terça-feira, 26 de julho de 2016

O filme perdido do Homem-Aranha

Ellison como o sofredor Peter Parker
Com a disponibilidade da internet, anos atrás chegou ao conhecimento do grande público o primeiro filme do Homem-Aranha, feito em 1969. Na realidade, uma produção não oficial e amadora de Donald F. Glut - ou simplesmente Don Glut, como ficaria conhecido mais tarde, ao se tornar roteirista de quadrinhos, escritor e diretor de cinema, entre outras atribuições artísticas.

Contudo, pouco depois, um estudante universitário de Nova York, chamado Bruce Cardozo, produziu outro filme do aracnídeo em bitola de 16 mm, em cores, com cerca de meia-hora de duração, e que contou com o aval do próprio criador do personagem.

"Em outubro de 1972, eu escrevi uma carta para Stan Lee explicando o projeto, e recebi como resposta uma entusiasmada aprovação, mas contanto que o filme só fosse exibido sem fins comerciais", explicou Cardozo, em entrevista ao fanzine FOOM 4 (1973).

Um Jameson perfeito!
Homem-Aranha 1973
O rapaz teve a ajuda de seus amigos de classe para produzir os cenários e o vestuário, além de entrevistar mais de 100 pessoas durante a seleção do elenco; que contou com Andrew Pastorio como J. Jonah Jameson, e Joe Ellison encarnando Peter Parker. "Todos diziam que eles eram sósias dos personagens", gabou-se Cardozo - e, ao olharmos as fotos, chegamos a conclusão que ele tinha razão, não?

Mesmo com o filme ainda inacabado, em agosto de 1973, o jovem cineasta mostrou algumas cenas importantes para Stan Lee, Roy Thomas e mais uma turma da redação Marvel. Todos adoraram e o encorajaram a concluir o projeto.

Um detalhe interessante: o roteiro foi baseado na HQ de estreia de Kraven, o Caçador, publicada em Amazing Spider-Man 15 (agosto/1964), de Stan e Steve Ditko, embora nenhuma foto do ator que interpretou o vilão tenha sido veiculada.

Depois disso, não se soube mais desse filme, até que em 2005, Cardozo o teria exibido numa convenção de quadrinhos e ficção científica, realizada em Los Angeles. Porém, ao contrário do que aconteceu com o filme de Glut, infelizmente Cardozo se recusa a disponibilizar sua obra na internet.

Abaixo, como consolo, o filme de Glut, para o caso de você ainda não conhecê-lo.

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domingo, 26 de junho de 2016

A primeira HQ do Drácula

O Conde Drácula é um verdadeiro ícone da cultura pop mundial. Ele surgiu em forma de romance pela imaginação do novelista irlandês Bram Stoker, em 1897, e foi adaptado para diversas mídias. Nos quadrinhos, a versão da Marvel Comics - A Tumba de Drácula (abril/1972) - continua a ser a mais reverenciada pelos leitores. 

O que muita gente ainda não se deu conta, é que o editor e roteirista Stan Lee já havia transportado o personagem para as HQs em Suspense 7 (março/1951), quando a Marvel ainda era conhecida como Atlas Comics. 

A história em quadrinhos de seis páginas intitulada "Dracula Lives!" é considerada, até o presente momento, como a primeira a ser feita com o Rei dos Vampiros e, posteriormente, dita como canônica, ou seja, pertencente à continuidade do vampiro no Universo Marvel.

Embora também não traga as assinaturas de quem a escreveu e desenhou, é comumente aceito que o roteiro seja do próprio Stan Lee, já que ele escrevia praticamente todas as histórias nas revistas da editora; além de na mesma época ter produzido com o desenhista Joe Maneely outra adaptação de uma criatura famosa da Literatura: "Your Name is Frankenstein" para Menace 7 (setembro/1953) - aqui, devidamente creditada. 

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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Almanaque Meteoro 6 à venda

Acaba de ser lançada a nova e aguardada edição do Almanaque Meteoro, do selo editorial Guedes Manifesto. Além do herói adolescente, a revista ainda traz mais duas criações de Roberto Guedes: o já conhecido cigano Zan-Garr, e a estreia de Monique, uma genuína bad girl, que protagoniza uma trama de suspense e terror.

Em “Até Por Ti... Morrerei!”, Meteoro encara seu maior desafio até o momento. Quando Aríete, um ser colossal forjado na aurora do universo, ameaça devastar a cidade de São Paulo, o Mascarado Voador se interpõe em seu caminho de destruição, e para isso conta com a ajuda inesperada de três bravos voluntários. Um verdadeiro épico desenhado pelo talentoso Daniel Alves, com o mais improvável desfecho dos últimos anos nas histórias em quadrinhos.

Já em “Monique”, o leitor irá acompanhar a trágica história da personagem homônima, que se passa nos tempos da Revolução Francesa. Enquanto a Bastilha é tomada pelas forças revolucionárias em Paris, a não tão bucólica comuna de Chartres é assolada por uma maldição diabólica nascida do mais profundo desejo de vingança. Os belos desenhos são de Horácio Jordan e Marcelo Borba, com arte-final precisa de John Castelhano.


Completando a edição, um bônus especial: a primeira história de Zan-Garr produzida no final dos anos 1990, e que ainda permanecia inédita numa publicação impressa. É nessa HQ, desenhada por Marcelo Borba e arte-finalizada por André Valle, que o Príncipe da Valakia encontra Lilith, a Rainha Vampira pela primeira vez.

Mas atenção, leitor: a tiragem é limitada. Por isso, para não correr o risco de ficar sem um exemplar autografado, escreva agora mesmo para: guedesbook@gmail.com 

ALMANAQUE METEORO 6
Guedes Manifesto Produções Editoriais
Editor e roteirista: Roberto Guedes
Formato: 15 x 21 cm
36 páginas – Miolo P/B
Capa (pintura em guache): Daniel Alves
R$ 15 (frete já incluso)

domingo, 3 de abril de 2016

Qual a razão do apelido "Foggy"?

Henson, o Foggy do seriado.
Tanto o leitor das "antigas", que acompanha os gibis do Demolidor há anos, como os espectadores mais novos que conheceram o Homem sem Medo com a exibição do excelente seriado da Netflix, se perguntam a razão do amigo e sócio de Matt Murdock, Franklin Nelson (interpretado por Elden Henson), ter o incomum apelido de "Foggy".

Ora, na língua inglesa foggy significa "nevoento" ou "nebuloso", palavras que nem de longe definem o simpático, engraçado e um tanto guloso advogado. Depois de tantos anos, o roteirista Mark Waid tentou justificar o apelido no contexto cronológico, em Daredevil 3ª série 12 (julho de 2012), ao contar, em retcon, que Matt apelidou o colega ainda na época de faculdade, devido ao seu ronco estrondoso que o fazia parecer um "human foghorn", ou seja, uma "sirene de nevoeiro humana".

Sirene de nevoeiro é um sinal sonoro emitido no mar para as embarcações não colidirem. No Brasil, a Panini publicou essa HQ em Demolidor 3 (janeiro de 2014), mas talvez por entender complicado explicar o apelido, preferiu dizer que Matt achava que o amigo roncava feito uma "motosserra com bafo de salgadinho", eliminando a explicação de que o apelido "Foggy" foi dado pelo herói cego.

Mas deixando Waid e Panini de lado, a verdadeira razão para Stan Lee ter batizado o rotundo personagem com esse apelido continuava sem explicação. Ou não.

É que em sua coluna Stan's Soapbox publicada em The Amazing Spider-Man 2ª série 3 (março de 1999), o famoso editor contou que "Foggy" era o apelido de um velho amigo dele, estudante de Direito. Portanto, foi uma maneira de Stan homenageá-lo.

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A revista mais estranha da Warren

A matéria que escrevi sobre a Warren Publishing, publicada na Mundo dos Super-Heróis 77 (março de 2016), trouxe muitas histórias de bastidores sobre essa importante editora cujos quadrinhos fizeram sucesso por aqui nos anos 1970, via revista Kripta, da RGE.

Contudo, por falta de mais espaço, uma ou outra curiosidade ficou de fora, como a que diz respeito a um magazine estrelado por Heidi Saha - provavelmente a publicação mais estranha da Warren. 

Saha era apenas um menina de 13 anos, muito fã de ficção científica, que aparecia nas convenções trajada de personagens em quadrinhos. Ou seja, uma precursora do movimento cosplay. 

Seus pais, fãs inveterados de sci fi também, encomendaram com a editora a produção de uma revista com fotos de Heidi como heroína. A tiragem foi de apenas 500 exemplares, que eram vendidos pelo correio. 

Muita gente na época não comprou por achar que era algum tipo de pornografia com menores, mas não passava mesmo de um exagerado mimo dos pais.

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

A origem secreta do Capitão América

Capa da MSH 75 - Dossiê do Capitão América
A revista Mundo dos Super-Heróis 75 está nas bancas e traz um dossiê colossal de 16 páginas, que escrevi em comemoração aos 75 anos do Capitão América.

Desta vez o enfoque maior é na figura do "pai" de Steve Rogers - o editor, roteirista e desenhista Joe Simon. 

Há também muitas informações de bastidores, entremeadas por uma análise da atmosfera reinante naquele período histórico.

Vai conferir  também como o governo americano incentivava os escritores de ficção, para que evocassem o patriotismo em seus leitores.

Além, claro, das principais influências que determinaram a gênese do personagem, como, por exemplo, o conceito utópico do Übermensch, de Nietzshe.

Segue abaixo um aperitivo da reportagem. Assim que acabar de lê-lo, corra logo para a banca mais próxima, pois os exemplares já estão acabando.

A ideia de se criar um herói patriótico, que trajasse uma roupa com as cores da bandeira americana, dominou os pensamentos de Joe Simon desde cedo, antes mesmo que ele se tornasse um profissional das histórias em quadrinhos. 

Por volta de 1922, quando ainda cursava o primário, a classe de Simon recebeu a visita de um veterano da Guerra Civil Americana (1861-1865). O homem tinha mais de 80 anos, e vestia um uniforme já bem surrado pelo tempo. 

A jovem professora o apresentou simplesmente como “O Soldado”, mas para Simon ele representava bem mais do que isso: “Era o meu primeiro contato com uma lenda viva”. 

Em seguida, o veterano desfraldou uma enorme bandeira, semelhante àquela usada no funeral do presidente Lincoln, arrancando aplausos esfuziantes da turma. A professora explicou que o soldado estava ali para dar uma mensagem, mas tudo o que ele fez foi estender sua mão para cada um dos alunos e dizer: 

“Aperte a mão que apertou a mão de Abraham Lincoln”. 

A professora se posicionou num canto da sala e fez um gesto para os alunos, insinuando que o velho era caduco. Mas Simon e seus amiguinhos ignoraram a falta de respeito dela, enquanto apertavam, com orgulho, a mão calejada daquele grande herói americano.

Animado pela boa receptividade da classe, o veterano começou a cantar “Boys the Old Flag Never Touched the Ground”, uma antiga música patriótica. Ele continuou cantando e marchando em direção à porta e, mesmo depois de ter saído da sala, os alunos, de maneira frenética, ainda aplaudiam, assoviavam e davam socos no ar. 

Simon, por sua vez, estava com os olhos injetados, e sentindo um nó na garganta de tanta emoção. Naquele exato momento, o Capitão América nascia no coração acelerado de um garoto de nove anos de idade. 

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Gotham, uma série Illuminati?

CONSIDERAÇÕES SOBRE GOTHAM - episódio 11 - 2ª temporada [Contém SPOILERS].
Cena intrigante a desse capítulo, que mostra Jim Gordon sonhando com sua ex, a psicopata Barbara Kean. Enquanto Barbara segue em queda livre (lembrança do ocorrido em capítulo anterior) uma borboleta sai de sua boca.
Na antiga cultura grega, a borboleta representava tanto a psiquê quanto a alma do ser humano. O sonho poderia representar simbolicamente a morte de Barbara (a alma/borboleta saindo do seu corpo).
OK!
Mas Barbara também foi vítima de abusos físicos e psicológicos anteriormente e, por causa disso, o voo da borboleta também poderia significar a desfragmentação total de sua sanidade.
Isso remete ao tal Projeto MK-Ultra desenvolvido pela CIA, um tratamento de lavagem cerebral que mistura psicologia, ciência e rituais ocultistas, cujo símbolo é... justamente... a borboleta (da espécie monarca).
Como há muitas evidências de que Hollywood faz uso do MK-Ultra em celebridades, políticos e figuras de vulto, e que mensagens ocultistas pipocam em tudo quanto é produção (filmes, desenhos animados, clipes musicais etc), não seria absurdo imaginar que essa cena seja mais uma mensagem/recado da "Elite Global".
E não acaba aí! Em dado momento, o garoto Bruce Wayne, prestes a ser sacrificado num ritual da sociedade secreta "Ordem de São Dumas" (monges-guerreiros que remontam aos Templários), diz a Silver St. Cloud que seu animal preferido é a coruja.
Ora, sabemos que, no futuro, Bruce vai se inspirar no morcego ao criar seu alter ego Batman. Daí que, ao citar a coruja, pode tanto significar apenas uma ideia que o garoto começa a alimentar (a de se tornar um vigilante mascarado com adereços animais), mas também algo mais, como a sua filiação a uma Ordem rival... "do bem".
Explicando: Assim como a borboleta, a coruja também tem uma simbologia ocultista: é o símbolo da sabedoria e dos segredos, e serve de totem aos frequentadores do Bohemiam Grove - um acampamento privado de VIPS, localizado na Califórnia.
Esse pessoal é a própria Elite Global (comentada acima), também chamada extraoficialmente de... ILLUMINATI.
Se você pesquisar bem, em fontes boas, vai constatar que esses "iluminados" (a tal "Elite Global") não são do bem.
Só espero que os produtores do seriado estejam usando tais simbologias meramente como recursos criativos, ou até mesmo como denúncia... e não como forma de propagar a agenda podre dessa gente nefasta.
Que um personagem tão legal como Batman jamais faça parte de nenhum conciliábulo maligno... e que continue a ser um campeão do bem... mesmo sendo um Cavaleiro das Trevas.
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domingo, 23 de agosto de 2015

Rei Arthur: A primeira minissérie que não existiu

Enquanto mexia em algumas revistas importadas antigas da DC Comics, para uma nova matéria que estou preparando para a Mundo dos Super-Heróis, me deparei com um anúncio (de setembro de 1975) sobre uma publicação que jamais tinha ouvido falar antes - ou pelo menos, não prestado uma necessária atenção.

Nada menos que a portentosa quadrinização da lenda do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda (King Arthur and the Knights of the Round Table, em inglês), escrita por Gerry Conway e ilustrada por Nestor Redondo.

O interessante é que foi anunciada como uma "série em quatro partes" em tamanho gigante. Após uma rápida pesquisa, inclusive em edições do fanzine oficial Amazing World of DC Comics, confirmei que esse projeto era pra lá de ambicioso.

Embora o termo "minissérie" ("limited series" para os americanos) ainda não existisse, realmente King Arthur... se tratava de uma mini, e o tal formato gigante nada mais era que o tabloide - igual ao primeiro encontro de Superman e Homem-Aranha (entre outros), que saiu por aqui em 1977.

Mas por razões não completamente esclarecidas, a DC decidiu cancelar esse material, mesmo com Redondo tendo concluído todas as páginas do primeiro volume. Especula-se que fez parte do famoso corte em dezenas de revistas conhecido como "Implosão DC", mas as datas não batem. É que a "Implosão DC" ocorreu somente em 1978.

É relevante observar que se tivesse saído em 1975, King Arthur... seria oficialmente a primeira minissérie do mercado americano, e não World of Krypton, lançada apenas em 1979 (O Mundo de Krypton, pela EBAL). Porém, o lamentável mesmo é que os leitores foram privados dessa que, sem dúvida alguma, seria uma belíssima obra. As páginas originais hoje se encontram nas mãos de alguns afortunados colecionadores.

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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Forte e independente


Notícia quente!

Na Mundo dos Super-Heróis 70 deste mês eu assino o artigo "Uma Nova Potência", que é dedicado à trajetória da First Comics, a editora independente que ousou, entre outras coisas, processar a poderosa Marvel por tentativa de monopólio.

O leitor brasileiro que comprava quadrinhos nos anos 1980 deve lembrar da sensação que foi o lançamento conjunto por aqui das revistas American Flagg!, Jon Sable Freelance, Badger e Grimjack, pela Cedibra. Isso sem deixar de comentar Nexus, Dreadstar e o mangá Lobo Solitário - quadrinhos com uma linguagem moderna e madura que ainda hoje são reverenciados pelo
fandom.

O artigo de seis páginas é recheado de informações de bastidores, depoimentos, e detalhes sobre personagens, autores e editores, tais como Mike Baron, Steve Rude, Howard Chaykin, Jim Starlin, Mike Grell e Tim Truman, entre outros.

Passe já na banca e seja o primeiro a pegar um exemplar, OK?

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