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Um Demolidor muito bom!

Não é fácil ler os quadrinhos atuais da Marvel (e os da DC também). Os caras se esmeram na ruindade e fazem um esforço danado pra afastar os leitores de seus personagens prediletos. Tsc! Já falamos tanto disso por aqui...

Contudo, quando o material é bom, nós temos de dar a mão à palmatória. E o Demolidor de Mark Waid é bom, muito bom, true believer! 

OK! Os desenhistas que o acompanham neste Demolidor 6 (outubro de 2014), não são lá essas coisas. Chris Shamnee e Javier Rodriguez não estão nem perto do patamar de um Gene Colan - nem mesmo de um Frank Miller em sua fase áurea - mas, vá lá!... Eles não comprometem.

O importante mesmo é o modo como Waid trabalha a caracterização dos personagens, e o desenrolar da trama - cada vez mais intrínseca e interessante. Já há algum tempo, Matt Murdock teve o segredo de sua dupla identidade revelado, o que vem lhe causando muita dor de cabeça. Agora então, ele sofre um processo ético que poderá resultar na cassação de sua licença de advogado.

A barra fica mais pesada quando ele tem de enfrentar as tramoias do Polichinelo, um vilão "das antigas", ou da época em que Stan Lee mandava na Casa das Ideias (eu poderia ter substituído a frase toda por "bons tempos", eu sei), além dos racistas e subversivos Filhos da Serpente.

Nesse processo - dos acontecimentos, não do tribunal -, o herói cego vai parar em Stone Hills, um lugarejo nada apropriado para se curtir as férias. Mas é lá que o Demolidor encontra o Monstro de Frankenstein; N' Kantu, a Múmia Viva; Simon Garth, o Zumbi; Satana e Jack Russel, o Lobisomem. Isso mesmo, chapa! Aquela patota macabra e sensacional que aparecia nos gibis do selo Capitão Mistério da finada - porém, jamais esquecida - Bloch Editores.

Vale dizer que Elektra, Dr. Estranho e Hank Pym (vulgo Homem-Formiga, Gigante, Golias, Jaqueta Amarela e sei-lá-mais-o-quê) marcam presença importante na edição da Panini. Waid gosta de colocar o Homem sem Medo interagindo com outros heróis da Marvel. Contudo não extrapola, restringindo a participação do ilustres convidados a uma função lógica dentro do enredo.

O que eu quero dizer, é que com Waid, nada é gratuito ou apelativo. Um diferencial e tanto em se tratando da Marvel moderna, onde todos os personagens vivem se esbarrando em suas inúmeras páginas mensais. Isso, quando todos não pertencem a uma mesma equipe (alguns personagens conseguem até mesmo bater ponto em vários grupos).

Como todo herói que se preza, Matt Murdock tem uma vida pessoal bem atribulada. Enquanto faz de tudo para ajudar seu amigo Foggy Nelson, que sofre de um câncer aparentemente sem cura, se vê cada vez mais envolvido pelos encantos de Kirsten McDuffie. Como resultado de tudo isso, o Demolidor decide dar uma guinada em sua vida, que o levará a novos e empolgantes desafios.

O único ponto negativo fica por conta da tradução/adaptação de um balão de fala do Demolidor, com a expressão "Vai, Curíntia". Tirando esse detalhe absurdo, a edição da Panini está ótima!

© Copyright Roberto Guedes. Todos os direitos reservados.

Comentários

Gabriel Dantas disse…
De acordo com tudo.

http://gotasdexp.blogspot.com/
Gabriel Dantas disse…
De acordo com tudo.

Essa saga foi uma das melhores publicadas recentemente pela Marvel.

Junto a ela, Gavião Arqueiro também foi muito bom!

http://gotasdexp.blogspot.com/