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Tradução curiosa

Cavaleiro Incognitus? Hã? Well... foi assim mesmo que a EBAL renomeou o Cavaleiro Negro (Black Knight) de Stan Lee e Joe Maneely, ao publicar suas histórias nas páginas finais da revista do Homem-Aranha, no comecinho da década de 1970. Com certeza, pra não causar confusão com o Cavaleiro Negro (Black Rider) que saía nas publicações da RGE, de Roberto Marinho. De acordo com Stan, Maneely tinha tudo pra se tornar um desenhista tão famoso quanto Jack Kirby, caso não tivesse morrido tão cedo - ele caiu no vão entre dois vagões de um trem em movimento.  Confira na imagem ao lado como seu traço era realmente bonito! Anos depois, um novo cavaleiro medieval chamado Cavaleiro Negro seria introduzido na série do Gigante como um supervilão e, posteriormente, Roy Thomas e George Tuska criariam uma versão heroica para compor as fileiras de Os Vingadores (o conhecido Dane Whitman).  Adiante, a Marvel viria com outros personagens denominados "Cavaleiro Negro"; mas esse é um assunt...

Shazam decodificado

Não curti muito a versão de Jeff Smith para os mitos do Capitão Marvel, em  Shazam! & A Sociedade dos Monstros (dezembro de 2014); edição caprichada da Panini, em capa dura e preço modesto, que reúne as quatro partes da minissérie americana. Talvez a culpa seja apenas minha, por me deixar levar pelo lobby efusivo de vários leitores e colegas do meio, gerando uma expectativa danada. Afinal, Smith é um autor bastante talentoso, premiado, prestigiado e, dizem, gente boníssima. Além de que, quando um artista do naipe de Alex Ross atesta no prefácio que você certamente vai adorar a HQ... diacho! Você fica entusiasmado. Mas a história é... sei lá... chatinha! Vai por mim! Falta humor e sobra apatia nessa obra. Não que o autor tivesse a obrigação de escrever algo hilariante - mesmo que o personagem em questão tenha se consagrado no passado pelas tramas nonsense e engraçadas -, mas em A Sociedade dos Monstros, tudo é muito down! O próprio Ross atenta para esse detalhe, o ...

Um Demolidor muito bom!

Não é fácil ler os quadrinhos atuais da Marvel (e os da DC também). Os caras se esmeram na ruindade e fazem um esforço danado pra afastar os leitores de seus personagens prediletos.  Tsc! Já falamos tanto disso por aqui... Contudo, quando o material é bom, nós temos de dar a mão à palmatória. E o Demolidor de Mark Waid é bom, muito bom, true believer!  OK! Os desenhistas que o acompanham neste Demolidor 6 (outubro de 2014), não são lá essas coisas. Chris Shamnee e Javier Rodriguez não estão nem perto do patamar de um Gene Colan - nem mesmo de um Frank Miller em sua fase áurea - mas, vá lá!... Eles não comprometem. O importante mesmo é o modo como Waid trabalha a caracterização dos personagens, e o desenrolar da trama - cada vez mais intrínseca e interessante. Já há algum tempo, Matt Murdock teve o segredo de sua dupla identidade revelado, o que vem lhe causando muita dor de cabeça. Agora então, ele sofre um processo ético que poderá resultar na cassação de sua licença...

"Elementar, meu caro Alan Davis"

Diferente de muitos hot artists que fizeram sucesso instantâneo entre os anos 1980 e 1990 - e que depois desapareceram - o britânico Alan Davis foi calmamente firmando seu traço elegante no mercado, gibi a gibi, não se contaminando pelas tendencias nefastas e, hoje, é praticamente unanimidade entre os fãs de quadrinhos de super-heróis. Isso deve ter pesado na decisão da Panini lançar no Brasil o encadernado Batman - Lendas do Cavaleiro das Trevas: Alan Davis vol. 1 (nos Estados Unidos saiu em um volume só, mas aqui, provavelmente por questões econômicas, foi divido em duas edições), compilando as HQs publicadas em Detective Comics 569-572 (dezembro de 1986 a março de 1987). Essas aventuras vieram logo após o término de Lendas, uma saga que envolveu todos os personagens da editora e que serviu para estabilizar a nova continuidade do Universo DC pós- Crise Nas Infinitas Terras. Davis e o roteirista Mike W. Barr estreavam como dupla criativa no título, com a perspectiva de levar o...

O arquétipo miraculoso

Antes de 2014, o Miracleman de Alan Moore só havia aparecido em revista própria no Brasil entre 1989 e 1990, pela Editora Tannos. Recordo que a tradução e as letras dos balões foram feitas por dois colegas do extinto Conclave*, Wilson Costa e Giovanni Voltolini respectivamente. Mas não passou de quatro edições. Bem, após vários e vários anos de brigas judiciais, finalmente Miracleman acabou nas mãos da Marvel e, de tabela, da Panini. Tanto que a editora italiana sediada em Terra Brasilis lançou Miracleman 1 (novembro de 2014),  o primeiro número de uma série contínua que pretende publicar toda a saga do herói cópia-carbono mais famoso do mundo. Miracleman nasceu Marvelman, lá na distante Inglaterra, em 1954. Na verdade, foi uma necessidade da editora L. Miller & Son, que publicava as histórias do Capitão Marvel com muito sucesso, mas que subitamente ficou sem o fornecimento de material da Fawcett (a editora americana que detinha os direitos autorais do personagem). É qu...

"Santo lançamento, Batman"

Achei bem legal o especial  Batman '66 da Panini, com histórias baseadas na famosa e clássica série televisa do Cruzado Embuçado, estrelada por Adam West (Batman) e Burt Ward (Robin). A edição brasileira compila as quatro primeiras edições do título americano, que por lá já se encontra no número 18 - portanto, espero que a editora brasileira dê segmento por aqui. O encadernado está bem caprichado, com capa dura e papel de miolo de alta qualidade. A tradução também está OK, só não curto quando usam piadinhas locais, como a sem graça "Nem a pau, Juvenal", proferido por um capanga do Pinguim. Mas dá pra sobreviver a isso... No que diz respeito aos desenhos, Jonathan Case manda muito bem nas cenas de ação, com enquadramentos e onomatopeias que imediatamente remetem ao cenário caótico do programa televisivo. Já Ty Templeton oferece as melhores caracterizações visuais dos personagens - as feições do Pinguim, por exemplo, são simplesmente fidedignas às do ator Burgess Mer...

Quando Paul Simon aconselhou Lee e Kirby

Este é mais um caso bem interessante de interação entre música e quadrinhos, do qual fiquei a par em 2008, mas que, por uma razão qualquer, acabei esquecendo de contar aqui no blog. Bem, antes tarde do que nunca, é ou não é? Na ocasião, eu participava ativamente de uma lista de bate-papo do Yahoo dedicada à carreira de Stan Lee. Entre os membros havia muitos fãs, estudiosos, jornalistas e até mesmo alguns ex-profissionais da Marvel - como por exemplo, ninguém menos que Roy Thomas. Papo vai, papo vem, alguém pergunta a Roy se o cantor Paul Simon teria mesmo lido os créditos de algum gibi da Marvel ao compor "50 Ways to Leave Your Lover" ( 50 Maneiras de Deixar Sua Amante ), um de seus maiores sucessos, lançado em 1975. Antes da resposta de Roy, vale uma explicação: Após se divorciar da sua primeira esposa, Peggy Harper, Simon escreveu essa canção como se fosse um conselho bem-humorado de um amante para o marido, sobre as maneiras de se terminar um relacionamento. Mas ...