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De novo, novamente, outra vez

A sensação era de puro déjà vu. Parado naquela esquina, à espera de sabe-se lá o quê, a brisa gélida outonal de fim de tarde refrescava-lhe as bochechas brancas. Seu cabelo loiro, cacheado e desgrenhado rebelava-se ao léu, enquanto os olhos cerrados pareciam enxergar muito longe. Não na distância, mas no tempo.

O sorriso formou-se em seus lábios, numa constatação de
 plena alegria, enquanto que da casa de muro baixo atrás dele, as ondas de um estéreo ressoavam Hey You do Bachman-Turner Overdrive. “Ah, como eu queria mudar o mundo”, sussurrou, enquanto erguia os braços para o céu, num sinal declarado de boas-vindas ao crepúsculo.

Não estava mais lá.
Estava em outro lugar.
Em outro tempo.
Outra vez.

Nada mal. Viajar ao passado não é uma proeza fácil de se realizar. Ainda mais usando apenas a “força de vontade”. As sensações tomam seu corpo, e os sentidos ficam aflorados. Sente os aromas com uma exatidão impressionante, e ouve-se ruídos que há muito ficaram perdidos no entroncamento do infinito com a eternidade.

As ruas da cidade parecem menos congestionadas, barulhentas e poluídas. As pessoas são mais bonitas e descoladas. Por incrível que pareça dá para se reconhecer tudo, como se estivesse ali ontem mesmo.

A mente é incrível.
E ela não mente.
Só divaga...

© Copyright Roberto Guedes. Todos os direitos reservados.

Comentários

Anônimo disse…
Muito bom! A nostalgia dos tempos passados sempre se justifica pela dureza dos dias atuais. Pra mim, o Brasil de hoje só me faz querer voltar a épocas anteriores, quando tudo era mais simples, as pessoas mais humanas e quando tínhamos esperança num futuro promissor.

Fernando Buarque
Roberto Guedes disse…
Obrigado pelo comentário, Fernando!
Anônimo disse…
sempre demais!
Roberto Guedes disse…
Obrigado, anônimo! Dá próxima vez não se esqueça de colocar seu nome na mensagem, OK?
Anônimo disse…
Gosto muito de textos assim, que nos fazem divagar. O surpreendente é encontrá-lo num blog de quadrinhos e afins, o que prova a versatilidade do autor. Parabéns.

Sandro