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Manifesta, exulta e vai!

Nem sempre desistir é algo depreciativo, sinônimo de fracasso ou derrota. Ainda mais, quando, feito um Pelé – ou Stan Lee, se nós quisermos manter o assunto nos Quadrinhos -, escolhermos o momento exato de parar...

E esta é a hora adequada para Meteoro, o Mascarado Voador encerrar expediente no mundo das páginas impressas. Após mais de duas décadas de sua concepção original, de várias mudanças de uniformes, de uma nova identidade secreta, selos independentes, editoras, revistas, desenhistas e histórias diversas, Ricardo “Ric” Marinetti, pendura a malha azul-marinho e branca e volta a empunhar sua guitarra, para, quem sabe (?) compor uma doce balada para sua eterna namorada Laura Lopez.

Meteoro surgiu inicialmente da minha necessidade de contar histórias de um adolescente às voltas com superpoderes e todas as “encrencas” inerentes a um sujeitinho de 17 anos. Para dar mais credibilidade à coisa e fugir um pouco da óbvia influência do Homem-Aranha, localizei suas aventuras no Brasil, especificamente no tradicional bairro paulistano do Ipiranga. Normal, portanto, era ver o herói bradar um “Orra, meu!”, quiçá, um “Diacho” como o do Capitão Marvel, e sobrevoar o Monumento à Independência.

De lá pra cá, Meteoro virou tema de entrevistas, estampou reportagens em jornais e revistas, foi comentado em rádio e televisão, fez bonito e nem ficou prosa.

Superando minhas expectativas, de imediato, o personagem caiu nas graças de um editor, e depois de outro, e mais outro, e assim sucessivamente (e isso, até o presente momento, pode apostar intrepid one). Contudo, por motivos variados, e por uma série de contratempos e obstáculos dignos dos Doze Trabalhos de Hércules, Meteoro era constantemente protelado em seu direito nato de voar pelos céus coloridos dos gibis, e da sua missão maior de levar alegria e diversão aos leitores. E olha que a receptividade do público sempre foi das melhores. Tsc... Um pouco mais a respeito dos “bastidores do Meteoro”, você pode conferir no livro A saga dos super-heróis brasileiros (Opera Graphica, 2005), OK?

Como todo super-herói que se preza, Meteoro não guarda mágoa e nem fala mal de ninguém – pelo contrário, estará sempre disposto a ajudar o próximo, a lutar pelos fracos e oprimidos e, claro, a ouvir uma nova proposta de publicação. Enquanto isso, ele se retira estrategicamente, cedendo espaço para que outros personagens e histórias de seu pai criador apareçam.

Nas linhas abaixo, uma pequena ode a Meteoro, enquanto aqui, um muito obrigado a todos os amigos que fielmente acompanharam suas histórias todos esses anos!

Tá falado!

VAI, METEORO!

Saudosista em sua concepção, moderno em sua redenção, Meteoro veio para realizar teus sonhos mais íntimos: levar-te um passo além, dentro das (i) limitadas dimensões de uma folha de papel.

“Exagero!” – dirá o incrédulo –, mas sê fiel às tuas convicções e presenteia o incauto com um exemplar. Diga-lhe que não é uma simples revista de super-herói, pois Meteoro não é um simples super-herói.

Falai dele!

Dizei que Meteoro é uma força da natureza! Um corpo celeste que singra os céus da metrópole desvairada! Um furor em forma de gente! Um jovem irrequieto com Hard Rock nas veias, brilho nos olhos e dono de um coração em eterna convulsão, à espera de toda e qualquer emoção!

Humano, homem, um cara como outro qualquer, assim como todos nós! Ciente de seu potencial e ignorante de seus limites. Daí, missão cumprida, cerrai os punhos e bradai: Vai, Meteoro! Vai!

© Copyright Roberto Guedes.

Comentários

Anônimo disse…
PÕ Guedes. Que M., hein? essa é a notícia que nunca queríamos ouvir. Pelo seu tom o negócio é definitivo. Isso é o pior... O teu material tem qualidade de sobra pra ter uma revista mensal, pena que a miopia dos editores daqui (ou nossa economia) impeça estes momentos de relaxamento para os fãs de quadrinho nacional. Mas nas entrelinhas senti alguma esperança, pelo menos na internet pode pintar alguma coisa ainda, não? Nem tudo está perdido.
Abraço e meus pêsames.
Andre Bufrem
DanielHDR disse…
Amigo Guedes,

quero crer que o termo "impressa" que usaste no teu texto signifique que veremos o Meteoro agora online...

Se estou enganado, eu lamento :(

Abraços, cara!
John G. Pierce disse…
Amigo Roberto,

It is good to know when to quit. Still, I will miss Meteoro, even though I have read only a few of his
adventures. I am also eager to know what his "pai criador" will bestow upon us next!
Lucas disse…
Em termos de quadrinhos, este país realmente é ridículo. Guedão, por favor não desista! Precisamos de histórias como as do Meteoro, cara!
Soraia disse…
Poxa, nem tive tempo de ler alguma hq do seu personagem. Mas imagino que se ele for tão bacana quanto o autor, mereça ser realmente publicado. Tudo de bom pra você, Beto.
Anônimo disse…
Bela ode...bacana...muito tocante.
(FR)
Anônimo disse…
Cara (chuif!),

Eu nunca li nada do Meteoro, mas o visual dele, a idéia humana do herói, o alter ego do seu criador, me conquistaram. Infelizmente, quando me quis ser íntimo do "ric", um fato mudou meu destino, mas, vá caro herói, tocar sua guitarra até que um dia o mundo grite: "Socorro!", e você, Meteoro, volto a voar e salvar o Brasil desses malfeitores.

Valcir
Carlos disse…
Guedão, seu fanfarrão! Eu me recuso a acreditar nessa notícia! Não pode ser, é jogada de marketing sua, né, não?! Diga lá, intrepid one... você está dando uma de Joe Quesada, admita, vamos! Tudo não passa de uma estratégia, e logo, logo veremos Meteoro nas bancas, é isso? É isso, Guedes? Guedes?...
Paulo Ricardo Montenegro disse…
Guedão,

Fiquei profundamente entristecido ao ler este post ... eu acompanho o Meteoro desde o nosso tempo de fanzineiro, ou seja, há um bocado de anos ... e sempre mantive a esperança de ver o teu personagem definitivamente nas bancas, algo que foi solapado pela tacanhez e miopia de alguns editores. E pensar que há tanta babaquice nas bancas, e vendendo feito água no deserto. Tsc ...

Como sempre comentamos, Guedão, eu estou realmente ficando velho para os quadrinhos modernos. Os tempos são outros, os gostos são outros, os leitores (sic) são outros. A nós, dinossauros à beira da extinção, só resta retirarmo-nos pra o exílio, para o "cemitério dos elefantes", e sentarmos à beira da fogueira, relembrando os tempos em que os quadrinhos eram, realmente, bons, diversão e alegria garantidas, um tempo em que, sem a menor sombra de dúvida, o Meteoro estaria inserido.

Torço, entretanto, para que, igual à fênix (o pássaro, não a personagem marveliana), o Meteoro possa, ali adiante, ressurgir, radiante e vibrante, para encher os céus do Brasil com sua alegria juvenil, seu heroísmo inato, brindando-nos com as ótimas histórias de sempre, fazendo-nos relembrar um tempo em que tudo (e não só os quadrinhos) era melhor.

Abração, irmão!!
Anônimo disse…
Querido,
O Meteoro é o personagem mais incrível que eu já vi, carismático, sofisticado, estiloso, enfim ... O MEU HERÓI BRASILEIRO.
Você escreve maravilhosamente bem, suas histórias são fantásticas, tudo o que você se propõe a fazer, faz bem feito.
Não só eu como todos que acompanham seu trabalho, estamos muito tristes com essa notícia, mas creio que será momentâneo, o Meteoro não pode desaparecer e não irá. Se não deu certo com as outras editoras, com certeza aparecerão outras. Mas querido, desistir não é sinônimo de fracasso ou derrota viu?
Você é um vencedor!!!!
Regina Fernandes
Sergio F. disse…
Meteoro pendurou a chuteira (ou seria a máscara?), mas felizmente Roberto Guedes continua na ativa. E isso é o mais importante, pois, ao contrário de outros quadrinistas que temos por aí, você, Guedes, jamais se escondeu atrás do seu personagem. Sempre foi maior do que ele, e conquistou seu espaço com trabahos incríveis, haja vista seus excelentes livros teóricos, as centenas de edições que editou e traduziu, as entrevistas, os artigos. Enfim, aonde você põe a mão, sai produto de qualidade. faço coro a todo mundo que já escreveu aqui, se um dia Meteoro voltar, o receberemos com alegria. Mas o importante mesmo é o autor.
Felicidades!
Anônimo disse…
Concordo com você Sérgio,o Roberto já conquistou o espaço dele e é o que importa.
E tá falado.
Regina
Anônimo disse…
Ô Roberto...cara, sei que às vezes é preciso recuar pra depois avançar, e que isso é usado por grandes estrategistas. Mas eu gostaria muito de ver novas aventuras do METEORO.
GRANDE ABRAÇO

José Carlos Braga
Lucas Baldaque disse…
Guedes,
Vou ser bem sincero agora: acho que você joga pérolas aos porcos. Veja bem, seu livro da Era de Bronze é digno de um Roy Thomas ou Peter Sanderson - e aquela droga de HQMix nem o relacionou entre os livros teóricos do ano.
Seu blog traz reportagens sensacionais, artigos articulados, coisa de mestre, que foge do nerdismo, traz poesia, romantismo, fala de gibis, mas de cinema, de futebol, tem domínio total da língua, é repleto de informações e muito, mas muito gostoso de ler... mas... mas também não é indicado a nada.
Já o seu personagem, infinitamente superior a um monte de porcaria que temos em banca, nacional ou internacional, que até foi publicado decentemente pela Escala, não tem a devida chance de exposição simplesmente porque nossos editores acreditam que super-herói é coisa de americano, como se houvesse outras opções mais saudáveis e lucrativas à disposição.
Ora, mas só Mauricio emplaca nas bancas, por causa da força de monopólio das editoras que estão por trás dele. Quantos outros quadrinhos infantis têm chance no mercado? Cadê o Sitio do picapau Amerelo? Cadê o Maluquinho do Ziraldo? E o Xaxado? Pois é, nada tem a ver com super-herói, tem a ver com editor retardado. Com essa infestação mangalóide (nada contra o mangá em si, mas contra o pensamento estético da coisa).
Quem conhece um mínimo de storytelling e cultura super-heróica sabe muito bem reconhcer que as tiras de Meteoro são excelentes e acima da média. Nada de obscenidades e plagiarismo débil de outros caras que temos por aí no Brasil. Pra piorar, nosso canhestro mercadinho tupiniquim é assolado via rede por invejosos da pior estirpe... você deve até saber quem são. Esses infelizes que perambulam por fóruns e só fazem amaldiçoar com suas urucas quem trabalha sério.
Sei que você é ocupado e que nem esquenta com essa gente... esses porcos... mas no fundo, sei que isso deve te chatear um pouco.
Wendell disse…
Meu caro Roberto Guedes,

Nesse instante que escrevo, honestamente, não consigo encontrar as palavras. Algo que possa realmente demonstrar minha frustração, pois esperava ansioso voar com o nosso Meteoro.
Mas essa frustração não é só por mim. São por todas as pessoas – que por enquanto – não lerão as aventuras do nosso herói. E mais ainda, por todos os garotos – e garotas – que deixarão de se apaixonar pelos quadrinhos, em viagens imagéticas, onde encontrariam a essência da bondade de sua alma – como eu muitas vezes encontrei nos gibis.
Quando se falava no gibi do Meteoro, sempre imaginei que você nos contaria histórias como Stan “The Man” Lee. Como ele disse na lindíssima introdução da BHM O Surfista Prateado Vol. 1, sabe... "... acima de tudo, talvez seja porque, com cada palavra que escrevo, quero sentir que algo da bondade inata desse carismático personagem surtirá efeito num leitor em algum lugar - e talvez o poder de sua própria moralidade profundamente arraigada e preocupação com o próximo ajude, de um modo sutil, a tornar nosso atribulado mundo um pouco melhor graças às suas histórias."
Na verdade, chapa, tenho certeza disso! Durante todo esse tempo que frequento o Manifesto, me emocionei, sorri e aprendi – não apenas sobre os quadrinhos, mas também, sobre a alma humana. E quer saber mais, quando li “A Banca” eu tive um susto. Um susto comigo mesmo, porque naquele exato instante tive a certeza que muitas das difíceis decisões que já tive de tomar em minha vida, foram tomadas não pelo homem Wendell, mas sim pelo garoto sonhador que entendia que a felicidade ia muito além das coisas materiais. E eu lhe sou grato.
Mas como disse acima, acho que o nosso Meteoro vai voar novamente, porque a mensagem dele – e do seu criador – ainda germinarão em muitos lugares. Enquanto isso... exulta e vai!

Um forte abraço meteórico!

Wendell
Anônimo disse…
Olha só, se o próprio criador disse isso:
"Meteoro não guarda mágoa e nem fala mal de ninguém – pelo contrário, estará sempre disposto a ajudar o próximo, a lutar pelos fracos e oprimidos e, claro, a ouvir uma nova proposta de publicação. Enquanto isso, ele se retira estrategicamente, cedendo espaço para que outros personagens e histórias de seu pai criador apareçam."
É aí que eu fico com a pulga atrás da orelha:
O seu pai e criador tem outros personagens para lançar? Ôpa, êpa, estamos aqui para ver... certo?
Aguardamos os novos personagens!!! Mas continuamos a admirar o Meteoro...o melhor Super-Herói "brasuca", na minha opinião.

Abraços gerais

Cesar
izely guedes disse…
Primo, você sempre me surpreendendo!
Com certeza essa decisão foi uma orientação divina!
Tem uma frase que diz que Deus ajuda quem muda.
Penso que quando não estamos contentes com o que estamos recebendo, devemos
parar e criar estratégias de mudanças. Acredito que você esteja nesse momento, e por isso tenha mudado o destino do Meteoro (ainda que provisoriamente, como todos esperamos!!!), além de entender que um personagem especial como ele, está muito além da capacidade de compreensão das mentes míopes desse mercado equivocado.

Você comentou em um de seus textos que

O artista verdadeiro constrói sua imagem com sua obra, mas não se apodera disso. Tampouco a vilipendia! Tampouco a trai! Sua relação com a arte é como a que mantém com a mulher amada.
Amor irrestrito.
Você construiu sua imagem com a alma! E com esse maravilhoso DOM que Deus lhe deu de escrever a coisa certa, na hora certa, com pitadas de humor, graça, coragem, cultura e inteligência!

O grande artista aqui é você! Espero, sinceramente, que você continue tocando o coração das pessoas com o rico trabalho que desenvolve nesse espaço de cultura, fantasia, inteligência e tão cheio de emoção!!!
Boa sorte prá você e para o Meteoro!
beijos da prima
Anônimo disse…
Roberto,
Conheço pouco seu trabalho mas o que posso te dizer?????
Parte pra outra cara... adorei seus poemas, são muito lindos, que tal dar continuidade...
Abs.
Rafael
Anônimo disse…
Pô cara! O Meteoro vai deixar de existir? Não acredito!




Kleber Stanquevisch
Roberto Guedes disse…
Um muito obrigado a todos pelas palavras carinhosas a respeito do Meteoro e à minha pessoa. Tanto aos que escreveram diretamente aqui pro MANIFESTO, quanto aos que enviaram mensagens particulares via e-mail.

É gratificante constatar que o nosso trabalho atinge – em níveis variados, e de maneira tão positiva – o coração das pessoas.

Exulta e vai!
Sandro Marcelo disse…
Uma notícia que muito me entristece, pois sou fã confesso de Meteoro... Ainda acalento o sonho de um dia vê-lo cruzando os céus do Brasil ao lado do Conversor... espero, caro amigo Guedes, que este quadro se reverta!
Fernando disse…
Guedes,

Assim como todo mundo que escreveu acima, fiquei bem triste com a notícia do cancelamento do projeto Meteoro, pois entendo que se trata de um personagem diferenciado escrito por um grande profissional - que é o seu caso.

E ao ler a mensagem do Lucas, também me revoltei com o mercado nacional. Mas logo em seguida vieram essas duas belas mensagens do Wendell e da Izely, e vi que o Lucas, embora certíssimo em vários pontos de vista, errou ao dizer que você "joga pérolas aos porcos"; afinal, se isso fosse verdade, o teu trabalho, caro Guedes não teria inspirado os dois a escreverem essas coisas maravilhosas não é mesmo?

Aliás, não só eles, mas todo mundo que deixou comentários positivos a respeito da sua obra. Portanto, se o trabalho é de qualidade, acaba reconhecido pelo público.

E o seu, caríssimo escritor, é reconhecido sim.

Abraço!