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7º Boletim Manifesto

Amigo fiel, após sumir por alguns dias (estava em uma missão secreta para salvar o mundo), cá estou de volta cheio de novidades, idéias, dúvidas e, por que não dizer (?) muitas certezas. A principal delas é que, não importa o quanto seu dia-a-dia seja difícil ou repleto de percalços, ainda assim respirar é uma benção divina, e, a vida – ora bolas –, vale mesmo a pena ser vivida.

E antes que você me classifique de filósofo de segunda linha, ou guru das massas quadrinísticas, eu vou logo ao que interessa – ou como diria meu chapa Gérson “Homem-Mofo” Fasano ao adentrar um sebo repleto de velharias empoeiradas de provocar atchim até em ácaro – “Vamos em frente que atrás vem gente!”.

Pois é, como deu para perceber na última enquete do Manifesto, o empate determinou o resultado final. Para os leitores, os melhores trabalhos de Neal Adams ocorreram nas séries Lanterna Verde e Batman, ambas da DC Comics, deixando para trás obras do quilate de Vingadores e X-Men (da gloriosa Marvel Comics). Embora estas últimas tenham sido co-produzidas por Roy Thomas – para Adams, o melhor roteirista com quem trabalhou na vida –, o fato é que foram as HQs da “Distinta Concorrente”, principalmente as do Cruzado Embuçado, que co-planejou com Denny O’Neil e Frank Robbins, que o projetaram ao topo da preferência do fandom ainda na primeira metade dos seventies.


Mudando de pato pra ganso, ou melhor, de super-herói para super-heroína, neste mês de maio podemos soltar fogos em comemoração ao cinqüentenário da priminha mais poderosa das páginas impressas: Supergirl (ou Supermoça, para os leitores veteranos dos bons e velhos gibis da EBAL).

Isso mesmo! A loirinha estreou em Action Comics 252 em 1959, mas continua uma gatinha, arrebatando os corações dos fãs e arrebentando com a fuça dos malfeitores. Há tempos a editora queria incrementar a “Família Superman”, primeiro com Superboy, a contraparte adolescente do Homem de Aço; depois com Krypto, o Supercão; e, por fim, com os habitantes da cidade engarrafada de Kandor, no intuito de emparelhar com o sucesso da concorrente “Família Shazam” do Capitão Marvel, que alegrava a garotada gibizeira.

Após algumas personagens protótipos, Otto Binder, o idealizador da doce Mary Marvel foi convocado para escrever a história de estréia de Kara (Supergirl), a filha do tio de Kal-El (o nome kryptoniano do Azulão). De lá para cá foram publicadas inúmeras histórias, em várias séries, escritas e desenhadas por grandes nomes dos Quadrinhos mundiais, entre eles Jerry Siegel, Curt Swan, Jim Mooney (que a delineava com lindas pernas), Peter David e até mesmo o brasileiro Ed Benes.

Doravante, Kara foi apontada como um dos elementos que infantilizavam e enfraqueciam o universo de Superman, e chegou a morrer na maxissérie Crise nas Infinitas Terras. Arrependidos do movimento drástico, logo depois, Kara seria resgatada do limbo do ostracismo pelos roteiristas e editores para protagonizar novas aventuras – e até mesmo para fazer parte do badalado seriado televisivo Smallville, encarnada nas telas pela bela atriz Laura Vandervoort (em 1984, Supergirl já havia estrelado um filme fraquinho, interpretada por Helen Slater).

Aqui no Brasil, Supergirl teve revista própria originalmente pela EBAL, a partir de agosto de 1968, em Star Álbum, depois em Bonita e Bonita Especial (em cores). Apareceu em um sem-número de revistas e edições especiais da própria editora carioca, e também pelas editoras Abril e Panini.

Particularmente, uma das minhas histórias preferidas com a Garota de Aço é a intitulada “Superboy encontra Supergirl” de Superboy 80 (abril de 1960), de Binder e Swan, que mostra Kara voltando no tempo para encontrar seu primo ainda rapazote em Smallville, com o intuito de lhe proporcionar um pouco de alegria, já que tivera uma infância e adolescência muito solitária.

No final da trama, Superboy é obrigado a inalar certo perfume alienígena que o faz esquecer o encontro – afinal, por várias razões, ele não poderia saber antecipadamente, que no futuro iria conhecer sua prima. Embora, em nenhum momento role um “clima” mais quente entre os dois superadolescentes, fica evidente a cumplicidade e carinho que um nutre pelo outro, reforçando os laços familiares.

Logo de cara, o garoto diz “Deus do céu! Que garota!”, e mais adiante “Obrigado por me visitar (...) quer dizer... isso significa um bocado pra mim. Eu nunca me senti tão feliz!”. E já perto do final da historinha “Acho que já está na hora de você retornar (...) e-eu jamais vou me esquecer de você, Supergirl!”.

A garota volta para o futuro, deixando um desmemoriado Superboy para trás. Mas quem sabe se com sua supermemória, ele não reteve, ao menos a lembrança do lindo sorriso de sua priminha na despedida? Quem pode garantir que, na solidão de seu quarto, ele não compôs uma bela ode, mais ou menos assim:

“Querida, Se eu fosse Deus, criaria o seu sorriso.
Se eu fosse Leonardo da Vinci, pintaria o seu sorriso.
E se eu fosse Albert Einstein, pesquisaria o seu sorriso.
Mas como sou apenas eu, simplesmente AMO o seu sorriso.”

© Copyright Roberto Guedes

Comentários

Anônimo disse…
Guedes, bom dia!

Bonito. Mas nunca achei interessante essa da super família - até para os Marvels. De qualquer maneira, a morte da kriptoniana mexeu muito comigo. O roteiro de Marv e o desenho do George Perez foi fantástico. Marcou até hoje do grito surdo (e pequenos pontinhos que julgo ser saliva, voando) do Super-Homem segurando-a no braço. Mas forte do que a morte da Jean Grey, que Claremont e Birne, fizeram, talvez o contexto.

Valcir
Izely Guedes disse…
Primo,como não entendo nada de HQs, me atrevo a comentar sobre esse dom maravilhoso que você tem de colocar poesia em tudo o que escreve!
Esse final, sobre o sorriso, particularmente me encantou.
Se todas as mulheres tivessem um Superboy assim romântico em suas vidas,a infelicidade feminina acabaria.
Parabéns!!!
beijos
John disse…
Muito bom. Supermoça é a minha heroina predilecta, junta com a Mary Marvel.
Kiara Guedes disse…
Cheguei aqui e quase ia perguntando "onde vc pegou essa foto minha" mas ai olhei direitinho e percebi que era só muiiiitooo parecida! rsrsrs
Lucas disse…
Minha heroína preferida é a Canário Negro, mas a Supergirl não fica muito atrás. Gostava daquelas histórias desenhadas por Jim mooney e Curt Swan nos velhos e preto e brancos gibis da Ebal.
Anônimo disse…
Texto sensacional, como sempre, Guedão.
Só não entendi uma coisa:
"Homem Mofo"?
Não era "Raposa Balofa"? Ou, simplesmente RG?
Afinal quantas identidades ele tem?

Abraços

Cesar
Anônimo disse…
Boa Guedes. Muito boa lembrança que deverá passar despercebida pela Panini! Por mais que eu prefira Marvel, sempre adorei a Supergirl, na minha opinião a maior gata dos quadrinhos.
Abraço.
Andre Bufrem
Anônimo disse…
relendo...............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................