira a empreitada após as saídas de Carlos Chagas e Cláudio Almeida era bem grande. Acho até que dá para se criar um paralelo com o que ocorre atualmente com a MAD. Em todo caso, e, pelo menos, nesta última edição da EBAL, os leitores não teriam do que reclamar do material apresentado.

A equipe formada por Franco de Rosa, Jal, Roberto Kussumoto, Ataíde Braz entre outros, esbanjou criatividade, dividindo a revista no sistema flipbook cover. Ou seja, era ler a revista até a metade, virar ao contrário e continuar lendo como se fosse outra revista – igual ao formatinho Invictus, também da EBAL, que apresentava HQs e capas distintas de Flash e Lanterna Verde. Do lado “oficial”, Franco e sua turma tiraram um sarro de Fafá de Belém (“Fofá de Belém”), muito popular então, transformando-a em Mona Lisa – só que em vez do sorriso enigmático, valorizaram outros atributos físicos da cantora.

Vocês sabem...

No verso da revista, com outra capa, inclusive, a sátira foi pra cima de Kripta, a revista de terror mais popular do Brasil, publicada pela RGE entre 1976-1981. Franco esculhambou com o Conde Drácula, e o fez fugir do escudo do Corinthians como o vampiro original fugiria da cruz. Se o dentuço da Transilvânia é palmeirense eu não sei, mas o meu querido amigo Franco é.

A chamada evocava o filme de Zé do Caixão Esta noite encarnarei no teu cadáver. O logo da RGE virou “UGH”, e o subtítulo clássico “Terror, Suspense, Ficção Científica”, passou a ser “Humor, Sátira, Fricção Científica, Panaquice”. Pra encerrar, um enigmático “nº 13” se destacava abaixo do rostinho simpático de Primo Eerie – só para confundir os colecionadores. Afinal, saíram 12 ou 13 edições da KLIK?

Só o Franco sabe...

A gozação continuava lá dentro (opa!), a começar pelo layout do índice, e da disposição do expediente. Warren Publishing, a detentora dos quadrinhos da Kripta virou “War & Dead Publishing”; os números atrasados você conseguiria pelo “Reembolso Mortal”; tudo impresso na “Gráfica Presunto”; e os desenhos – ah, os desenhos! – das histórias foram todos propositalmente decalcados de feras como José Ortiz e Esteban Maroto.
WOW!

Maroto ficaria orgulhoso (ou teria um enfarte) se visse o que fizeram em “Três por Quatrus”, referência direta e mortífera pra cima de “Cinco por Infinitus” – um clássico sci fi do autor espanhol dos mais recomendáveis.

Você pode achar que sou um exagerado, intrepid one, mas creio que essa última edição da KLIK (ou seria “Klikta”?) trata-se de um verdadeiro clássico do quadrinho de humor nacional, valendo a pena figurar nas pilhas de gibis de qualquer colecionador que se preza. Por isso, corra pro sebo mais podreira que tiver perto da sua casa, e tente achar a bendita. Agora, se você caiu na besteira de deixar o seu exemplar dando sopa na sala de estar enquanto o rock rolava, atente às palavras proféticas do último editorial: “...vamos parar de emprestar a KLIK pro quarteirão inteiro aí, pô!”

*Comix com “X” no final, em vez de “CS”, diz respeito às revistas em quadrinhos underground.

© Copyright Roberto Guedes









segunda-feira, 10 de novembro de 2008

John Romita e a Princesa Mexicana

Essa eu tenho certeza de que você vai gostar, intrepid one. Pelo menos, se você for um dos fãs de John Romita, vulgo "Jazzy" Johnny, é evidente.

O desenhista começou sua carreira bem cedo, mas demorou a engrenar. Após ser dispensado da Atlas (nome que a Marvel ostentava em suas capas nos anos 1950) – quando o patrão Martin Goodman descobriu que Stan Lee acumulava em suas gavetas um estoque considerável de páginas inéditas de vários artistas –, Romita “sofreu” oito longos anos na DC Comics delineando histórias melosas de amor para o público infanto-juvenil feminino. Mas esse calvário estava com os dias contados.

Em 1965, os corredores da Marvel transpiravam novos ares. Prova disso é que quando Lee jogou uma pilha de gibis do Homem-Aranha, Thor, Quarteto Fantástico entre outros, no seu colo, e disse “Você não tem idéia do quanto esses heróis são populares!”, Romitão sabia que era pegar ou largar. E pegou – mesmo sabendo que iria ganhar menos do que em uma agência de publicidade que, na ocasião, também estava interessada em seus serviços.

Daqui em diante todo mundo sabe de cor e salteado o aconteceu, certo? Não? Bem, Romita começou como arte-finalista de Don Heck na revista dos Vingadores, logo em seguida desenhou alguma coisa do Hulk e do Capitão América e, enfim, assumiu as rédeas do gibi do herói cego – mas sem um pingo de medo – chamado Demolidor. Nada disso sem antes Jack “The King” Kirby lhe dar uns toques de como montar as cenas de ação no “Estilo Marvel”.
WOW! Que química perfeita!

Do herói escarlate para o gibi de certo Cabeça-de-Teia foi um pulinho, e logo o título Amazing Spider-Man tornou-se o recordista de vendas da editora (e na década seguinte, o líder de mercado). No começo os fãs estranharam (eu, inclusive, do alto da minha sapiência “Clube do Bloquinho”, confesso), afinal Steve Ditko era gênio! Mas à medida que as histórias avançavam, Romita se soltava cada vez mais, imprimindo beleza e graça painel a painel, página a página. E o Aranha jamais foi o mesmo. E nem os fãs.
Romita rules!

Calculo que pouco antes de ASM completar 60 números, Romita já estava co-planejando as edições com Lee – assim como Kirby já o fazia há tempos em Mighty Thor e Fantastic Four. Digo isso, pois foi nessa época que ele começou a esboçar com grafite azul os quadrinhos para Heck (que por sua vez, ficava fulo da vida), evidenciando uma carga maior de trabalho. Na realidade, Stan Lee, que sempre foi "macaco velho" queria aproveitar (no bom sentido, olha lá, linguarudo!) o talento de Romita o mais possível, e assim o desenhista virou uma espécie de “faz-tudo” da redação. Vem daí o apelido jocoso “Peido Velho”, por sempre estar ali em “seu cantinho” a trabalhar. Fosse para retocar desenhos de outros artistas, ou na concepção de uma capa, e ainda quebrando o galho numa HQ do Capitão América...

E quem pagaria o pato numa hora dessas? A família, é claro. Não que o cara reclamasse, afinal até a esposa e o filho ele conseguiu enfiar na editora, transformando o Bullpen*, se não na casa da “Mãe Joana”, ao menos na casa do “Father John”...

Mas justiça seja feita: o clã Romita está ligado ao “universo” do Aranha desde muito antes de Romitinha estrear como desenhista profissional. Naquelas raríssimas viagens em família à praia estilo “farofa”, John Romita era obrigado a ouvir “sugestões” da esposa Virginia e de seus filhotes de como conduzir o relacionamento entre Peter, Gwen e Mary Jane: “Por que você e Stan judiam tanto assim do Petey, hein?” – quem mandou levar serviço pra casa, bonitão?

Numa dessas, o pivete Jr. veio com a idéia de um vilão diferente. O cara era um lavador de janelas e tinha um visual invocado com garras, máscara fechada e capa – algo assim “Spawn”, vamos dizer. Detalhe: Spawn veio bem depois. Inicialmente chamado “Stalker” (“Caçador” ou “Espreitador”), Lee gostou, mas optou pela alcunha “Prowler”, que aqui no Brasil ficou conhecido como “Gatuno”.

Porém, para o próprio artista, sua grande realização nas páginas impressas foi uma história em duas partes, publicada entre as edições 108 e 109 de Amazing Spider-Man, em que teve a oportunidade de – pela primeira vez – bolar sozinho a trama e render homenagem a um de seus maiores ídolos na indústria: Milton Canniff. Romita usou e abusou da série Terry e os Piratas para compor a sua “História do Vietnã” (como ficou conhecida entre os leitores a partir de então), deixando para Lee apenas os diálogos da trama: “Eu tenho de esclarecer algo, já que Stan não fará isso; seus diálogos foram leves e vibrantes, e, mesmo imprimindo velocidade à história, tiveram mais peso do que você possa avaliar!” – lembrou certa vez.

E agora que chegamos nesse ponto, podemos compreender o quanto Lee confiava nas habilidades artísticas e criativas de Romita. Mas talvez o próprio não fosse assim tão seguro. Explico: um dia, o desenhista veio com a idéia de levar o Aranha pra longe de Nova York, seu habitat natural: “Eu elaborei uma trama que se passava numa área rural do México, e que envolvia o folclore indígena.” Romita também pretendia gerar um clima à lá A Máquina do Tempo de H. G. Wells, com criaturas subterrâneas semelhantes aos morlocks. Sua única preocupação era não esquecer de desenhar algumas montanhas, para o caso do herói ter como se balançar com as teias.

A tal princesa mexicana era sedutora e má (reminiscências de Dragon Lady?), e protegida por dois guarda-costas grandalhões. E o Aranha, claro, seria o único a poder salvar o dia, ou melhor, um certo personagem que cairia nas garras da vilã. Infelizmente, devido ao acúmulo de vários outros afazeres, Romita não concluiu a história – tampouco chegou a mostrar as únicas seis páginas desenhadas a Stan Lee.

Ao assumir de vez a função de Diretor de Arte da Marvel, Romita se afastou da produção de histórias mensais. Depois de As Femizonas, projeto que foi abortado após a primeira história, ele só voltaria a desenhar HQs com periodicidade regular a partir de 1977, ao assumir as tiras de jornal diárias do Amigão-da-Vizinhança, em parceria com Lee (só podia). Após cinco anos de pauleira, voltou pra redação e foi ensinar o “Estilo Marvel” pra uma nova geração de desenhistas - até se aposentar. É o que eu sempre digo: a Marvel ganhou o melhor Diretor de Arte do mundo, mas os leitores perderam um desenhista e tanto. Bem, “Homem-Aranha vs. a Princesa Mexicana”, que é como Romita batizou a história, jamais viu a luz do dia. Mas pelo menos aqui, vocês tiveram uma palhinha dela, é ou não é?

* É como Stan Lee se referia à redação da Marvel.
© Copyright Roberto Guedes

sábado, 8 de novembro de 2008

Ele é o Homem-Aranha!

Será realmente necessário contar outra vez a gênese do Homem-Aranha? Estaria o leitor deste blog a tomar conhecimento do aracnídeo mais legal do mundo pela primeira vez aqui?
Claro que não!

Mas uma coisa eu tenho de admitir: não há muitos por aí que já tenham falado tanto a respeito do sobrinho mimadinho da tia May como este autor. E isso já vem de longa data, desde a época dos pré-históricos fanzines, lá atrás, nos anos 1980. Depois, a coisa tomou forma e ficou mais bacana, e não faltaram artigos em revistas e magazines especiais, capítulos inteiros em meus livros, trabalhos de edição em álbuns de luxo, e tradução de histórias clássicas. Até mesmo o bom e velho Stan Lee (o criador do Teioso), eu tive a honra de entrevistar, e, desde então, passei a trocar algumas palavrinhas com “The Man”, quando sua agenda permite.
Excelsior!

Certa feita, inclusive, ele comentou o quanto lamentava a perda de seu grande chapa Jim Mooney, falecido em 30 de março deste ano. Mooney também desenhou as histórias do Homem-Aranha, embora não tenha alcançado o status de outros ilustres colegas de profissão, notadamente Steve Ditko e John Romita. O primeiro, co-criador do personagem ao lado de Lee, e o segundo, aquele que ajudou a impulsionar de vez o herói ao estrelato, com sua arte limpa, linda e inigualável (pouco elogio é besteira, True Believer!).

Mas de volta à minha “campanha de difusão”, lembro que em 1990 produzi uma história curta em que o Aranha encontrava o Batman. WOW! É sério! Essa HQ de míseras três páginas acabou por render comentários favoráveis na imprensa especializada, tanto na Revista HQ quanto na coluna que Franco Rosa (aquele abraço, mestre!) mantinha nas páginas da Folha da Tarde, de Sampa City – embora o jornalista não tenha reconhecido minha assinatura. Mas valeu, afinal de contas, ele classificou meus rabiscos de “desenhos”.

Quer saber? Acho que o Franco deve ser tão fã do Aranha quanto eu. Aliás, creio que todo mundo gosta dele, certo? Hmm... não! Joe Quesada, o atual editor-chefe da Marvel, não gosta do personagem. É só ler as histórias dos últimos anos pra sacar isso...

A verdade é que mexer dessa maneira numa mitologia tão rica em conceitos e personagens diversos traz prejuízos irreparáveis para o super-herói. Desde meados da década passada as editoras americanas de comic books vêm sofrendo com a queda gradativa nas vendas. Os gibis não mais se constituem em suas principais fontes de renda, a salvaguarda delas é então o licenciamento das marcas – principalmente para Hollywood. Dizer que o desinteresse dos leitores se deve à interatividade dos jogos eletrônicos, e à diversidade informativa da internet tem lá sua lógica, mas nem de longe são as causas principais para a decadência.

As mentes pensantes (?) das redações norte-americanas não acreditam mais que boas histórias possam vender. Atacam de supereventos sensacionalistas caça-níqueis, porém efêmeros – como o absurdo pacto que Peter Parker e Mary Jane fizeram com o demônio, contrariando a própria essência do heroísmo – para depois, tudo voltar à estaca zero.
Inclusive as vendas.

Essa turma não tem idéia do tesouro que tem em mãos. Não avaliou corretamente a importância e emblemática do Homem-Aranha. Afinal, se até uma história de três míseras páginas muito mal desenhadas num fanzine artesanal vira notícia... imagine só se decidissem produzir ótimas HQs... como aquelas clássicas de Stan e cia.

Parte deste texto – publicado originalmente em Gibilândia 3 (abril/2002) – foi revisado, ampliado e atualizado pelo próprio autor.
© Copyright Roberto Guedes

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Como vencer os "Pequenos Golias" da vida

Um homem estava à beira de um colapso nervoso. Ele estava encurralado. Humilhado por todos os últimos acontecimentos injustos a que fora obrigado a passar – às perseguições impiedosas e canalhas, às mentiras, às invejas e às juras de morte – que não sabia mais para que lado virar, nem a quem recorrer. Nessa hora, num momento desses, a família pode ser a pá de cal para o soterramento derradeiro. “Amigos", então... ora, é assim que nós os definimos de vez.


Só lhe restava mesmo cair ao solo de joelhos, e orar aos céus, ao Senhor de toda a criação... e ao Leão de Judá, o Verbo Divino - que era, que é, que estava lá no princípio, e que haverá de voltar... para Sua própria honra e glória eterna!

Em meio ao turbilhão de palavras desesperadas, do pranto e do gemido, baixou a luz da provisão, feito um raio fulgurante e escarlate... como um meteoro desenfreado zunindo pela freeway do abismo espacial. E, então... SHEKINAH!

Impávido... destemido... pronto para o que der e vier, o homem renovado, renascido de vez alçou vôo, sempre para o alto e avante. Seu traje era azul feito o infinito, e seu semblante alvo branco. Ele trazia em seu bojo a esperança e a vitória. Sua boca era como uma lança afiada, e manifestava palavras proféticas. Seu braço esquerdo, de mira perfeita, empunhava uma funda, e a sua destra, a Espada do Espírito.

Por onde ele passava, os inimigos do bem caíam com a fronte destroçada, como pequenos e miseráveis Golias – para jamais se erguerem outra vez. E todas as testemunhas admiravam-se de seu poder. Mas a força dele... ah, não dele provinha... já que era uma graça concedida. Concedida àquele que O procura... ao que foi escolhido pelo Pai ainda antes de nascer.

Por isso, sê fiel ao Excelso, e não tema os falsos “iluminados”, os que constroem seus obscenos obeliscos em terreno arenoso. Os que sorvem ganância, arrotam arrogância, e por isso o destino deles já está decretado. Já a tua paga, meu querido e fiel irmão, terá dividendos eternos.

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