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Quando Gwen se foi...

Dezembro de 1972. Fazia um frio terrível naquele final de tarde de sexta-feira. As ruas da Grande Maçã estavam todas enfeitadas para as festividades natalinas e as pessoas se apressavam para comprar os presentes de última hora. Mas nada disso parecia importunar um certo espectador, que por trás do vidro embaçado de uma janela, fitava o movimento abaixo, porém, com os pensamentos bem distantes dali. Com ele na sala estavam mais três homens, discutindo questões de trabalho. O falatório não parecia capturar sua atenção, até que um deles disse em alto e bom som: – Ela é muito caipira! – os outros dois riram comedidamente, e o distraído, enfim, se manifestou. – De quem Gerry está falando, John? – Da Gwen! Ela é muito certinha, Stan. Um peso morto nas histórias do Aranha! Não serve pra nada... só fica choramingando pelos cantos! Stan, surpreso, arregalou os olhos, enquanto Gerry, o mais jovem ali presente se levantou, e, titubeante, entrou na conversa. – Bem, eu estou há pou...

Você conhece a “outra” série Cinco por Infinitus?

Em 1971, a EBAL (Editora Brasil-América Ltda) lançou no Brasil a série de ficção científica Cinco por Infinitus, do premiado autor espanhol Esteban Maroto. Para comportar os belos e arrojados desenhos, a editora carioca dividiu as histórias em 19 volumes enormes com páginas em tons de azul. Desnecessário dizer que esses exemplares – e mesmo a edição encadernada – tornaram-se itens de coleção caríssimos, e difíceis de serem encontrados em sebos. Mas a procura vale a pena, e com certeza você irá se encantar. Acha que estou a exagerar? Então pergunte a Neal Adams. Neal Adams? Isso mesmo. Foi ainda nos anos 1960 que o co-criador do mutante Destrutor (o herói com o visual mais acachapante da Era de Prata) entrou em contato com a obra de Maroto, em uma livraria de usados na vizinhança do Harlem, em Nova York. Adams ficou maravilhado com esses “Legionarios del Espacio” assim definidos em algumas edições, e, em outras, que achou posteriormente, como “Cinco por Infinito”. O nome não i...

Sayonara, Samurai Mágico!

No momento em que esta é redigida, todo mundo já deve saber que às 10:40h do sábado, 15 de novembro de 2008, o quadrinista e editor Cláudio Seto faleceu, após sofrer um derrame decorrente de complicações com pressão alta e diabetes. Sua carreira começou há mais de quatro décadas. Talentoso como poucos, logo que o lendário Minami Keizi da Editora Edrel bateu os olhos em suas pranchas, o escalou para a “Equipe A” de suas produções – dedicada às revistas em “estilo mangá” (o quadrinho japonês). Assim como Minami, Seto foi um dos primeiros artistas a fazer mangá fora do Japão, e, talvez, no mundo (puxando rápido pela memória, lembro apenas de Sanho Kim, que era coreano e produzia para o mercado americano), ainda nos anos 1960, desenhando as histórias de seu personagem Ninja, O Samurai Mágico. De acordo com meu amigo, o jornalista e pesquisador Gonçalo Junior: "A maior mágoa que Seto tinha era o de ser acusado de ter copiado Lobo Solitário na revista Histórias de Samurais. Ele s...

O dia em que Batman encarou o Poderoso Thor

Todo mundo sabe que o Poderoso Thor é um sujeito meio esquentado e briguento. Que já saiu na porrada com quase tudo quanto é fulano: Galactus, Hulk, Surfista Prateado... e até mesmo com Superman. Pra ele, não tem conversa: se alguém olhar torto, vai levar bordoada... (ops!) martelada. Entretanto, todos seus antagonistas costumam ser pesos pesados, afinal, o representante viking do lado de lá da ponte do arco-íris não é um sujeito covarde, tampouco mau caráter. No máximo, um pouco rebelde – resultado de uma juventude complicada, devido a um pai possessivo que regulava até com quem o rapagão poderia ou não namorar. Bah... não é à toa que o mancebo se mandou de Asgard e deixou a cabeleira passar dos ombros... Porém, houve um dia em que o lendário Thor teve de enfrentar um cara bem menos poderoso do que ele. Aliás, dois “carinhas”: Batman e Robin. Isso mesmo! O imbróglio aconteceu há muito tempo, precisamente nas páginas da revista Batman 127 (outubro de 1959), ou na versão brasileir...

"Se liga" na KLIK!

Há algum tempo correu a notícia a respeito das novas mudanças na linha editorial da MAD nacional, e confesso que não fiquei nada surpreso. Digo isso, não com alguma autoridade ou pré-conhecimento dos fatos – mesmo porque não possuo nem um e nem outro a respeito do referido assunto –, mas simplesmente devido a uma constatação cada vez mais gritante de que tudo passa. A uva passa, o ferro passa, e os editores também passam. Como não comprei nenhuma das novas edições da revista, não posso, sequer, palpitar a respeito. Resta-me torcer para que o novo comandante do magazine faça bonito, assim como o seu antecessor o fez por tanto tempo também. OK, eles são profissionais com estilos diferentes, eu sei, mas também vivemos tempos diferentes. E pelo timaço que convocaram pra nova fase da publicação (Bira, Baraldi, Marcatti, Xalberto...) com certeza, valerá a pena conferir. Analisando a “escalação” dos artistas, a coisa parece pender mais para uma linha de humor alternativa que para a comé...

John Romita e a Princesa Mexicana

Essa eu tenho certeza de que você vai gostar, intrepid one. Pelo menos, se você for um dos fãs de John Romita, vulgo "Jazzy" Johnny, é evidente. O desenhista começou sua carreira bem cedo, mas demorou a engrenar. Após ser dispensado da Atlas (nome que a Marvel ostentava em suas capas nos anos 1950) – quando o patrão Martin Goodman descobriu que Stan Lee acumulava em suas gavetas um estoque considerável de páginas inéditas de vários artistas –, Romita “sofreu” oito longos anos na DC Comics delineando histórias melosas de amor para o público infanto-juvenil feminino. Mas esse calvário estava com os dias contados. Em 1965, os corredores da Marvel transpiravam novos ares. Prova disso é que quando Lee jogou uma pilha de gibis do Homem-Aranha, Thor, Quarteto Fantástico entre outros, no seu colo, e disse “Você não tem idéia do quanto esses heróis são populares!”, Romitão sabia que era pegar ou largar. E pegou – mesmo sabendo que iria ganhar menos do que em uma agência de public...

Ele é o Homem-Aranha!

Será realmente necessário contar outra vez a gênese do Homem-Aranha? Estaria o leitor deste blog a tomar conhecimento do aracnídeo mais legal do mundo pela primeira vez aqui? Claro que não! Mas uma coisa eu tenho de admitir: não há muitos por aí que já tenham falado tanto a respeito do sobrinho mimadinho da tia May como este autor. E isso já vem de longa data, desde a época dos pré-históricos fanzines, lá atrás, nos anos 1980. Depois, a coisa tomou forma e ficou mais bacana, e não faltaram artigos em revistas e magazines especiais, capítulos inteiros em meus livros, trabalhos de edição em álbuns de luxo, e tradução de histórias clássicas. Até mesmo o bom e velho Stan Lee (o criador do Teioso), eu tive a honra de entrevistar, e, desde então, passei a trocar algumas palavrinhas com “The Man”, quando sua agenda permite. Excelsior! Certa feita, inclusive, ele comentou o quanto lamentava a perda de seu grande chapa Jim Mooney, falecido em 30 de março deste ano. Mooney também desenhou...