Pular para o conteúdo principal

Postagens

Dois Brasis distintos

* Um breve passeio pelo Brasil dos anos 1960 - começando pelo final da década anterior -, sob o prisma da Cultura Político-Musical * Em 1958, João Gilberto gravou Chega de Saudade, considerado o primeiro disco de Bossa Nova. Um estilo musical que fundiu o Be-Bop e o Cool Jazz norte-americano com o romantismo do Samba-Canção, evitando, entretanto, os arroubos vocais deste último.  Com harmonias ricas e um cantar “palavreado”, a Bossa Nova fez muito sucesso, em particular, entre a juventude classe média e universitária brasileira, e seria um contraponto ao Rock and Roll oriundo da América, cada vez mais influente entre a nossa juventude – desde que Nora Ney regravou Rock Around the Clock, de Bill Halley, ainda em 1955. Enquanto Celly Campello estourava nas paradas de sucesso com Estúpido Cupido (1959), a Rua Augusta, na capital paulistana – então uma área chique, repleta de bancos, lanchonetes, livrarias e lojas de discos –, se configurava em ponto de encontro de jo...

Kirby contra a chatura e o lugar-comum

Outra curiosidade legal para os seguidores do Manifesto e marvetes em geral! As duas imagens desta postagem são, respectivamente, o primeiro e o último quadro de uma HQ de duas páginas feita por Charlie Parker. A história foi publicada originalmente em FOOM 11 (setembro de 1975) - o fanzine oficial da Marvel na década de 1970 -; e republicada no Brasil pela Bloch Editores, em Capitão América 20 (janeiro de 1977). Detalhe: nos EUA esse material não saiu colorido. Trata-se de um conto bem humorado, que conta a "origem" do cocriador de Capitão América, Thor, Hulk e Quarteto Fantástico - entre muitos outros super-heróis maravilhosos (a lista é praticamente infindável).  Na realidade, uma homenagem a Kirby, que estava de volta à Casa das Ideias após cinco anos de estadia na DC Comics, onde produziu novas séries como Os Novos Deuses, Kamandi, Demon etc. E antes que me esqueça, o personagem ridículo que aparece contracenando com o "Rei" é Forbush Man (Homem Arbus...

Tradução curiosa

Cavaleiro Incognitus? Hã? Well... foi assim mesmo que a EBAL renomeou o Cavaleiro Negro (Black Knight) de Stan Lee e Joe Maneely, ao publicar suas histórias nas páginas finais da revista do Homem-Aranha, no comecinho da década de 1970. Com certeza, pra não causar confusão com o Cavaleiro Negro (Black Rider) que saía nas publicações da RGE, de Roberto Marinho. De acordo com Stan, Maneely tinha tudo pra se tornar um desenhista tão famoso quanto Jack Kirby, caso não tivesse morrido tão cedo - ele caiu no vão entre dois vagões de um trem em movimento.  Confira na imagem ao lado como seu traço era realmente bonito! Anos depois, um novo cavaleiro medieval chamado Cavaleiro Negro seria introduzido na série do Gigante como um supervilão e, posteriormente, Roy Thomas e George Tuska criariam uma versão heroica para compor as fileiras de Os Vingadores (o conhecido Dane Whitman).  Adiante, a Marvel viria com outros personagens denominados "Cavaleiro Negro"; mas esse é um assunt...

Shazam decodificado

Não curti muito a versão de Jeff Smith para os mitos do Capitão Marvel, em  Shazam! & A Sociedade dos Monstros (dezembro de 2014); edição caprichada da Panini, em capa dura e preço modesto, que reúne as quatro partes da minissérie americana. Talvez a culpa seja apenas minha, por me deixar levar pelo lobby efusivo de vários leitores e colegas do meio, gerando uma expectativa danada. Afinal, Smith é um autor bastante talentoso, premiado, prestigiado e, dizem, gente boníssima. Além de que, quando um artista do naipe de Alex Ross atesta no prefácio que você certamente vai adorar a HQ... diacho! Você fica entusiasmado. Mas a história é... sei lá... chatinha! Vai por mim! Falta humor e sobra apatia nessa obra. Não que o autor tivesse a obrigação de escrever algo hilariante - mesmo que o personagem em questão tenha se consagrado no passado pelas tramas nonsense e engraçadas -, mas em A Sociedade dos Monstros, tudo é muito down! O próprio Ross atenta para esse detalhe, o ...

Um Demolidor muito bom!

Não é fácil ler os quadrinhos atuais da Marvel (e os da DC também). Os caras se esmeram na ruindade e fazem um esforço danado pra afastar os leitores de seus personagens prediletos.  Tsc! Já falamos tanto disso por aqui... Contudo, quando o material é bom, nós temos de dar a mão à palmatória. E o Demolidor de Mark Waid é bom, muito bom, true believer!  OK! Os desenhistas que o acompanham neste Demolidor 6 (outubro de 2014), não são lá essas coisas. Chris Shamnee e Javier Rodriguez não estão nem perto do patamar de um Gene Colan - nem mesmo de um Frank Miller em sua fase áurea - mas, vá lá!... Eles não comprometem. O importante mesmo é o modo como Waid trabalha a caracterização dos personagens, e o desenrolar da trama - cada vez mais intrínseca e interessante. Já há algum tempo, Matt Murdock teve o segredo de sua dupla identidade revelado, o que vem lhe causando muita dor de cabeça. Agora então, ele sofre um processo ético que poderá resultar na cassação de sua licença...

"Elementar, meu caro Alan Davis"

Diferente de muitos hot artists que fizeram sucesso instantâneo entre os anos 1980 e 1990 - e que depois desapareceram - o britânico Alan Davis foi calmamente firmando seu traço elegante no mercado, gibi a gibi, não se contaminando pelas tendencias nefastas e, hoje, é praticamente unanimidade entre os fãs de quadrinhos de super-heróis. Isso deve ter pesado na decisão da Panini lançar no Brasil o encadernado Batman - Lendas do Cavaleiro das Trevas: Alan Davis vol. 1 (nos Estados Unidos saiu em um volume só, mas aqui, provavelmente por questões econômicas, foi divido em duas edições), compilando as HQs publicadas em Detective Comics 569-572 (dezembro de 1986 a março de 1987). Essas aventuras vieram logo após o término de Lendas, uma saga que envolveu todos os personagens da editora e que serviu para estabilizar a nova continuidade do Universo DC pós- Crise Nas Infinitas Terras. Davis e o roteirista Mike W. Barr estreavam como dupla criativa no título, com a perspectiva de levar o...

O arquétipo miraculoso

Antes de 2014, o Miracleman de Alan Moore só havia aparecido em revista própria no Brasil entre 1989 e 1990, pela Editora Tannos. Recordo que a tradução e as letras dos balões foram feitas por dois colegas do extinto Conclave*, Wilson Costa e Giovanni Voltolini respectivamente. Mas não passou de quatro edições. Bem, após vários e vários anos de brigas judiciais, finalmente Miracleman acabou nas mãos da Marvel e, de tabela, da Panini. Tanto que a editora italiana sediada em Terra Brasilis lançou Miracleman 1 (novembro de 2014),  o primeiro número de uma série contínua que pretende publicar toda a saga do herói cópia-carbono mais famoso do mundo. Miracleman nasceu Marvelman, lá na distante Inglaterra, em 1954. Na verdade, foi uma necessidade da editora L. Miller & Son, que publicava as histórias do Capitão Marvel com muito sucesso, mas que subitamente ficou sem o fornecimento de material da Fawcett (a editora americana que detinha os direitos autorais do personagem). É qu...