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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

45 anos depois do primeiro crossover Marvel/DC

Todo mundo está careca de saber que o primeiro encontro entre Marvel e DC Comics ocorreu em 1976, com a edição tablóide que uniu Superman e Homem-Aranha na mesma história. Desde então, o leitor teve a oportunidade ver os X-Men se confraternizarem com os Novos Titãs, Galactus se encontrar com Darkseid, os Vingadores saírem no tapa com os Justiceiros etc., etc., etc. Pois é, não faltaram crossovers – aquela palavrinha mágica que usamos ao nos referirmos a esses deliciosos caça-níqueis das editoras norte-americanas.

Mas houve uma época em que isso não era lugar-comum, e os autores tinham de sambar para atender, criativamente, o anseio dos leitores, que queriam, porque queriam, ver seus heróis favoritos atuando juntos. Questões contratuais e de direitos autorais não permitiam essas histórias – pelo menos até Stan Lee e Carmine Infantino (então, Publisher da DC) se sentarem pra firmar o encontro do Cabeça-de-Teia com o Azulão –, então os roteiristas se
valiam de subterfúgios meio que “pilantras” pra satisfazer a rapaziada.

Em publicações satíricas como Not Brand Echh (Marvel) e Inferior Five (DC), era normal ver reflexos cômicos dos superseres de ambas as companhias – uma reminiscência pra lá de inspirada no embate Superduperman vs. Captain Marbles, do genial Wally Wood pra MAD 4, lá atrás, na pré-história dos Comics.

Um pouquinho mais sério, por exemplo, o fanboy Roy Thomas criou um grupo de vilões, o Esquadrão Sinistro, cujos membros eram contrapartes escarradas dos carinhas da Liga da Justiça, pra combater os Vingadores, enquanto Jack Kirby transformou
Jimmy Olsen, numa versão verde e sardenta do Incrível Hulk pra encher de bolacha a cara de Clark Kent. E quando Neal Adams e outros malucos começaram a desenhar os heróis de uma editora no gibi da outra – geralmente, isso acontecia em histórias que se passavam durante a parada do Halloween em Rutland, organizadas por Tom Fagan – a idéia geral era algo como “Afinal, o que vocês estão esperando pra fazer um crossover de verdade?”

Bem, enquanto eles esperavam Stan e Carmine (hunf... na época, esses dois viviam se encontrando num botequim muito mal freqüentado por roteiristas e desenhistas de HQs só pra saber onde é que seria a farra do próximo final de semana), aqui no Brasil um encontro pra lá de inusitado entre um herói da Marvel e outro da DC já havia acontecido... em 1964?!

“Oh, mas como?!” está tu indagando, não é? Bem, isso aconteceu precisamente em 1964, nas páginas do Almanaque do Globo Juvenil da RGE, editora do mega-empresário (já falecido) Roberto Marinho, e que hoje atende por Editora Globo. Tratou-se do encontro entre o Tocha Humana original dos anos 1930 (criado por Carl Burgos), com o Capitão “Shazam!” Marvel. Na trama, o herói flamejante era dado como desaparecido há décadas, prisioneiro que estava de um vilão inescrupuloso, até ser resgatado pelo formidável Big Red Cheese. Juntos, partem para a ação, enfrentando o maquiavélico Cobra – um inimigo em comum criado para a trama.

Em 18 páginas de história consta apenas a assinatura do artista Rodrigues Zelis. Um roteiro pra lá de amarradinho, numa história até que bem desenhada para os padrões da época. Diversão garantida, que fez muito leitor brasileiro exultar de alegria.

Vale alguns esclarecimentos aqui: na ocasião, a editora carioca ainda publicava as histórias da Família Shazam. Mas, aparentemente desencanada com o fato de que nos Estados Unidos a Fawcett, detentora dos direitos autorais de Capitão Marvel havia cessado a produção de novas histórias de Billy Batson e sua trupe, a RGE continuou a editar gibis desses personagens até 1967. Em 1973, a DC Comics adquiriria os direitos deles todos e suas novas aventuras seriam então, reproduzidas no Brasil pela EBAL.

Embora irregular do ponto de vista legal, esse encontro dos dois personagens chamou a atenção do fandom americano, até recebendo comentários elogiosos na excelentíssima Alter Ego de Roy Thomas, em artigo assinado por meu chapa, o grande pesquisador John G. Pierce – uma das maiores autoridades mundiais em se tratando da Família Shazam.

Após quase cinco décadas de seu lançamento original, será muito difícil encontrar um exemplar desse histórico almanaque em algum sebo encardido, dando sopa por aí. É pouco provável também que tanto DC quanto Marvel decidam “legalizar” a história, para então, encaixa-la em algum encadernado qualquer. Fruto do momento oportuno, de uma época bem menos complicada – quando o mundo era maior e mais divertido – o encontro entre Capitão Marvel e o Tocha original é uma coisa que não pode ser repetida, apenas entendida como um fato que transcende o histórico para alcançar o patamar de mito.

© Copyright Roberto Guedes

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Volare com Berardi e Milazzo!


(Milazzo e a gangue) Marcos Lícius, seu chapa aqui,
Franco, Primaggio, Lobo, Dario Chaves, Batata
Aoki e Pedro Bahia.

Giancarlo Berardi e Ivo Milazzo formaram a dupla de criadores mais importante dos fumetti (as Histórias em Quadrinhos italianas). A parceria teve início em 1974, e desde então, produziu uma quantidade quase incontável de clássicos da Arte Seqüencial, o que rendeu no processo, muitos prêmios e homenagens.

Pode-se afirmar que sua mais famosa criação seja o caubói narigudo Ken Parker. Conhecido internacionalmente, Ken Parker estreou no Brasil em 1977 por meio da (hoje) saudosa Editora Vecchi, do Rio de Janeiro. No começo deste século, a Tapejara, do jornalista e especialista em HQs Wagner Augusto fez um trabalho primoroso, publicando na íntegra todos os 59 volumes da série original de Rifle Comprido (apelido do herói).

Mas há outros trabalhos da dupla que merecem destaque, como Marvin: O Caso de Marion Colman, Tom’s Bar, Contrastes e Noturno – todos, editados por estas bandas com capricho e zelo pela Opera Graphica Editora. O último, merece uma nota especial deste autor. Dentre todas as obras publicadas pela Opera e que tive o prazer de colaborar na produção, Noturno tem um lugar de destaque em meu coração.

Afinal, é uma obra que compila várias histórias curtas da mais fina elegância, como “Um estranho casal”, “O último samurai”, “Parker Anderson, filósofo”, “Onde está Laura?” e a homônima “Noturno”. A mais curiosa, entretanto, é a última “Vecchio Frac” (Velho Fraque), por ser uma adaptação da música de Domenico Modugno – um famoso cantor e compositor dos anos 1950, que consagrou no Brasil a canção Nel blu dipinto di blu (sim, a gostosa “Volare”).

A tradução do italiano para o português foi realizada com maestria pelo grande Primaggio Mantonvi. Já o meu chapa André Hernandez cuidou do design arrojado da capa (que recebeu aprovação preliminar do próprio Milazzo), enquanto que o prefácio foi redigido por ninguém menos que Laerte, um dos nossos principais representantes da nobre arte.

Por fim, na tarde de 18 de outubro de 2003, durante a o lançamento do álbum nas dependências da loja Comix em São Paulo, Milazzo esteve presente para autografar os exemplares e bater um papo com os fãs. Ao me aproximar dele junto com minha esposa, titubeante tentei articular algumas frases em um italiano meio macarrônico, quando, sorridente, Milazzo me disse: “Pode falar em português que eu entendo, Roberto!”, e caímos todos na gargalhada.

Em seguida, pretendia tirar uma foto ao lado do artista para guardar de recordação, só que outros “bicões” apareceram repentinamente, e....
Hmm... mas quer saber? Ficou uma foto muito da bacana, não?

Ciao!

Parte deste texto – publicado originalmente em 100 Balas 24 (novembro de 2003) – foi revisado e atualizado pelo próprio autor.

© Copyright Roberto Guedes

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

4º Boletim Manifesto

Aos poucos, as novidades do ano novo começam a pintar no reino dos Quadrinhos, e como você poderá ver por este boletim de estréia, não falta diversidade de conteúdo e de estilo, para todos os gostos. Mas antes de partir para as boas novas, tenho de dar alguns recadinhos, por isso, anota tudo aí, intrepid one!
O primeiro deles é que os exemplares de Quando Surgem os Super-Heróis, A Saga dos Super-Heróis Brasileiros e Almanaque de Quadrinhos 1 se esgotaram rapidinho, ainda em dezembro. Contudo, ainda tenho em estoque algumas poucas unidades do livro A Era de Bronze dos Super-Heróis – R$ 30,00 (Troféu Bigorna de “Melhor Livro Teórico sobre Quadrinhos de 2008”), e do gibi Meteoro Comics – R$ 3,00. O interessado deve entrar em contato comigo por aqui, para saber como adquiri-los (preço final com correio e forma de pagamento).
E na última enquete do Manifesto (ver na lateral da página), o bom e velho Fantasma levou a melhor sobre a concorrência, faturando 44% da preferência popular, juntando-se aos outros vencedores, Jack Kirby e Dr. Octopus, na parte mais alta do podium. É bom dizer que não há nada de oficial ou “científico” nessas “pesquisinhas”, que valem mesmo pelo prazer da diversão. Por isso, interaja. Vote! Comente! Dê sua sugestão para futuras enquetes. Afinal, gibi pode até ser uma coisa séria, mas antes de tudo, ele é legal pra caramba!


Roteiro Para Histórias em Quadrinhos
Se existe alguém que entende de roteiros nesta terra tropical, este alguém é Gian Danton. Em sua identidade secreta trata-se de um pacato Professor universitário de Macapá, mas quando a mesmice e o lugar-comum se prontificam a atacar, ele saca o superteclado de seu computador para produzir o que há de melhor na Arte Seqüencial.
Com passagens memoráveis por publicações seminais como Calafrio e Manticore; uma das famosas edições War da Opera Graphica (em que reescreveu clássicas HQs de Colonnese) que tive a honra de editar; além de vários e merecidos prêmios aqui e acolá, o sujeito está mais do que gabaritado para a nobre tarefa de produzir uma obra como Roteiro Para Histórias em Quadrinhos, lançamento da Editora Popmídia. Para saber mais, acesse seu blog Idéias de Jeca-Tatu.


A Leitura dos Quadrinhos
Outro livro teórico bacana que chega às livrarias este mês, escrito por mais um professor universitário e especialista das HQs: Paulo Ramos – jornalista e dono do prestigiado Blog dos Quadrinhos.
“Quais as características dos quadrinhos? Como funciona o balão? Que papel exercem as onomatopéias, a cor e os personagens nessa forma de linguagem? Quais são exatamente os gêneros dos quadrinhos?”
As respostas para essas e outras indagações você encontrará na publicação de 160 páginas (R$ 23,00), que faz parte da coleção Linguagem & Ensino, da Editora Contexto. Ramos propõe um verdadeiro “raio-x” sobre a linguagem das HQs, esmiuçando também os diferentes gêneros que as compõem, como as tiras, o cartum, a charge e outras variadas formas de produção.


“A estréia de Conversor”
Chegou às minhas mãos a terceira edição da revista independente Campana, com aventuras dos personagens Conversor e Blagster (de autoria de Sandro Marcelo), e Judas Sangrento (de Leonardo Santana). A revista, em formato meio-ofício, capa em 4 cores e 56 páginas em P/B, vem com o selo do Projeto Continuum – evidenciando que o ditado “a união faz a força” é regra da boa no circuito alternativo da HQB.
Sandro é um autor prolífico, que consegue trabalhar vários temas (western, ficção científica, aventura) com bastante entusiasmo. Tivesse ele um acompanhamento editorial profissional, seria devidamente lapidado para galgar maiores degraus. Principalmente como roteirista. Prova disso, é o aval que recebe de feras como Antônio Cedraz, Jean Okada e Eloyr Pacheco (entre outros), na seção de cartas da revista. Para entrar em contato com ele, clique aqui.


Cafezinho maneiro, esse!
Ao fuçar em minha caixa de correspondência, essa realmente me pegou de surpresa. Sim, pois quando você passa uma boa temporada só lendo aracnídeos, caubóis e morcegos, dar de cara com amores perdidos e poesia faz com que você se sinta o Incrível Hulk! Hã... bem, mas como todos nós sabemos, o Verdão é puro coração de manteiga...
Café Espacial 3 é o que podemos classificar de “publicação chique”. Com um acabamento gráfico de primeira, chamá-la de “gibi” ou “revista em quadrinhos” não condiz exatamente com a verdade. Em suas páginas, há uma mistura equilibrada de HQs com entrevistas, artigos sobre música, cinema, e reviews inteligentes. Produção independente do jovem “veterano” Sergio Chaves, os quadrinhos de Café Espacial lidam com dramas urbanos e com os anseios da juventude moderna (Paul Pope ficaria orgulhoso). Em seu bojo, uma equipe de colaboradores de primeira linha, como DW Ribatski; Sueli Mendes; Fernanda Chiella; e Mariana Guerra e Mario Cau – autores de “Folhas Secas”, a minha preferida na edição. Acesse o site da turma pra saber como conseguir o seu exemplar.

E por aqui me despeço, ainda baqueado pela febre que adquiri em minha última missão na Latvéria. Mas não há de ser nada, afinal, o show não pode parar.

Ta falado!

© Copyright Roberto Guedes

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Au revoir Moliterni!

Faleceu ontem (21 de janeiro de 2009), o crítico, historiador e quadrinista francês Claude Moliterni. Foi um dos idealizadores do famoso Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême. Por aqui, o primeiro a dar a notícia foi Bira Dantas, em seu blog Caricas do Bira.

Com um currículo invejável, fez de tudo um pouco dentro do ambiente da “Banda Desenhada” – sua paixão maior –, como a produção da primeira Enciclopédia Larousse dos Quadrinhos, e a idealização do “ICON” (International Comic Organization), o 1º Congresso Internacional de Quadrinhos, que ocorreu em abril de 1972, em Nova York. Na ocasião, Moliterni reuniu a nata das HQs mundiais, como Hergé, Druilet, Emílio Freixas, Harvey Kurtzman, Neal Adams, Stan Lee, Jayme Cortez e Mauricio de Sousa, entre tantos outros.

Criador do personagem Harry Chase, ambientou uma de suas histórias no Brasil, com direito a colocar o amigo – e também lenda dos Quadrinhos – Álvaro de Moya como o vilão da trama.

Fica aqui registrada homenagem à memória de Claude Moliterni.

© Copyright Roberto Guedes

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A “identidade secreta” de Joe Shuster

A notícia caiu como uma bomba no fandom americano esta semana. O historiador Craig Yoe, conhecido como o “Indiana Jones” dos pesquisadores e autor de vários livros dedicados a quadrinhos ousados e obscuros, escreveu Secret Identity (Identidade Secreta), onde mostra em suas páginas, vários desenhos de forte teor erótico feitos por ninguém menos que Joe Shuster, um dos criadores de Superman. A introdução é redigida por outra lenda das HQs: Stan Lee.

De acordo com o release da editora Abrams Comic Arts, o material compilado por Yoe provém do início dos anos 1950, e foi feito por encomenda para uma série chamada Nights of Horror, que era vendida informalmente, sem o intermédio de uma distribuidora credenciada. Eventualmente, essa publicação foi banida devido à cruzada empreendida pelo psiquiatra Fredic Wertham.

Vale lembrar que, naquela ocasião, Shuster, praticamente esquecido, disputava com a DC Comics os direitos de seu principal personagem, enquanto zanzava por outras editoras menores num esforço de ganhar o "pão nosso de cada dia". Alguns fãs consideram o livro uma grande apelação, por querer atrair atenção em cima da memória de um dos nomes mais importantes da indústria em todos os tempos: “A descoberta desses desenhos e a história de bastidores levantada pelo historiador Craig Yoe revelam a ‘identidade secreta’ desse reverenciado criador dos Quadrinhos, e certamente irá mudar a maneira como enxergamos as criações de Shuster – Clark Kent, Lois Lane, Lex Luthor e Jimmy Olsen – para sempre.”, ora bolas! O que uma coisa tem a ver com a outra?

A não ser que Shuster tenha assinado as artes com seu nome verdadeiro – e imagino que não seja o caso –, é de se concluir que ele não quisesse ter sua imagem associada a elas, correto? Assim, por mais curiosidade que isso desperte nas pessoas, será que elas têm mesmo o direito de vasculhar a fundo a vida de alguém dessa maneira?

Mais uma vez o sensacionalismo barato se sobressai no universo – cada vez menos – encantado das Histórias em Quadrinhos. Contudo, para os verdadeiros admiradores de Shuster, a esperança é que tudo não passe de uma pegadinha de mau gosto. Afinal, o livro será lançado no dia 1º de abril.


© Copyright Roberto Guedes

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O último Fantasma da Opera

Assim que a Opera Graphica anunciou que encerraria suas atividades editorias, também prometeu lançar em 2009 o aguardado livro dedicado ao Fantasma – famoso e querido personagem criado em 1936 por Lee Falk.

Fiquei contente com a notícia, pois sei que se trata de uma obra monumental, executada por várias mãos competentíssimas que se uniram para compor um trabalho praticamente definitivo sobre o universo mítico do Espírito-que-Anda (assim como já havia ocorrido antes com o livro O Tico-Tico 100 Anos - Centenário da Primeira Revista de Quadrinhos do Brasil). Aliás, nem disfarço o orgulho de fazer parte dessa “Patrulha da Selva” de colaboradores: inicialmente como editor, e, posteriormente, como articulista de dois textos distintos que farão parte do calhamaço.

Em meados de 2005, comentei com Franco de Rosa o quanto seria legal se lançássemos um livrão do personagem no ano seguinte, em comemoração às suas sete décadas de aventuras impressas. Seu sócio, Carlos Mann aprovou a idéia na hora e foram programados dois lançamentos: o livro teórico e um álbum de luxo com as primeiras páginas dominicais. Este último, batizado de forma inspirada por Franco como Fantasma – Sempre aos Domingos, e traduzido e editado por mim, saiu no prazo estipulado (outono de 2006), contraindo-se numa das mais belas e elogiadas publicações daquele ano; porém, como vivíamos atolados em serviços mil, uma pessoa de fora teria de assumir a empreitada de escrever o livro teórico.

Ou melhor: várias pessoas.

A lista é bem grande, e envolve nomes consagrados e respeitados do fandom e do jornalismo especializado brasileiro. Cada um, abordando uma faceta do primeiro herói mascarado das HQs. Recordo que fiz um trabalho inicial de copidesque e edição, organizando os tópicos, e que já havíamos reunido várias imagens raras; mas logo depois saí para trabalhar na Mythos (e, posteriormente, para a Panini) então não sei dizer quantos “feras” mais foram convidados para participar, tampouco em que pé aquilo tudo ficou. Sei, contudo, que Marco Aurélio Lucchetti (autor dos sensacionais Desnudando Valentina e As Sedutoras dos Quadrinhos) redigiu praticamente metade da obra (até àquele momento), com informações preciosas para Bandar, Wambesi ou Llongo nenhum botar defeito.

Só que mesmo distante, meu interesse em ver o livro concluído permanecia – tanto pelo carinho que sempre nutri pelo personagem, quanto pela compreensão da importância que um livro desses teria para o mercado brasileiro de quadrinhos – e sempre que encontrava o Franco nos corredores de alguma outra redação, lhe perguntava: “E o livro... sai ou não sai?”, ao qual, o amigo e mentor simplesmente respondia com sua tranqüilidade característica: “Claro que sim!”

Agora é só aguardar... e conferir aquela que, tenho certeza, será uma obra indispensável em qualquer coleção. E quer saber... a Opera não poderia fechar seu ciclo editorial de uma maneira mais nobre.

Tá falado!

© Copyright Roberto Guedes

Amigo, se você é fã do Fantasma e de outros heróis de outrora, responda a enquete (localizada na lateral desta página) "Qual é o herói clássico mais legal de todos os tempos?", e depois envie sua mensagem comentando o texto acima e, se quiser, o voto também.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Disfarçando a tristeza

O passado voltava a atormentar seus pensamentos. Cada vez mais incisivo... implacável! Afinal, qual foi o erro? Por que tamanho tormento? Não bastava o perdão divino para dirimir a consciência pesada... a vergonha das palavras mal colocadas... as atitudes impensadas?...

“Quem dera fosse tão fácil assim...” murmurou desconsoladamente, Lembra? Nah... mas foi você quem quebrou as regras, não é? Então não venha agora colocar a culpa nos outros. Tsc... você não muda mesmo. Sempre olhando pro céu... pras nuvens... como se fosse a última das vítimas... à espera de um milagre.

Tola mente sonhadora.
Tolamente... só.

Não entende você que os milagres só acontecem quando menos esperamos? Quando, mesmo não merecendo graça alguma, não haverá nada, ninguém, força nenhuma ou vontade qualquer que poderá interceder para o seu cumprimento, exceto...

...exceto se Deus assim o designar?

Mas não precisa ficar aí desse jeito... disfarçando a tristeza. Deixa isso pras horas de fossa, pros dois dedos de Jack Daniel’s, praquela audição de Fakin' the Blues do Quo. Sabe, a vida não é um filme, mas sempre rola uma seqüência. E como nas eternas novelas, vai continuar no próximo capítulo. Se você lê quadrinhos, então, não perca o próximo número.

Quem sabe, ainda, não haverá um final feliz?

© Copyright Roberto Guedes

domingo, 4 de janeiro de 2009

Meteoro – super-herói por excelência!



Olá, querido amigo! Que 2009 seja um ano repleto de alegrias e realizações para você, OK? Reinicio hoje, as atividades do blog. Vamos, então, às primeiras novidades!
No mês passado, a HQM Editora anunciou em seu site que a primeira história da nova série do meu personagem Meteoro irá estrear este ano. Assim, para aguçar um pouco mais a curiosidade do leitor, reproduzo aqui, imagens e textos que divulguei por volta de setembro (via e-mail) entre alguns poucos conhecidos.

Ah, e para dar mais "sabor" a este tópico, aproveito também para reproduzir um trecho da reportagem feita comigo e que será publicada na íntegra na revista de estréia:

"'Os leitores costumavam enviar cartas dizendo o quanto Meteoro soava real e original, como se fosse um conhecido deles.', e isso era evidenciado pelo comportamento despojado do personagem, e de seus bordões tipicamente paulistanos como 'Orra!' e 'Cai fora, ô meu!'.

A respeito da nacionalidade de Meteoro, o escritor é enfático: 'Por uma questão de praticidade, estabeleci originalmente Meteoro no meu bairro e cidade (Ipiranga e São Paulo), pois é sempre mais fácil escrever sobre pessoas, lugares e costumes que conhecemos. Nada mais do que isso. Jamais houve qualquer intenção nacionalista ou xenófoba por trás disso.' – tanto é verdade, que agora Guedes decidiu criar uma nova identidade e uma nova origem para Meteoro, deixando-o mais universal e contemporâneo, bem ao gosto dos leitores: 'Sim, livrei-o das amarras da antiga continuidade! O Meteoro que você lê nesta revista é zero bala... totalmente inédito!'.

Rain City, que em português traduziríamos como 'Cidade da Chuva', poderia muito bem pertencer a qualquer país do planeta (na trama não se diz onde ela está localizada), e também não deixa de ser uma referência direta a Sampa, ou melhor, a 'Cidade da Garoa', com seu eterno céu nublado, sua poluição e população multirracial."

Para esse novo projeto, convidei os talentosos artistas Aluísio de Souza e Júlio Cesar Zvir - com trabalhos publicados em títulos como Victory, Lady Death e Shi -, e o colorista Fernando Caratti, dono de uma extensa lista de serviços prestados a diversas editoras. Modéstia às favas, o resultado final ficou excelente!
Bem, por enquanto é isso. Terei muito prazer em responder aos comentários e perguntas que forem enviados aqui pro Manifesto.
Portanto, vamos lá, intrepid one!

Roger Mandari – O Cara


Ele é meio invocado, malcriado e pavio-curto. Por isso, quase todo mundo o considera um rebelde. Sua má fama é tal, que se você disser que um vulcão entrou em erupção no Japão por causa de Roger, todos acreditarão. Ou seja, ele é o cara perfeito pra morrer pela humanidade. E quer saber? Ele topa!

Dr. Fantástico


Tudo que sabemos do cara é que se trata de um renegado da Sinarquia Universal, a mais terrível e tenebrosa sociedade secreta de todos os tempos! Qual é a ligação dele com Roger e com o “Grande Maligno” ninguém sabe ao certo... e a bem da verdade, escondido sob aquela máscara pode estar qualquer um.
Cesar Mandari



Editor-chefe do Manifesto Diário, o mais tradicional jornal de Rain City. Ele também é o pai de Roger, mas por favor, não o lembre disso. O rapaz é o grande desgosto da sua vida. O experiente jornalista admira mesmo é o novo super-herói do pedaço. Um tal de Meteoro.

Vovô Gian



Giancarlo Mandari veio da Itália há muitos e muitos anos. Ele é expansivo, divertido e dono de um senso de justiça inigualável. Tudo que seu neto Roger aprendeu de bom na vida, deve-se a ele. E atenção: jamais fale mal do garoto na frente do velho carcamano.
Vovó Katrina



Quando jovem, Katrina foi uma mulher linda, idealista e cheia de esperança. Mas com o passar dos anos, seu coração austríaco foi-se esfriando. Ela só sorri quando vê seu filho Cesar, o “orgulho da família”. Por essas e outras, Katrina foi fundamental na "formação" do caráter do neto Roger (se é que me fiz entender).
Laura Lopez



Ela é a garota mais linda, sexy e cobiçada do Colégio Central. Além disso, tem dois “L” em seu nome. Sua diversão é dançar a noite inteira - além de ser bajulada por todos. Ah, e provocar Roger também. Hmm... está na hora dessa loira ganhar uma rival à altura...

Jim



Ele não é apenas o baterista da banda de Roger. Tampouco o cara que está ali apenas pro mocinho ter com quem desabafar. Na verdade, ele é o cara que pula na sua frente se um ônibus for atropela-lo... que entra numa briga pra te defender, mesmo que você esteja errado. Ele é o melhor personagem desta história... o melhor amigo do mundo... ele é o grande chapa do Meteoro.

Ross



Ele tem pinta de artista de televisão! Ele é mais rico que todos os artistas da televisão! Ele é irritante! Metido! Boçal! Meu, você irá adorar odiá-lo...

Max Liberius



Não subestime esse homem. Além de ser o Diretor do Colégio Central, é um ufólogo respeitado, que vive assustando a população da cidade com seu programa radiofônico diário sobre discos voadores. E suas teorias sobre as “reais intenções” de Meteoro podem ser levadas a sério pelas autoridades.

Encapuzado



Não será por falta de mascarados misteriosos que essa trama não irá decolar. O sujeito aí de capote é o chefão do submundo. Ele odeia jornalistas intrometidos e repugna homens voadores. Na boa?... ele não deve gostar nem da própria mãe. E o pior de tudo: ninguém sabe quem é esse sujeito.

Chino – O Executor



Esse cara é cheio de truques! Quando você menos espera, ele saca seu nunchaku invocado e... Vapt! Soc! Pow! E ele nem precisa tirar a venda dos olhos!

Convidados especiais:

"Os Três Patetas"



Fotógrafo Pedro P.



Meteoro e demais personagens © Copyright 2009 Roberto Guedes. Todos os direitos reservados.