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A Era de Platina

A história das Revistas em Quadrinhos nos Estados Unidos começou em 14 de setembro de 1842, com a publicação do suplemento The Adventures of Mr. Obadiah Oldbuck, escrito e desenhado por Rodolphe Töpffer. Era uma republicação de tiras feitas para jornais, contendo um total de 40 páginas de histórias. Töpffer é considerado por muitos historiadores americanos, como o “pai dos quadrinhos atuais”, pois suas tiras continham seqüência narrativa e textos nas bordas dos painéis. O próprio autor costumava se referir aos seus quadrinhos como “picture story” (que poderia ser traduzido como “história em retratos”).

Anos depois, em 02 de junho de 1894, Richard F. Outcault publicou sua primeira tira tendo crianças de rua como protagonistas, para Truth, um magazine de interesse geral e de grande circulação nacional. Entre as personagens se destacava a figura de um menino asiático vestindo um camisão. Foi quando Morrill Goddard, editor do The New York World – o jornal mais vendido da América no período – percebeu que suplementos com tiras cômicas ajudavam a vender mais jornais. Assim, nasciam os famosos “suplementos dominicais”, com um detalhe: coloridos. E Outcault foi convidado para inaugurar suas páginas.

O autor resgatou seu pequeno menino oriental, pintando seu camisão de amarelo. Era a estréia colorida da série The Yellow Kid (O Menino Amarelo), em 05 de maio de 1895. A ironia nesses dois casos é que, enquanto The Adventures of Obadiah Oldbuck nasceu primeiro como tira de jornal para depois se tornar a primeira revista em quadrinhos americana, The Yellow Kid é originário de uma revista, que depois virou tira de jornal. Todavia, muitos estudiosos alegam que a criação de Töpffer nada mais era que um suplemento em forma de revista do tablóide Brother Jonathan.

O sucesso de O Menino Amarelo fez com que fosse publicado em outros jornais, a estampar pôsteres e a virar brinquedo. Em meio a tudo isso, a editora Dillingham & Co. lançou, em 1897, uma compilação de 196 páginas reprisando as tiras do personagem. Tal publicação é considera, oficialmente, o primeiro comic book (gibi) americano. Apesar das reprises, esse gibi apresentou algumas artes inéditas feitas especialmente para a publicação. O termo “comic” acabou sendo utilizado para designar Revista em Quadrinhos, já que, em geral, as tiras eram de humor.

No princípio do século 20, os gibis eram usados cada vez mais como veículo alternativo de divulgação das tiras para as crianças. Em 1902, foi publicado um álbum na horizontal, com as tiras The Katzenjammer Kids de Rudolph Dirks. Aqui no Brasil, esse material ficara conhecido como Os Sobrinhos do Capitão. Durante as duas primeiras décadas não havia um padrão estabelecido para o formato dos comic books, que podiam ser impressos compridos e finos, largos e achatados ou mesmo, no tamanho tablóide.

Em 1931, a David Mckay Co. editou a primeira de quatro edições de Mickey Mouse Comic, sendo que, em uma delas foi reprisada uma tira que ficaria famosa: aquela em que o camundongo de Walt Disney tenta cometer suicídio. Causou certo mal estar já que os gibis eram consumidos por crianças, diferente dos jornais.

Praticamente todos os principais personagens publicados nos jornais da época foram transportados para os comic books: Popeye, Tarzan, Mutt and Jeff, Gato Félix entre outros. Porém, uma crise já se anunciava sobre essas publicações, afinal, repletas de reprises, sem nenhum material original, as revistinhas estavam fadadas a um desaparecimento precoce.

Algo precisava acontecer com urgência! Foi quando lançaram Action Comics 1 em junho de 1938, revista com material inédito, e com a estreia de um personagem chamado Superman.

Dava-se início à Era de Ouro – uma fase gloriosa dos Quadrinhos americanos, repleta de seres fantasiosos e fantásticos, que teria influência fundamental na Cultura Pop mundial, particularmente aqui no Brasil.

© Copyright Roberto Guedes. Todos os direitos reservados.

Pequeno trecho do livro Quando Surgem os Super-Heróis (Opera Graphica Editora, 2004), deste autor.

Comentários

Wilde Portella disse…
Caro Roberto:
Li com muita satisfação a compilação de seu livro Quando Surgem os Super-Heróis. Além disso, fiquei conhecendo um pouco mais sobre as Histórias em Quadrinhos em seus tempos mais remotos. Acredito que ler seu livro proporciona momentos de prazer e intretenimento.
Abraço.
Anônimo disse…
Oi Guedes. Até hoje mantenho o Quando surgem na minha cabeceira. Só não éo meu livro favorito porcausa do era de brnze. Gosto de pesquisar história das HQ´s, e esse teu texto me recordou muita coisa. Nãocurto tantoos personagens da era de platina, Gosto mesmoé de super-heróis!
Andre Bufrem
Lancelot disse…
Guedes,

Na história dos comics, hoje, há muita discussão na formatação e ou definição do que seja arte seqüencial... Uma discussão meramente acadêmica. Para nossos olhos o que interessava era o percebido por eles – a imagem! E a imagem foi muito bem trabalhada por Rudolph Töpffer, Wilhelm Bush, Christophe Chabouté ou Angelo Agostini... Até mesmo, aquele grande americano – Benjamim Franklin teria (não sei se isso é lenda), em 1754, desenhado “quadrinhos” (cartoon), para provocar as colônias. Agora, é inegável, que como você afirma em seu ensaio, Yelloow Kid de Richard Outcalt foi a primeira tira a usar balões.
Na leitura da “arte visual”, outro cara que talvez deva ser citado seja William Hogarth, que produziu diversas séries de pinturas temáticas (em sua maioria, pertencentes a um gênero da época denominado de conversation pieces), que eram acompanhadas de textos explicativos sobre as cenas retratadas, o que se constituiu numa grande novidade para a primeira metade do século XVIII. Acho que ele, talvez, tenha iniciado e ou germinado lá nos EUA, por volta de 1734, essa idéia da chamada narrativa visual, notadamente, na impressão. Realmente, Mestre Guedes, os quadrinhos são uma grande fonte motivadora de discussão em várias e apaixonantes vertentes... Excelente ensaio... Preciso adquirir seu livro (estou em falta), seu mano

Lancelott
Roberto Guedes disse…
Caríssimos Wilde, Brufrem e Lancelott... muito obrigado pelas considerações sobre o texto.

Abraços!