Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

O homem de pedra

Há muitos e muitos anos, imbuído pelo clima das histórias curtas de finais repentinos e surpreendentes da Warren e EC Comics, escrevi várias HQs de terror e ficção científica no intuito de montar uma revista nos moldes da saudosa Kripta.

Apesar de contar com vários desenhistas talentosos na execução da empreitada, todo o material acabou “engavetado” devido aos meus outros – e mais urgentes – afazeres de editor. Mas como no meio editorial vivemos em um eterno dèjá vu, e as idéias vêm e vão a toda hora, quem é que pode afirmar categoricamente que não retomarei as rédeas desse projeto, é ou não é, intrepid one?

Assim sendo, delicie-se por enquanto com a curtinha “O homem de pedra” (que escrevi para Marcelo Borba desenhar) como uma espécie de preview dessa gloriosa, e ainda inédita, publicação. É uma trama que fala sobre os segredos do coração humano, e da maneira como cada pessoa se vê e enxerga o mundo à sua volta. Cada um com a sua realidade dos fatos. Porém, a verdade, geralmente é uma só...






O Homem de Pedra © Copyright Roberto Guedes. Todos os direitos reservados.

O retorno da Creepy



Desde o ano passado a Dark Horse – uma das mais importantes publicadoras de Quadrinhos dos Estados Unidos – vem reeditando o material clássico da Warren Publishing, retirado dos lendários magazines Creepy e Eerie, em luxuosos álbuns de capa dura.

Por aqui, quem teve o privilégio de acompanhar as séries Kripta e Shock (RGE), e Vampirella (Kultus e Noblet), sabe do que eu estou falando: simplesmente das melhores histórias de horror e ficção científica de todos os tempos! Pra quem não sabe, é só clicar aqui e conferir.

Arte maravilhosa para roteiros inteligentes, o material da Warren compõe parte do imaginário popular, fez escola e influenciou gerações de quadrinistas (tanto lá fora quanto no Brasil). Também incendiou o mercado nacional do final dos anos 1970 e começo da década seguinte, incentivando o surgimento da “Geração Vecchi”, e das revistas Calafrio e Mestres do Terror, de Rodolfo Zalla.

E nessa retomada, a editora lança a série Creepy Comics, com novas histórias e autores, em formato comic book (vulgo “americano”), com 48 páginas em preto-e-branco, ao salgado preço de quase cinco dólares. Se a revista vai atrair a legião de fãs que sua antecessora teve, isso já é outra conversa, mas o pessoal da Dark Horse não se faz de rogado, e convoca para a primeira edição veteranos que se destacaram no passado, como Bernie Wrightson e Angelo Torres. Em respeito à tradição, ou em nome do saudosismo, acho que, ao menos, valerá a pena conferir.

© Copyright Roberto Guedes

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Preview do meu primeiro romance

Fevereiro de 1980.

É o início de mais um ano letivo para os alunos do Colégio Central. De forma lenta e preguiçosa, os jovens adentram o pátio da escola, falando alto e relembrando os bons momentos das férias – agora pertencentes a um passado recente. Rodinhas se formam, velhas amizades são retomadas e alguns pequenos flertes têm início. A algazarra, enfim, é instaurada – pelo menos, até o instante em que o sino ressoa estridente, alertando a todos que é hora de seguir para as salas.

Ao contrário de alguns de seus colegas, Rick não está assim tão desanimado com a volta às aulas. Além da expectativa de ser o último ano do colegial, ele curtiu com muita intensidade seus dois meses de folga no litoral paulista hospedado no apartamento de parentes, fazendo-o esquecer por algum tempo sua paixão pela Cidade da Garoa. Sua personalidade introspectiva sempre preferiu o asfalto e os paralelepípedos das ruas do bairro histórico do Ipiranga às areias da praia do Gonzaga, mas as emoções pelas quais passou em Santos foram tão intensas e deixaram marcas tão profundas em seu coração, que, provavelmente não cicatrizarão tão cedo – talvez jamais.

Alguma coisa o alegrou e, ao mesmo tempo o entristeceu demais na Baixada Santista, e seu pobre coração adolescente precisará de um bom tempo para recobrar-se. Assim, nada melhor do que enfiar a cara nos livros para tentar esquecer uma desilusão amorosa. Como se fosse algo assim tão fácil...

Seguindo uma rotina costumeira de já há alguns anos, Rick dirige-se para o fundo da sala – ora, ele pertence a “turma do fundão”. Talvez não seja proposital, mas ao sentar-se na última carteira da primeira fileira, encostado na parede, ele acaba por obter uma espécie de posição estratégica enxergando o ambiente por inteiro, e a todos os colegas de classe. Por outro lado, a professora, lá da frente, não parece ter uma visão direta dele, precisando, inclusive, levantar-se para vê-lo cochichar e rir com seus parceiros de bagunça.

Rick veste uma camiseta preta com o símbolo da banda Rolling Stones no peito: a provocativa bocarra vermelha e escancarada com a língua pra fora. E da mesma maneira que a trupe quarentona de Mick Jagger é considerada moralmente decadente e subversiva aos olhos da mídia e da sociedade, Rick também é um tanto quanto malvisto por alguns adultos de seu bairro e mesmo por aqueles alunos mais comportados e estudiosos.

Um preconceito exagerado, porém o garotão de 17 anos nem se incomoda, pelo contrário: adora ser comparado aos seus ídolos britânicos – mesmo que somente pelos aspectos negativos. Chamado de rebelde e indolente é constantemente (mal) julgado por sua aparência roqueira e postura desafiadora do que, propriamente, por suas idéias “avançadas” – que, a bem da verdade, ninguém ainda se deu ao trabalho de ouvi-las com atenção. Quer dizer, alguém fez isso, sim. Nas férias em Santos. Mas ela está longe agora. Distante de seus braços e do seu afeto.

Porém, com um visual desses, incrementado por sua vasta cabeleira cacheada e loira, não há canto da sala discreto o suficiente que o esconda da nova professora de História; uma senhora nipo-brasileira já com certa idade, baixinha, de semblante severo e com olhos de águia.

– Você, mocinho! Levante-se, por favor! – troveja a dona Tamiko – Que significa isso em sua camisa?

Enquanto todos se viram para ver quem é a primeira “vítima” do ano da lendária e temida professora, Rick esboça um sorriso cínico e coloca-se em pé.

– É a boca do Mick Jagger, teacher! Não me diga que a senhora não conhece, né? – provocou, arrancando, no processo, gargalhadas da turma toda. Mas a mulher, experiente de décadas no árduo trabalho do ensino em escolas públicas da periferia (aonde sempre lidou com toda a sorte de jovens problemáticos e anti-sociais), mantém-se impávida, olhando fixa e friamente para o jovem, até que, em poucos segundos, um silêncio sepulcral toma por completo a sala.

– O mocinho não sabe que nesta instituição de ensino todos devem estar uniformizados... Trajados com o avental escolar? – Ele olha para o encosto da cadeira onde seu avental está desleixadamente pendurado e diz (já num tom mais baixo e respeitoso) – Sim, senhora!

– Então o coloque imediatamente! E feche os botões até a altura da gola, pois ninguém aqui é obrigado a ver essa língua horrível e obscena. – ensaia-se um burburinho nas últimas carteiras; são os terríveis amigos de Rick, Jam e Mau, segurando-se para não caírem na gargalhada. Rir um do outro é a premissa básica do dia-a-dia desses garotos debochados. Rick teria feito a mesma coisa se um deles estivesse em seu lugar.

O loiro rebelde obedece a sua enérgica mestra, mas deixa claro, por meio de um olhar enviesado, que ela está a comprar uma briga e tanto. Em seguida, voltando-se para sua mesa, antes de sentar, Tamiko emenda:

–Ricardo Guerra é o seu nome? Pois bem, senhor Guerra, prepare-me uma redação em letra de forma legível, com um mínimo de três folhas de papel almaço, sobre a importância da música na cultura popular... Para sexta-feira! Vale nota!

O rapaz senta-se enfim, humilhado perante os colegas de classe. Envergonhado, evita olhar para os lados, principalmente para Mau, o gozador, que faz sinal com as mãos, assinalando que ele se deu mal.

Rick fica ali, cabisbaixo, iracundo, a rabiscar qualquer coisa no caderno, até que, após alguns minutos ergue a cabeça e dá de cara com uma garota da primeira carteira da fileira da esquerda que o olha fixamente sabe-se lá há quanto tempo.

Surpreso, Rick retribui, encarando-a. Apesar do aparente transe pelo qual os dois passam, a mente analítica do rapaz percebe alguns detalhes com rapidez: que ela é loira como ele; que os seus fios de cabelos são desfiados (seguindo o modismo da rainha da New Wave Debbie Harris do conjunto Blondie); que sua pele é de um tom alvo-branco; que seus olhos são como duas pedras preciosas cor azul, e que no computo geral, todas essas características formam o rostinho perfeito de um anjo.

Após alguns segundos, ela sorri meigamente, e se vira para copiar as anotações que a professora deixou no quadro negro. Apesar dos pesares, da desilusão amorosa ocorrida nas férias e do primeiro dia de aula tempestuoso pelo qual acaba de passar, Rick Guerra começa a achar que este será um ano e tanto em sua vida.

Ele não tem idéia do quanto está certo ao pensar assim.

© Copyright Roberto Guedes. Todos os direitos reservados.

Este texto compõe o capítulo de um romance – quase finalizado – que retrata os sonhos e desilusões de uma geração, sob o ponto de vista de um jovem rebelde. Em breve, mais informações sobre a obra serão divulgadas aqui no Manifesto. Sua opinião e primeira impressão são muito bem-vindas.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Zan-Garr da Valakia

Para estrear a cara nova do Manifesto, nada melhor do que publicar uma história em quadrinho pra lá de movimentada e emocionante, não é mesmo, intrepid one? Na realidade, inauguro mais uma seção batuta do blog, a Première Manifesto – dedicada única e exclusivamente à exibição de HQs de minha autoria. Seja material antigo, novo, pequenos trechos, tiras etc. Embora a plataforma de exibição não seja a ideal para uma leitura virtual, a intenção aqui é apenas a de passar uma noção do projeto, aguçar a curiosidade do leitor, arrancar comentários... Enfim, você entendeu a idéia.

Sobre a aventura a seguir, vale algumas explicações.

"Zan-Garr da Valakia" é uma história curta de apenas quatro páginas, no estilo "Espada-e-Feitiçaria", e foi idealizada por mim há cerca de 10 anos para preencher a parte final de uma revista de RPG.

Os desenhos foram feitos por Marcelo Borba – meu antigo parceiro de produções do selo Fire Comics –, enquanto que a arte-final ficou a cargo de André Valle – experiente profissional da área, com extensa folha de serviços prestados a diversas editoras. A combinação de seus estilos nos oferece um arrojado visual.

Por motivos que nem lembro mais, a história acabou não publicada, e ficou na gaveta todo esse tempo, até que, recentemente, peguei-a nos arquivos e decidi exibi-la ao público leitor. Queria colorir o material antes, mas o colega contatado pra isso não estava com tempo disponível. Repare também que as letras nos balões foram feitas à mão – diferente de hoje em dia, em que há diversos tipos de fontes de computador à disposição dos quadrinistas.

O protagonista é um príncipe cigano que viveu no primeiro século da Era Cristã, percorrendo caminhos estranhos entre a Ásia, África e Europa. Ele tem uma missão, mas para sabermos qual é, precisaríamos ler toda a sua saga... Hmm... Quem sabe num álbum especial, ou em uma revista periódica? O que você acha meu chapa?







Zan-Garr da Valakia © Copyright Roberto Guedes. Todos os direitos reservados.

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Manifesta, exulta e vai!

Nem sempre desistir é algo depreciativo, sinônimo de fracasso ou derrota. Ainda mais, quando, feito um Pelé – ou Stan Lee, se nós quisermos manter o assunto nos Quadrinhos -, escolhermos o momento exato de parar...

E esta é a hora adequada para Meteoro, o Mascarado Voador encerrar expediente no mundo das páginas impressas. Após mais de duas décadas de sua concepção original, de várias mudanças de uniformes, de uma nova identidade secreta, selos independentes, editoras, revistas, desenhistas e histórias diversas, Ricardo “Ric” Marinetti, pendura a malha azul-marinho e branca e volta a empunhar sua guitarra, para, quem sabe (?) compor uma doce balada para sua eterna namorada Laura Lopez.

Meteoro surgiu inicialmente da minha necessidade de contar histórias de um adolescente às voltas com superpoderes e todas as “encrencas” inerentes a um sujeitinho de 17 anos. Para dar mais credibilidade à coisa e fugir um pouco da óbvia influência do Homem-Aranha, localizei suas aventuras no Brasil, especificamente no tradicional bairro paulistano do Ipiranga. Normal, portanto, era ver o herói bradar um “Orra, meu!”, quiçá, um “Diacho” como o do Capitão Marvel, e sobrevoar o Monumento à Independência.

De lá pra cá, Meteoro virou tema de entrevistas, estampou reportagens em jornais e revistas, foi comentado em rádio e televisão, fez bonito e nem ficou prosa.

Superando minhas expectativas, de imediato, o personagem caiu nas graças de um editor, e depois de outro, e mais outro, e assim sucessivamente (e isso, até o presente momento, pode apostar intrepid one). Contudo, por motivos variados, e por uma série de contratempos e obstáculos dignos dos Doze Trabalhos de Hércules, Meteoro era constantemente protelado em seu direito nato de voar pelos céus coloridos dos gibis, e da sua missão maior de levar alegria e diversão aos leitores. E olha que a receptividade do público sempre foi das melhores. Tsc... Um pouco mais a respeito dos “bastidores do Meteoro”, você pode conferir no livro A saga dos super-heróis brasileiros (Opera Graphica, 2005), OK?

Como todo super-herói que se preza, Meteoro não guarda mágoa e nem fala mal de ninguém – pelo contrário, estará sempre disposto a ajudar o próximo, a lutar pelos fracos e oprimidos e, claro, a ouvir uma nova proposta de publicação. Enquanto isso, ele se retira estrategicamente, cedendo espaço para que outros personagens e histórias de seu pai criador apareçam.

Nas linhas abaixo, uma pequena ode a Meteoro, enquanto aqui, um muito obrigado a todos os amigos que fielmente acompanharam suas histórias todos esses anos!

Tá falado!

VAI, METEORO!

Saudosista em sua concepção, moderno em sua redenção, Meteoro veio para realizar teus sonhos mais íntimos: levar-te um passo além, dentro das (i) limitadas dimensões de uma folha de papel.

“Exagero!” – dirá o incrédulo –, mas sê fiel às tuas convicções e presenteia o incauto com um exemplar. Diga-lhe que não é uma simples revista de super-herói, pois Meteoro não é um simples super-herói.

Falai dele!

Dizei que Meteoro é uma força da natureza! Um corpo celeste que singra os céus da metrópole desvairada! Um furor em forma de gente! Um jovem irrequieto com Hard Rock nas veias, brilho nos olhos e dono de um coração em eterna convulsão, à espera de toda e qualquer emoção!

Humano, homem, um cara como outro qualquer, assim como todos nós! Ciente de seu potencial e ignorante de seus limites. Daí, missão cumprida, cerrai os punhos e bradai: Vai, Meteoro! Vai!

© Copyright Roberto Guedes.

Domingo, 7 de Junho de 2009

Lançamento e despedida

Sábado, 06 de junho de 2009. Nas dependências da loja Comix, localizada em São Paulo City, ocorreu o lançamento do livro Fantasma: A Biografia Oficial do Primeiro Herói Fantasiado dos Quadrinhos (144 páginas, Opera Graphica Editora), escrito pelo professor de Comunicação e grande pesquisador Marco Aurélio Lucchetti, com organização e edição de Franco de Rosa.





Infelizmente, não foi possível a Lucchetti comparecer ao lançamento, mas Franco fez as honras da casa, autografando os exemplares dos fãs e convidados com sua costumeira simpatia e muita criatividade (a cada autógrafo, fazia também um desenho do personagem).


Eu com Giovanni Voltolini (ao fundo),
Franco de Rosa e Worney.

Entre os presentes na tarde ensolarada – mas um pouco fria de final de outono –, estavam os jornalistas Gonçalo Junior e Worney Almeida de Souza; o desenhista Primaggio Mantovi; os editores Junior Fonseca (New Pop), e Leonardo Vicente Di Sessa (HQ Maniacs); o distribuidor e entusiasta Giovanni Voltolini; além do próprio fundador da Opera, Carlos Mann, em uma de suas raras aparições públicas.



Com os chapas Gonçalo Junior e Giovanni.

Conforme noticiado em janeiro, aqui mesmo no Manifesto, na postagem intitulada O último Fantasma da Opera, o autor contou com diversos colaboradores, que contribuíram sobremaneira para valorizar ainda mais essa obra colossal – e única em todo o mundo –, dedicada à criação maior de Lee Falk.

Por exemplo: o jornalista Heitor Pitombo cedeu duas entrevistas importantes que realizou com Walmir Amaral e Gutemberg Monteiro – lendários desenhistas brasileiros da época áurea da RGE (Rio Gráfica e Editora). Já Dédy Edson (o maior colecionador de Fantasma do Brasil), Sérgio Takara, e o conhecido comerciante Geraldo Cachola forneceram as mais de 800 capas de edições nacionais do Fantasma que compõem o belíssimo caderno colorido de 16 páginas.

Outros estudiosos e profissionais da Arte Seqüencial marcaram presença em uma série de citações compiladas, além daqueles que forneceram informações precisas e depoimentos emocionados exclusivamente para o livro, entre os quais: Moacy Cirne, Sérgio Augusto, Diamantino da Silva, Antero Leivas, Álvaro de Moya, Goida, Júlio Shimamoto, Spacca, Joe Bennett, Mike Gold, Luiz Antônio Sampaio, o saudoso Oscar Kern, Edgard Guimarães, Fabio Santoro, Nobu Chinen, Sonia Bibe Luyten e este que, humildemente, aqui transcreve.



Com Junior Fonseca da New Pop.

Dois detalhes marcam decisivamente a obra dedicada ao Espírito-que-Anda: a listagem na segunda página com o nome de todo mundo que, um dia, colaborou de alguma maneira com a editora sediada no bairro da Barra Funda; e as silhuetas do Fantasma e de seus fieis parceiros de aventura, Capeto e Herói, na guarda da terceira capa, com os dizeres “The end – Opera Graphica”.

Esse derradeiro volume faz jus a sua curtíssima, porém importante trajetória editorial. Uma história repleta de desafios, desde a ousada implementação de um sistema de distribuição alternativo; passando por uma linha variada e caprichada de títulos em formatos para todos os gostos; o resgate de clássicos mundiais e de artistas veteranos do Quadrinho brasileiro; até a consagração das obras teóricas dedicadas às HQs.
Clique na imagem para ampliar,
e veja a dedicatória de Franco e o
desenho que ele fez do Fantasma.
Por ação de seus comandantes e pelo talento de seus profissionais contratados, a Opera jogou nova luz a um meio monopolizado e cauterizado criativamente, ao imprimir uma proposta diferente, independente e arrojada de se produzir Quadrinhos. Por essas e outras, os prêmios acumulados em quase uma década de atividades não foram à toa, merecendo outros mais que, por motivos desconhecidos, não vieram.

Se nem tudo foi perfeito – e isso, convenhamos, seria impossível –, vale o sentimento de missão cumprida. Apesar de pequena fisicamente, a Opera Graphica mostrou-se grande ao encerrar suas atividades por opção. E com muita classe.

© Copyright Roberto Guedes.

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Peter & Gwen: da primeira à última página

Olá, intrepid one! Clique na imagem ao lado para ampliá-la. Você verá que é algo muito bacana!

Publicado originalmente pela EBAL na 2ª capa de Superboy (em cores) 17, de julho de 1972, na verdade, esse texto é um resumo dos acontecimentos que seriam mostrados aos leitores em Almanaque do Homem-Aranha (para 1973) – edição que chegaria às bancas do Brasil dois meses depois.

É nesse almanaque que a morte do Capitão Stacy – importante personagem da mitologia do aracnídeo – foi publicada pela primeira vez no Brasil. Embora o editorial não entregue isso de bandeja (até para não estragar a surpresa da leitura, ora, pois), faz questão de destacar que a trama a ser publicada naquelas páginas é o “ponto alto” das HQs boladas por Stan Lee.

Outra curiosidade é a referência ao Homem de Gelo dos X-Men, batizado pela editora carioca como “Geleira” e classificado então como “um novo personagem”. Well, ou o redator simplesmente ignorou as publicações dos X-Men pela GEP, ou então, esqueceu que a própria EBAL já havia mostrado o “Geleira” na edição 17 de Estréia (com as aventuras do Quarteto Fantástico), de maio de 1971.

Independente disso, eu reafirmo: trata-se de um editorial bem bacana, não é (pelo menos, para os fãs do Cabeça-de-Teia)? Ainda mais se levarmos em conta a época, sem os tantos recursos de mídia de que dispõem as editoras de hoje.

© Copyright Roberto Guedes

Texto enviado originalmente para as listas de bate-papo Marvel BR e Gibi Fans, em 21 de março de 2008. Revisado e atualizado pelo próprio autor.