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Rockefeller: Política e Quadrinhos

Todos já ouviram falar da Família Rockefeller, uma das mais ricas do planeta, cujo raio de influência se estende de maneira globalizada em praticamente todas as áreas da atividade humana, mas principalmente na economia, na política e na imprensa.

O famoso clã bilionário americano começou sua dinastia com John Davidson Rockefeller (JDR), nascido em 1839, em Richford, estado de Nova York, descendente de imigrantes judeus oriundos da Alemanha.

Em 1870, JDR fundou a empresa petrolífera Standard Oil e, dizem, devido às suas ações predatórias – como corrupção, suborno e ameaças –, conseguiu transformá-la na Standard Oil Trust, o primeiro monopólio da economia mundial.

Para melhorar sua imagem, JDR criou diversas fundações filantrópicas e, a partir do século 20, seus descendentes fundaram o Chase Manhattan Bank, um dos quatro maiores bancos dos Estados Unidos.

Ambicioso e frio para os negócios, a personalidade de JDR e de outros especuladores americanos do século 19 (como Jay Gould e E.H. Harriman), serviram de modelo a Carl Barks, na criação do avarento Tio Patinhas pra Disney.

“Todos esses caras fizeram fortunas nas ferrovias, minas e etc., sendo um pouco inescrupulosos na maneira em que liquidavam a concorrência. Assim foi moldado o Patinhas, caso contrário não teria sobrevivido àqueles plutocratas”, conforme depoimento do próprio desenhista registrado no livro Carl Barks and the Disney Comic Book: Unmasking the Myth of  Modernity.

Detalhe: em 1961, Barks criou John D. Rockerduck (Patacôncio no Brasil), um rival ricaço do Patinhas, mais explicitamente calcado no patriarca dos Rockefellers.

Em 1968, a então emergente Marvel Comics foi comprada pela Cadence Industries, um conglomerado cujo principal conselheiro era o filho de JDR, David Rockefeller – ainda vivo, hoje com 99 anos.

A Marvel, que já revolucionava os quadrinhos com seus super-heróis dramáticos e humanizados, logo se tornou a líder do mercado, quando a Cadence adquiriu uma distribuidora, possibilitando a produção de mais e mais revistas. De 1986 em diante, a editora do Homem-Aranha passou por várias outras mãos empresariais, até que, em 2009, foi adquirida pela Disney.

Ainda na época que a Marvel era controlada pela Cadence, o roteirista Steve Englehart inseriu, nas histórias do Capitão América, a companhia petrolífera Roxxon, comandada por gente desonesta que pretende dominar a Terra.

É evidente que a inspiração veio da junção dos nomes de [John Davidson] Rockefeller e de uma de suas empresas, a Exxon. Desde então, a Roxxon está sempre envolvida em negócios escusos nas tramas dos heróis da Marvel.

Na mesma época, outro do clã, Nelson Rockefeller, vice-presidente americano entre 1974-1977, também foi transportado para os gibis por Englehart, numa longa e aclamada saga dos Vingadores.

O escritor transforma Nelson no presidente dos EUA de uma Terra paralela, que age sob o controle da Coroa da Serpente – um artefato místico que remonta a um período anterior ao surgimento da raça atlante. Ora, o que se vê aqui é bem mais do que mera alusão ao exercício de uma política maligna por parte de quem controla realmente as grandes potências.

É bom saber também que os Rockefellers mantêm, desde sempre, uma cadeira cativa no Clube de Bilderberg, uma conferência de periodicidade anual, onde pessoas ilustres de várias áreas debatem questões de interesse mundial.

Até por isso, o Clube é acusado de ser uma fachada para a sociedade secreta Illuminati, a grande conspiradora que pretende implantar a Nova Ordem Mundial. Nada menos que um só governo, uma só moeda, uma só religião. Um mundo onde todas as pessoas estarão sob uma vigilância constante e sem liberdade de expressão.

“Nós estamos à beira de uma transformação. Tudo que precisamos é de uma grande crise e as nações aceitarão a Nova Ordem Mundial”, disse David Rockefeller, em 1991.

A coisa está bem escancarada, não acha? As pistas estão por aí: nas guerras que nunca cessam; nas manifestações violentas que surgem do nada; na inversão de valores da sociedade atual; e no repúdio crescente, e sem razão de ser, a tudo que se refere à palavra de Deus.

© Copyright Roberto Guedes. Todos os direitos reservados.

Comentários

Cesar disse…
Demais esse artigo! Mas fiquei assustado também..................
Alexandre disse…
Não sabia que o presidente da Contra-Terra, lar do Esquadrão Supremo era uma pessoa de verdade: Nelson Rockefeller. Englehart foi bem ousado na época. PARABÉNS, Guedes! Você realmente manja muito!
Alexandre Silva disse…
Muito bom Artigo Mestre!
Roberto Guedes disse…
Obrigado, Alexandre!